NA WEB
    Google+

    VENTOS INCERTOS

    Por em setembro 11, 2013

    flamengo-estádio-da-gáveaHá dois meses, aqui no Falando de Flamengo, escrevi um artigo sobre a importância e a viabilidade de se reconstruir uma das casas do Flamengo, o Estádio José Bastos Padilha, mais conhecia como a Gávea (De volta pra casa: Yes we can!). Mês passado, depois de uma notícia veiculada pelo blog do jornalista Rodrigo Mattos do UOL, escrevi um segundo artigo que falava sobre a possibilidade de um acordo entre o grupo Odebrecht e o Flamengo. (Voltando a falar de estádio: Bons ventos sopram!) Nesta ocasião, a solução que emergia da negociação entre o Clube e o Consórcio do Maracanã encaminhava para uma parceria que resultava na reconstrução do estádio da Gávea, o que permitiria um uso complementar ao Maracanã. Tal possibilidade foi adjetivada por mim como: “Uma bola dentro da diretoria do clube!” E efetivamente é!

    Demonstra um entendimento perfeito do que é a nossa contemporaneidade, onde valores de sustentabilidade influenciam as decisões urbanas, administrativas e econômicas. Essa saída para o impasse que se tornou o novo modelo de concessão do Maracanã inventado pelo atual Governo, “consolida de forma inteligente a parceria histórica dos dois personagens maiores do futebol brasileiro.” Destaquei que a luta política seria fundamental e que o papel do projeto seria “crucial para superar todos os obstáculos.”

    Semana passada, vários sites divulgaram que a atual diretoria do Flamengo abraçou efetivamente a causa, e apresentou a possibilidade em recente reunião como Governador do Rio. Este é um passo importantíssimo para o Clube! Saber o que quer, colocar de lado a megalomania de projetos anteriores caminhando para porte bem menor do que antigos desejos, tudo isso é o início de um caminhar consistente em direção ao sonho.

    8977391413_ea54bb30a5_bMas os ventos são assim, incertos como a vida e, principalmente, como a política. O que foi divulgado também nos informa sobre a reação contrária do Governador que, inclusive, já vetara outro projeto anterior (e se o modelo for o de shopping center com campo em cima não discordo do veto).

    Sobre o veto e a resistência, normalmente, no papo de bar, se colocam duas questões: A primeira é que o veto seria uma forma de pressão para a utilização do Maracanã, da mesma forma que se colocam dúvidas sobre a recente interdição do Engenhão. Mas estas são apenas suposições de bar, nada pode ser confirmado em relação a isso. A segunda, e amplamente divulgada pela imprensa, indica a “resistência de moradores do Leblon a essa proposta.”

    Mas eu pergunto para você caro leitor: Qual é a proposta? Onde houve apresentação do projeto, discussão e participação pública?

    E aqui destaco mais uma vez a importância do projeto nesta luta! Entendo a situação de pressão da diretoria na negociação, mas a apresentação de uma ideia não consolidada, sem definições efetivas de desenho e ações urbanas deixam a guarda aberta permitindo avaliações pouco embasadas e caprichosas. E assim foi.

    De qualquer forma, o Flamengo não pode aceitar esta condição de veto instantâneo, sem análise, discussão e participação. Não pode desistir de um sonho tão importante no primeiro obstáculo mesmo que ele pareça instransponível, porque não é!

    gavea2O Mais Querido precisa trabalhar para consolidar um projeto e apresentá-lo, mas não pode ser qualquer solução. É preciso desenvolver uma proposta inteligente, adaptativa, que facilite a construção do consenso entre os atores envolvidos. Quem disse que era fácil?!

    O papel dos nossos Governantes deve ser o de receber a proposta, analisar, colaborar na promoção da discussão pública e ai sim, definir considerações a favor ou contra a iniciativa.

    O atual Governador tem duas características peculiares intrínsecas à sua natureza: a primeira é ser vascaíno e, a segunda, parece ser o fato de não ter inclinação para tomar decisões compartilhadas e construir consensos entre as partes, optando constantemente por decisões discricionárias, pautadas em interesses específicos e particulares.

    As Associação de Moradores por mais peso político que possuam, não podem ser o peso único e arbitrário na viabilização das intenções do Clube de reformar e ampliar um estádio já existente! O papel de todos os atores envolvidos deve ser direcionado para a construção de um consenso possível! É assim que as cidades se constroem na nossa contemporaneidade. Verdade que o Rio não tem visto muito disso, mas está mais do que na hora de transformarmos esta condição.

    Por isso, o Flamengo, mais uma vez, de forma pioneira, não deve fugir da luta (o Shopping Leblon não fugiu… e os medos da comunidade não se cumpriram), deve sim preparar um projeto consistente e apresentá-lo aos Governos e à comunidade para discussão e adaptação até que se chegue ao consenso entre as partes.

