O MARACANÃ RENASCEU

mfeldmanO Maracanã renasceu! E com ele toda uma Nação de olho na bola, mas também em tudo que se passa ao redor. É pouco producente a patrulha de quem não percebe a importância do futebol na vida do brasileiro, na construção da sua auto estima e agora, na possibilidade de utilizá-lo também como ferramenta de expressão dos sentimentos e desejos do povo. Já passou o tempo em que a ideia de aproveitamento político da “pátria de chuteiras” era capaz de nos tirar o foco, a rua demonstra isso.

Torcida-protesto-maracana-seguranca-final-20130630-08-size-598E sim! Quem foi ao Maracanã, como eu, também protestou à sua maneira. Foram estes brasileiros o motivo para que fossemos poupados de discursos eleitoreiros, que fizeram com que os farsantes desta organização tivessem que se manter à margem da festa, envergonhados e amedrontados com as vaias guardadas para eles.

Brasil-campeao-copa-das-confederacoes-maracana-04-size-598A única aparição desta turma de salafrários não durou cinco segundos. A vaia que ecoou, apesar de curta, impediu a aparição dessa gente no restante da festa, até mesmo na entrega dos prêmios, onde o triunfo de quem suou a camisa é utilizado para a promoção pessoal de quem nada interessa. Foi uma derrota definitiva dessa gente.

1044141_685690781445987_1731211453_nUma vitória do Brasil, de quem se indigna com os desmandos e falta de rumo do país, dos que percebem ou não que o futebol faz parte da alma nacional. Aprendemos neste dia 30 de junho de 2013, que a festa do futebol e a expressão da indignação de uma nação podem sim ser compatíveis.

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Vimos isso, no protesto solitário dos voluntários da festa de abertura, vimos no canto forte e emocionante do Hino Nacional Brasileiro, no grito uníssono de Brasil, vimos na vaias permanentes para o adversário que ficaram com parte daquelas guardas para nossa Governanta e companhia.

O que assisti naquele jogo certamente não era motivado apenas pelo futebol. A Espanha deu azar. Encontrou um Brasil que quer bater no peito e ser melhor não só dentro de campo mas também fora dele. Os gritos e as vaias ouvidas dentro do renascido Maracanã eram daqueles que tinham preso na garganta a ideia de que já não sabíamos jogar futebol, mas eram também daqueles engasgados pela corrupção, pelo desmando, pelo roubo constante de nosso futuro. Eram gritos pela prisão dos mensaleiros, pela redução dos gastos públicos, pela qualidade dos serviços essenciais, pelo planejamento, pelo rumo da nação com ou sem chuteiras.

30jun2013---torcida-faz-festa-na-arquibancada-do-maracana-durante-a-vitoria-brasileira-sobre-a-espanha-na-final-da-copa-das-confederacoes-1372638344972_615x300Que fique claro, não é só na rua que podemos expressar o desejo por um país melhor. É em todo momento de nossas vidas, em todos os nossos atos. Imaginar diferente é uma visão individualista, segregadora e pequena.

Graças a nós brasileiros, presentes ou não no Maracanã, essa gente que se aproveita do país não teve seu momento de júbilo pessoal. Nós sim, em êxtase total, pudemos unir alegria e revolta, uns dentro outros fora do estádio, mas todos desejando um país melhor nos seus múltiplos e complexos sentidos e modos de ser uma nação.

foto01_mosaicoPor isso, sempre acreditando que é possível ser parte de algo maior, seja para o meu país ou o para meu clube de coração, eu canto em alto e bom som: “Domingo, eu vou ao Maracanã!”

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