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    TRÊS VERDADES ABSOLUTAS

    Por em julho 28, 2013

    Ingresso-Flamengo-Botafogo-Foto-Divulgacao_LANIMA20130726_0150_1Nessa semana, a corrida por ingressos para o jogo de hoje, contra o Botafogo, tomou conta das páginas rubro negras dos jornais e das redes sociais. Tudo pelo valor do ingresso. Muitos acham absurda a elitização dos freqüentadores do Maraca, alegando que o Flamengo é do povo e que ingresso caro não combina com a Nação Rubro Negra. Entendo perfeitamente quem reclama, sei que a grande maioria é contra o aumento nos ingressos, mas não irei me furtar de emitir minha opinião só porque ela é contrária a essa grande maioria. Sou muito bem pago pelo Falando de Flamengo para escrever o que realmente penso, doa a quem doer. O texto está um pouquinho longo, mas acho que vale a pena ler até o fim.

    A questão dos ingressos deve ser analisada cuidadosamente, tendo três pilares básicos que devem sustentar quaisquer tipos de discussão. São eles:

    1. O futebol é um produto e a lei de oferta e procura deve regular essa relação comercial.
    2. O futebol é paixão.
    3. O Flamengo está endividado.

    O primeiro pilar é uma verdade que os torcedores, ofuscados muitas vezes pelo segundo pilar, não querem ou não conseguem enxergar. Há muito tempo que o produto futebol é responsável por um enorme número de empregos, renda e riqueza. E, assim como a vida, temos representantes de várias camadas sociais e de renda que “atuam” nesse cenário.

    afuteA história mostra que em matéria de riqueza e poder, de uma maneira simplória, dirigentes e empresários estão reunidos na ponta da pirâmide e torcedores formam a base dessa mesma pirâmide. A diferença é que agora, no intuito de maximizar a lucratividade do produto futebol, pegamos essa base e a subdividimos em uma nova pirâmide. Assim, os torcedores com mais poder de compra são segmentados dos que possuem médio poder de compra, que por sua vez se segmentam dos que possuem uma renda mais baixa.

    É fácil aplicar essa fórmula aos ingressos. O jogo de maior apelo será mais caro. Na última quarta-feira, a renda do jogo entre Atlético Mineiro e Olímpia chegou a 14 milhões de reais. Como foram comercializados 51 mil ingressos, o ticket médio ficou em aproximadamente 275 reais. Era a final da Copa Libertadores para um público sedento por um título de expressão, ou seja, havia demanda garantida. Com a demanda maior, o preço sobe. Com os preços altos, somente uma parcela de torcedores consegue comprar ingresso. É a tal ponta da nova pirâmide. Essa ponta é capaz de lotar estádios em finais e grandes estréias, mas não é capaz de lotar os estádios em todos os jogos. Por isso o jogo do Flamengo contra o Asa de Arapiraca, por exemplo, teve ingressos mais baratos e mesmo assim teve um público pequeno.

    flamengo-socio-torcedoA pergunta que fica é: Como que o torcedor que está acostumado a ir a todos os jogos (e esse torcedor está em todas as classes sociais) conseguirá manter tal rotina. A resposta para essa pergunta passa exclusivamente pelo Programa de Sócio-Torcedor. No jogo de hoje, quem é sócio-torcedor conseguiu comprar ingressos a 50,00 reais. Se pararmos para pensar, esse preço ainda é caro para quem quer ir a toda partida do Mengão. Mas nem toda partida tem esse valor mínimo. Tivemos jogos, e não foram poucos, em que o sócio-torcedor pode ir de graça ao jogo. Aqueles de menor apelo. A verdade é que, atualmente, o torcedor que é figurinha carimbada na arquibancada não pode deixar de se associar ao Nação Rubro-Negra. Não tem outra saída.

    O segundo pilar é o que mexe com a emoção, com o coração, o que cativa o torcedor. Mas nem por tudo isso deixa de ser uma verdade absoluta. Por ser o futebol apaixonante, a linha entre o erro e o acerto é muito tênue.  E apesar de muitos acharem que não, a paixão tem limites.