    8456400839_51c4421b26_hSe 40 mil é muito, talvez possam ser 20 mil; se 10 andares de altura desqualifica a rua, talvez possam ser 5; se falta espaço público, o projeto pode melhorar as condições da área, que cá entre nós não é das melhores; talvez o projeto possa dar vida a uma rua que se caracteriza pelo vazio e pela insegurança de quem por lá caminha. Vejam só, o projeto pode ser uma ferramenta de requalificação e valorização do local!

    Acreditem, tudo isso, dependerá do projeto, e este só pode ser concretizado com participação de todos os atores envolvidos.

    O papel do Sr. Governador não deve ser o de vetar ou não de forma discricionária, por interesses específicos ou, talvez, clubísticos. Espera-se ver o desempenho de estadista que modera os desejos dos atores envolvidos e busca viabilizar as ações através da formação de consensos. Se não for assim, não é democrático. E não sendo, talvez, democraticamente, seja melhor cada Rubro Negro, antes de votar, saber qual o clube de seu candidato…

    Foi na calmaria dos ventos que se descobriu o Brasil…

    13 Comments

    1. Daniel Meirelles

      11 de setembro de 2013 at 11:39

      Perfeitas as suas colocações André. Você poderia passar isso para o clube. Já enviou isso pra eles? Concordo com você! Temos que ter nossa casa. E não podemos nos abater ao encontrar o primeiro obstáculo.

      • andrepinarq

        11 de setembro de 2013 at 12:02

        Caro Daniel, obrigado pelo comentário! Te informo que o conjunto dos três textos foram entregues ontem, em mãos, por mim, para um dos VPs. Espero que possa contribuir…
        SRN

    2. VARNEYJOSE

      11 de setembro de 2013 at 11:44

      SALVE ANDRÉ !! meu comentário é mais uma vez no sentido de marcar posição contrária a que o CRF invista na construção de um estádio antes de exaurir por completo as negociações de uso viável do NEWMARACA; que diga-se foi reformado para servir como fator de desenvolvimento do esporte no RJ, oferecendo maior conforto ao público, e não para criar um agente controlador das receitas arrecadadas…
      Essa é a pauta da discussão que deve ser levada ao Estado visando diminuir os custos de ocupação, e deve ser estendida a Federação que cobra exorbitantes 10% de taxa (qdo deveria ter uma taxa fixa); e a política de gratuidades que deve ser revista ou simples/ extinta…
      Essas negociações poderiam elevar em até 25% a receita líquida dos clubes, o que viabilizaria o uso de um estádio novo, confortável e PRONTO ! reformado com dinheiro público…onde torcedores/eleitores aguardam poder usufruir a preços acessíveis, toda modernidade que ali foi implantada.
      Enfim acredito que a diretoria do FLAMENGO,( todos demais clubes do RJ), deva direcionar todos esforços no sentido de “ocupar” o NEWMARACA, e reforçar a autenticidade do bordão que diz “ÉHHNOOSSSOO!!!”

      Sdçs RN

      • andrepinarq

        11 de setembro de 2013 at 12:10

        Varney, bom poder debater contigo novamente!
        Concordo contigo, a possibilidade de garantir uma negociação viável para o Maracanã deve ser levada às últimas conseqüências.
        Mas isso não impede que o clube inicie um processo que viabilize a construção de uma casa complementar ao Maracanã…
        Simplesmente porque, qualquer que seja a negociação, um estádio para mais de 70 mil pessoas nunca será rentável recebendo 20/25 mil que é um número médio bastante real para pelo menos 50% dos jogos do time em casa no ano…
        E certamente não é justo nem democrático que por decisões discricionárias, o clube fique de mãos atadas quando pretende potencializar o seu patrimônio.
        Abraço grande! SRN

    3. Luisangelo

      11 de setembro de 2013 at 14:49

      Vou postar o mesmo comentário que fiz na LPRNE:

      Ignorância mata e eu sou muito novo, ainda quero ver mais 3 títulos mundiais. Então por favor, alguém me explica porque iríamos nos contentar com um estádio de 20 mil lugares? O Maracanã afasta o torcedor tradicional, tudo bem. Mas só sobraram 20 mil torcedores tradicionais? Ou vamos virar time de alçapão, que nem o Bangu, Olaria, Vasco e Atlético-MG? Como diz um desses biliardários aí, sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno.

      P.S. Pra quem ainda não percebeu, o governo Sergio Cabral já acabou.

      • andrepinarq

        11 de setembro de 2013 at 16:18

        Luisangelo, te aconselho ler os outros dois textos, inclusive os comentários.
        Sem dúvida… o esforço de sonhar independe do tamanho do sonho!
        Já o esforço de realizar e manter…
        Sobre a questão da idade eu gosto muito de uma frase do Nelson Rodrigues:
        “A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.”
        SRN.

