NA WEB
    Google+

    UMA DECISÃO DIFERENTE

    Por em outubro 27, 2013

    20131023225711_854Como descrever o que se passou na última quarta-feira à noite no Maracanã? Certamente faltarão palavras para traduzir os momentos mágicos que aconteceram no estádio, no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Mas eu vou tentar contar tudo que eu pude ver e sentir. Até porque tive uma experiência muito diferente do que estou acostumado.

    Começo dizendo que não estava no Maracanã. Mesmo com ingresso comprado e com tudo certo para ir ao jogo, minha filha Bebel ficou doente e tive que leva-la ao médico. Por precaução, fiquei em casa para qualquer emergência com a pequena. Conforme o tempo foi passando e o horário do jogo se aproximando, comecei a receber os telefonemas normais dos amigos, para marcar o encontro no Maraca. A cada um deles, ficava mais ansioso. E não foram poucos. Ao final de cada ligação, repetia um mantra: “Bom jogo e fique tranqüilo, nós iremos nos classificar.”

    Ver o pré-jogo na TV fechada é, no mínimo, engraçado. Existe uma preocupação muito grande em valorizar o clássico e tentar igualar as forças dos dois clubes. Frases como “as duas torcidas cantam muito alto”, “a torcida do Fla canta e a do Botafogo responde” e “o Maracanã está lotado e as torcidas fazem uma linda festa” são repetidas a todo momento. Filmam a Nação Rubro-Negra por todo anel e tentam dar um zoom de pelo menos umas 10 vezes na torcida alvinegra, focalizando onde está menos vazio. Na TV aberta não é muito diferente. Teve um momento que o volume do canto da torcida do Botafogo estava tão alto que quando o Luiz Roberto voltou a narrar ele parecia estar gritando. Até entendo a tentativa de deixar as coisas mais iguais, mas tem horas que fica feio. Os botafoguenses não compareceram. Botafoguearam. Ponto final. Vamos ao jogo.

    20131023234100_417

    Ver o jogo em casa, sabendo que deveria estar no estádio, é simplesmente desesperador. Mas o Flamengo se encarregou de me tranqüilizar. Como a minha filha tinha conseguido pegar no sono, nada mais justo que poupa-la dos meus berros. Dessa forma, prometi que me controlaria. Sai o primeiro gol do Brocador e pulo do sofá, mas sem fazer um único barulho. Segundo gol, mais um pulo no maior silêncio. Terceiro gol e não sentei mais. Vibrava, pulava, levantava as mãos para o céu, agradecendo um jogo de sonho, quando tinha tudo para ser dramático, visto o histórico dos confrontos recentes entre os dois times. O quarto gol, que transformou as quartas-de-final em chocolate, serviu para me deixar em êxtase. Mas tudo em silêncio. Não a toa, quando olho para a varanda, estão os vizinhos rindo das minhas comemorações. Beleza, estou de boa, sou rubro-negro!

    Para finalizar, como se dorme depois do que aconteceu? Fiquei que nem um zumbi pela casa, vi o Pato atrasar um pênalti pro Dida e fiquei ouvindo tudo que era entrevista dos jogadores e técnico do Mengão. Fui deitar muito feliz, mas não consegui pregar o olho. O Flamengo foi um encanto, foi o time que desejamos em todos os jogos. A experiência valeu. Consegui me controlar, o Flamengo passeou e minha filha ficou bem. Mas quando o Mais Querido joga, a minha casa é o Maraca e minha segunda família são os milhares de rubro-negros bem vestidos que se abraçam e vibram, em uma sinergia que não tem igual. É onde eu quero estar.

    0 Comments

    1. Emerson Franca

      27 de outubro de 2013 at 11:11

      Foi realmente um jogo sensacional, inesquecível!
      Sua narrativa me fez sentir como se o jogo estivesse rolando de novo!
      Saudações Rubro Negras!

    Leave a Reply

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.