    Torcida-Flamengo-Estadio-Garrincha-Imagem_LANIMA20130705_0141_30A idéia de que, se o valor do ingresso for barato, todo jogo irá lotar é absurda. Como eu falei anteriormente, teve jogo com ingresso gratuito que não deu nem seis mil pessoas. É a paixão cegando o torcedor. Devemos pensar sim em formatações para atender todas as classes sociais que demandam jogos, mas essas formatações não podem passar pela redução de valor do ingresso nos jogos com apelo. Até porque tem um terceiro pilar que incomoda muito nossos combalidos cofres.

    Acredito que a melhor solução para a questão passe por uma criteriosa e custosa pesquisa junto a torcida, onde possamos enxergar o real potencial de cada classe de torcedores. A partir daí, podemos trazer a tal nova pirâmide para consumir o Flamengo de maneira mais consciente. Que tal pacotes de ingresso, misturando o jogo de maior procura com o de menor procura? Que tal carnês de ingresso com descontos? Quem sabe aprimorar o sócio-torcedor para que o mesmo seja visto como benefício e não como dízimo?

    Tudo isso demanda qualidade profissional e tempo, pois formatar tais produtos e promoções exige um calendário de jogos com locais e datas pré-definidas, exige a tal pesquisa com a torcida, exige profissionais gabaritados. Exige mais que isso: Exige uma condição financeira que permita se ter um pouco de paz para focar o trabalho no que realmente fará o Flamengo mais forte e mais próximo do que sonhamos.

    O futebol ainda é e sempre será paixão. A paixão não pode e não irá morrer jamais. Mas assim como na vida, quando deixamos apenas a paixão guiar o nosso destino, estamos fadados a colher prejuízos e dissabores.

    tumblr_mdwhhzDgwB1qis1zio1_400O terceiro pilar inevitavelmente nos remete àquela antiga frase do nosso ex-presidente Márcio Braga: “O dinheiro acabou.” E olha que quando ele falou isso a Patrícia ainda não tinha passado pelo clube. Dá para imaginar a real situação financeira do Mengão? Acho que a palavra caótica pode servir como resposta.

    Dessa forma, as bilheterias dos jogos passam a ser um excelente gerador de receita para o clube. Passam a ser fundamentais. Desde que bem administradas. Vibramos muito quando julgamos “ter vencido” a batalha contra o Fluminense pela melhor assinatura de contrato com o Maraca. Esperamos que esse contrato se reflita em lucratividade para o clube, obviamente. Para isso, precisamos dividir despesas com o consórcio e ainda gerar dividendos, através do consumo nos bares e restaurantes, na venda de produtos, e principalmente, na bilheteria. Como fechar essa conta apenas com ingressos populares? Não dá.

    A realidade é essa. Dói, mas como diz a amiga Marcellinha aqui no site, aceita que dói menos. Há sete meses estamos nos doando, aceitando um time mediano, para não dizer medíocre, comprando a idéia da diretoria. Ou seja, há sete meses vivemos como aquela faixa que a torcida leva nos jogos, que diz: “Tudo pelo Flamengo e nada do Flamengo”. Há sete meses ouvimos piadas rivais de que nosso maior craque é um tal de CND. A notícia é: Continuaremos assim por mais algum tempo. Talvez 5 meses, talvez um ano. Mas colheremos os frutos dessa entrega no futuro. Tenho certeza que sim.

    2 Comments

    1. Hugo Tota

      28 de julho de 2013 at 10:44

      Não aceito aquele que reclama do ingresso caro, mas na hora de comprar o dele se utiliza ilicitamente de uma carteira de estudante falsa para pagar mais barato, na história recente dos jogos do Fla são de públicos ridículos, mesmo com promoção de ingresso então não me venha com essa história que futebol é do povo.

    2. VARNEYJOSE

      28 de julho de 2013 at 13:26

      Perfeita a explicação que o artigo faz sobre o enfoque da modernidade trazida para dentro dos estádios, que resultou nessa política de preços atual, e que não tem volta…
      O ST é o caminho do torcedor que pretende ingressos mais baratos !!

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