DIA DE OPRIMIR


torcedores-do-flamengo-comemoram-gol-do-flamengo-em-partida-contra-o-goias-pela-copa-do-brasil-1385396791379_1920x1080Essa vem de um dos entrevistados no brilhante documentário “Fla-Flu, 40 minutos antes do nada”, recentemente exibido no Festival do Rio de Cinema e ainda em exibição em poucas salas e sessões.

Em certo momento um dos torcedores rubro-negros resume de forma sublime, eficaz e certeira uma das muitas essências da Arte de Ser Flamengo.

Explica ele que todo torcedor de futebol cria para si uma verdade absoluta e irrevogável, a imagem que tem do seu time. O Fluminense, diz o feliz antropólogo de ocasião, foca naquilo da elite, da fidalguia, da beleza da sua torcida.

E aí vem o achado. Não boto aspas porque não sei literalmente o dito e tenho medo de fazer alguma burrada, mas o próximo parágrafo resume, “na voz” do rapaz, a essência do raciocínio.

A torcida do Flamengo é uma maioria opressora, e nisso ela encontra a sua razão de ser e o seu prazer. A imagem que faz de si e da instituição. Se tivéssemos que resumir em uma palavra a essência do ser Flamengo, essa palavra seria “GRANDE”. Consideramos-nos GRANDES, IMENSOS (nesse ponto, os gestos do entrevistado abrindo os braços enquanto profere lentamente as palavras “grandes” e “imensos”, valem mais que 1981 palavras). Não importa que quantidade e a importância das conquistas de qualquer time do planeta. NUNCA NENHUM vai chegar nem perto de alcançar nossa grandeza.

E é assim não é mesmo? Não dá até uma certa pena dos torcedores dos outros times nas suas tentativas patéticas de remar contra a maré preta e vermelha? Por vezes não dá pena até de nós mesmos por não termos como explicar para os desafetos toda a imensidão e poder envolvidos na frase “Eu sou Flamengo”?

Pois bem. Hoje à noite, mesmo que estejam meio quietinhos por conta da ligeira vantagem que conseguimos no jogo da ida, nossos desafetos estarão ligadinhos e esperançosos em um fracasso do Manto.

Hora de oprimir em grande escala.

No estádio a pequena parcela da Nação, aos berros, cuidará de deixar em frangalhos o time do Atlético e os felizardos torcedores deles que poderão presenciar mais uma bela festa da Maior Torcida do Mundo.

Espalhados por todo país, pelo mundo, a missão de todos os demais é dar para a arcoirisada uma noite de recalque extremamente mal dormida, embalada pelos nossos gritos, fogos, batucadas, gargalhadas, buzinas, rádios e TVs em volumes enlouquecidamente exagerados.

Cruel? Sim.

Mas nossa imensidão ímpar não nos permite outra atitude.

Noite de festejar.

Noite de oprimir.


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