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A FÓRMULA SECRETA PARA ANIQUILAR A MAGIA DO FUTEBOL

Por em maio 29, 2013

mane8Nós tentamos. Confesso que tentamos muito. Não queríamos estrear em um novo espaço reclamando como velhos ranzinzas. A ideia era mesmo explicar como nós fazemos para apoiar o Mais Querido, esclarecer o que nos move, o que nos impede de esmorecermos, como fazemos para reduzir os custos, ou simplesmente apresentar aos nossos novos leitores (alguns já até nos acompanham) os níveis assoladores de demência que nos impulsiona. O problema é que o campeonato já começou, e com ele vem toda aquela história de viaja pra lá, viaja pra cá, dorme no aeroporto, vai direto para o trabalho, ouve reclamação da namorada, da filha, etc, etc, isso tudo que tanto nos consome ano após ano. E o nosso “trabalho” já começou com estádio novo e um bicho-papão que quer aniquilar o torcedor de arquibancada e a festa que ele proporciona, chamado EVENTO-FIFA.

Para essa primeira das 38 finais do Brasileirão 2013, o FlaMochila quase todo chegou no próprio dia da partida, muito por culpa das parcas atrações da nossa pálida capital federal. Eu disse quase, porque eu, Julio Veloso, fui inventar de dar uma colher de chá para minha querida namorada, passando o fim de semana todo com ela por lá e realizei a estúpida proeza de perder o jogo 5 da semifinal do NBB. Como recompensa, ela me estressou quase a viagem toda. Justíssimo.

200912042203519403_gJá que me identifiquei, não custa me apresentar e a todos os outros. Eu, Julio Veloso, sou o idealizador da ideia que move o FlaMochila e nos carrega sem outras alternativas para onde o Flamengo estiver jogando, que é o que faz nossa vida fazer sentido. Sou só idealizador, porque o FlaMochila, como entidade legitimamente anárquica, não tem presidente, diretor, fundador, nem porra nenhuma nesse sentido. Só tem TORCEDOR. E somos todos igualmente fodas. O mais “famoso” de nós talvez seja o Mércio Querido, vulgo Sorín, que produz textos que causam uma inveja cancerígena. Além dele, temos o Zé Paulo (José Paulo Assis), o Paulinho (Paulo Roberto Faria), o Sorinzinho (Marcos Felippe) e a Carina (Carina Cota). Além deles, vários outros vão se agregando ao longo da jornada infinita. Ah, os nomes em parênteses são nossos perfis no Facebook, para quem for idiota o suficiente para perder tempo com a gente.

foto 2Mas, indo ao ponto que interessa, tive a oportunidade de dar uma passada no Estádio Mané Garrincha (Estádio Nacional é a PQP) na véspera do jogo. E o que vi me preocupou. Não havia nada que pudesse orientar o torcedor a respeito dos pontos de acesso aos seus assentos. Além disso, apesar de inúmeros portões disponíveis, algum retardado mental teve a genial ideia de cercar o estádio todo com uma grade, e liberar a entrada por quatro ou cinco pontos. Já vi merda logo ali.

O dia seguinte veio confirmar tudo o que pensei.

mane5Descobri que o tal Evento FIFA é bom mesmo: depois de enfrentar uma fila tão interminável quanto óbvia, detectores de metais estilo aeroporto, uma entrada do setor 417 que se dá pelo portão 12 (preferencialmente), de descobrir que a FIFA acredita se você diz que é estudante (porque ninguém pede comprovante) e ver alguns pobres convidados santistas na festa rubro negra, chegamos ao nosso lugar marcado. 51 minutos, 41 segundos e 99 centésimos depois. Isso tudo chegando ao estádio duas horas antes do jogo (quem chegou mais tarde não teve a mesma “sorte”). Além disso, descobrimos que, para a FIFA, o número 18 não existe (os assentos 18 não existem, melhor dizendo). Percebemos que nós, brasileiros, é que somos burros por acharmos que o portão 17 deveria dar acesso ao setor 17, que o pessoal do “posso ajudar?” realmente pode ajudar, que dividir as torcidas rivais é a forma mais segura de garantir a paz e que depois do número 17 vem o 18. Ah, e que quem reservou assentos no último degrau merece ver o telão (pois a cobertura impede a visão nas últimas fileiras). E por achar que é preciso projetar espaço para o torcedor chegar ao seu assento sem passar por cima dos outros, nem pisar nos assentos livres.

Também descobrimos que, em um Evento FIFA, o estádio pode estar cheio de remendos que a Rede Globo não divulga. Que os banheiros podem estar sujos e empoeirados. Que as luzes das arquibancadas não precisam ser acesas quando escurece. E que é proibido se alimentar, já que um saco de batatas custava impressionantes 10 reais.

foto 1O mais engraçado de tudo foi perceber que boa parte da má vontade que tivemos com o novo estádio deveu-se à tia FIFA. Porque, a rigor, o estádio é confortável, tem acústica espetacular, tem dezenas de portões (que funcionarão muito bem sem as grades). E, se ele tem problemas com a numeração dos assentos, ninguém vai se importar porque no futebol que somos apaixonados por assistir, nós podemos sentar onde bem entendermos. E o torcedor rival, ao invés de nos incomodar e ser reciprocamente incomodado a duas cadeiras de distância, estará seguramente instalado no outro extremo da arquibancada, se esforçando para, assim como nós, empurrar seu time do coração para a vitória. O futebol que eu cresci assistindo é assim. Não tirem isso de nós, ok?

13146588Mas nem dá tempo de se lamentar muito não. Porque, na quarta-feira, já estaremos nós na estrada de novo, dessa vez para um jogo “em casa”, lá na mais carioca das cidades mineiras, Juiz de Fora, onde há um estádio e uma Nação inteira esperando o Maior do Mundo chegar. E sem a FIFA. Flamém.

Sendo assim, os textos enchedores de linguiça vão ficar para a Copa das Confederações. Combinado?

Antes que eu me esqueça, siga-nos no Twitter (@Flamochila) e curta nossa página no Facebook (FlaMochila).

Para terminar, só um desabafo: EI, FIFA, VAI TOMAR NO CU!!!!!!

One Comment

  1. Alexandre Dêrauê

    3 de junho de 2013 at 16:32

    Sou Bonsucesso, mas engrosso o coro: EI, FIFA: VAI TOMAR NO CU!
    Boa sorte no campeonato, parece que vai ser necessário.
    Saudações rubro-anis!

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