        P.S. “O Jogo só acaba quando termina…” Vicente Matheus

        • Luisangelo

          12 de setembro de 2013 at 08:39

          André, não vamos nos contentar com menos do que merecemos. Temos que ter o nosso estádio, e com 80 mil pessoas no mínimo. É difícil? Sem dúvida. Mas é a briga boa de se brigar.
          Sempre às ordens,
          Luisangelo

        • andrepinarq

          12 de setembro de 2013 at 09:14

          Luisangelo, eu entendo teu desejo de expressar a grandiosidade do nosso clube de coração no tamanho de uma casa própria.
          Mas te afirmo, com toda a certeza:
          O Flamengo não pode abrir mão do Maracanã, o Rio não pode abrir mão do Maracanã, o Brasil não pode abrir mão do Maracanã!
          A cidade não comporta outro estádio de grande porte.
          Já temos dois, e perceba, eles são nossos!
          Pagos com o nosso dinheiro!
          Não faz sentido desprezar este esforço coletivo!
          Por isso defendo:
          para os momentos onde o CRF pode demonstrar toda a sua grandiosidade através do número da sua torcida, o Maracanã tem que estar disponível para isso!
          Não obstante, uma casa menor viabiliza aqueles momentos, digamos, menos representativos…
          Um estádio de 80 mil ou 75 mil como o Maracanã tem custos de construção e manutenção absurdos, veja toda a polêmica a volta do maior do mundo. Além destes custos objetivos com o estádio, tem uma série de outros custos para a cidade que talvez sejam exponencialmente maiores… acessibilidades, urbanização, transporte, impactos ambientais… uma lista delas…
          Respeito tua opinião mas considero essa possibilidade como uma luta de boxe, onde o o lutador ganha a luta hoje às custas de um sacrifício imenso e ainda sofrerá as conseqüências dela bem mais a frente.
          SRN

    4. Guará Matos

      11 de setembro de 2013 at 15:59

      Pensar em estádio de 20 mil lugares é o mesmo que resumir a nação Rubro Negra ao nível menor da inferioridade. Sou Flamengo e me acostumei a pensar grande.

      Outra coisa é que a a nossa torcida se acomodou na mesmice e ao poder! bate palma pra qualquer maluco e aceita qualquer invenção! Os internautas (têm exceções) publicam opiniões pífias e sem a menor precisão, colocando esses caras que dirigem o clube em nível de importância acima do Mais Querido. Infelizmente estamos nos acomodando com as derrotas e aceitando qualquer coisa ruim que vier, desde que não se critique essa diretoria horrorosa!

      Estamos submergindo, infelizmente.

      • andrepinarq

        11 de setembro de 2013 at 16:19

        Guará Matos, também te aconselho a ler os outros dois textos, inclusive os comentários.
        Quanto a tua capacidade de avaliação e julgamento da opinião alheia, não tenho comentários, certamente você é muito mais preparado no assunto.
        SRN.

        • Guará Matos

          11 de setembro de 2013 at 16:30

          Agradeço por “me colocar em enorme patamar”, entretanto, não me dirigi a você ou sua opinião, apenas expressei a minha. E você há de concordar mais uma vez, que a liberdade de expressão nos dá esse direito, principalmente numa postagem pública.

          Lhe sou grato.

        • andrepinarq

          11 de setembro de 2013 at 17:08

          Guará, o FDF é público e livre com certeza, e o leitor está sempre no “mais alto patamar”…
          Sabe, faço sempre questão de responder a todos os comentários com o intuito de manter o diálogo aberto, sempre expressando meu ponto de vista e respeitando aqueles que são diferentes.
          Como você resolveu se expressar mais amplamente no comentário de um texto específico, você deve concordar que é possível entender seu desabafo como uma tentativa de desqualificar e julgar o ponto de vista apresentado no texto.
          Você também vai concordar que não seria muito legal, pelo menos é a forma como eu procuro debater com os leitores.
          Bom, esclarecido que você não se dirigiu a mim nem a minha opinião, o mal entendido que impediu que eu pudesse dar uma resposta que contribuísse para o debate, fica contornado.
          Ainda assim, aconselho novamente a leitura dos outros textos sobre o tema e também o outros textos do FDF.
          SRN.

    5. Guará Matos

      11 de setembro de 2013 at 17:12

      Não desqualifico nada que leio, posso discordar. Respeito a escrita de todos, pois quero que a minha seja respeitada.

      A questão que me incomoda é essa tendência a “gado” que amassa tem! Isso é desesperador e desesperançoso.

      Esclarecido.

    Leave a Reply

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.