O VOVÔ JUNIOR

a_junior8485Uma coisa que eu aprendi nessa minha já longa e infinita carreira de torcedor do Flamengo é que nunca devemos duvidar da sua capacidade. Capacidade de crescer em decisões, capacidade de gerar reviravoltas em campeonatos, capacidade de formar ídolos. E o maior ídolo da história do Flamengo (considerando, claro, que Zico já não pode ser chamado de ídolo e sim de Deus Rubro Negro) é indubitavelmente o Maestro Junior.

Leovegildo Lins da Gama Junior deixou o Flamengo em 1984 para brilhar na Itália. Em 1989, quando o Flamengo chorava a aposentadoria de Zico, Junior voltou à Gávea para suprir com maestria o papel de líder. A volta do craque tem muito a ver com o pedido do seu filho em vê-lo jogar com o manto rubro negro. Todo dia, nós devemos incluir o filho do Junior em nossas orações.

Foto Flamengo 1990 Bobô, Renato Gaucho, Zinho e CIADepois das conquistas da Copa do Brasil de 1990 e do Estadual de 1991, o Campeonato Brasileiro de 1992 era uma das últimas chances de Junior dar de presente para a Nação mais um Brasileirão. Afinal, o Capacete já tinha 38 anos de experiência e talento. O Pentacampeonato era muito importante, pois dava direito a quem o conquistasse de ter em definitivo a famosa Taça das Bolinhas.

98a7q7k9okpyv3ho4m252x720O campeonato começou ruim para o Mengão. Parecia que não chegaríamos a lugar algum, como em outros anos. Mas é aí que crescemos, na descrença dos oponentes e da mídia, na desconfiança da maioria. E nós tínhamos Junior. Um ex-lateral que passou a desfilar seu talento na meiuca, ganhando o apelido de Maestro. O Flamengo se classificou na bacia das almas entre os oito que disputariam a segunda fase do campeonato. E só conseguiu ir para a final por conta da vitória do nosso maior rival frente ao São Paulo. Mas nada estava ganho, pois ainda enfrentaríamos o time da moda, o Botafogo, de Renato Gaúcho e Valdeir.

junior-dribla-renato-gauchoFavorito? O Botafogo, claro. Porém, do outro lado, tínhamos o Flamengo. E o Maestro. Primeiro jogo da final, Maracanã lotado. O Mengão foi avassalador. O jogo começa e o massacre dura apenas 45 minutos. Junior, Nélio e Gaúcho marcam os gols que garantem uma enorme vantagem para o segundo jogo da decisão.

Uma semana depois, o favoritismo muda completamente de lado. Como o Botafogo será capaz de tirar uma diferença de três gols? Muito difícil, mas o time alvinegro era forte, gerando aquela sensação de que ainda não poderíamos soltar o grito de Pentacampeão.

Antes da partida, um terrível acidente foi o ponto negativo da tarde. Vários torcedores rubro negros caíram da arquibancada. Três torcedores morreram e muitos outros se machucaram gravemente. A única forma de acalentar os corações rubro negros, abalados pela tragédia vivida, era a conquista do título. O jogo é difícil e o Botafogo pressiona, tentando marcar um gol que poderia reacender a esperança em seu torcedor.

maestroMas nós temos Junior. Aos 42 minutos do primeiro tempo, falta para o Mengão. Quem vai cobrar é o nosso maestro, o nosso vovô. Ele se prepara, e todo o Maracanã fica em silêncio, parecendo prever a explosão de alegria que se seguiria. Cobrança perfeita, gol da concretização, gol da conquista.

Junior não consegue conter a alegria. Como uma criança, ele corre em direção a torcida, girando os braços como se tivesse marcado o maior gol da sua vida. Ele corre, gira os braços e pula. Nenhum companheiro consegue abraçá-lo, pois o vovô Junior não tem mais 38 anos. Ele é um menino que não cabe em si de felicidade, assim como cada torcedor rubro negro naquele momento.

capacete pentaO que acontece depois é detalhe. O jogo termina empatado, mas o Flamengo foi campeão naquele gol, naquela cobrança de falta. Depois desse dia, Junior ratificou ser ícone de disciplina, humildade, dedicação e talento. E o Flamengo se fez ainda maior por ter sido a verdadeira casa do nosso eterno maestro.

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