ZORAIDE, VÊ SE NÃO ME PENTELHA


ultraje-a-rigor-nós-vamos-invadir-sua-praia-lyrics-e2ecDesde que o duplo rebaixamento carioca foi consolidado que eu tenho a mania de lembrar de duas Zoraides. Uma, a da música homônima do Ultraje a Rigor, lado B do famoso disco “Nós vamos invadir sua praia”, lançado lá pelos idos de 1980 e lá vai fumaça – particularmente pela parte do refrão que reclama “Chega desse nhenhenhe nhenhenhenhem nhenhenhenhem na minha orelha/ Zoraide vê se não me pentelha”. A outra Zoraide é a do famoso trote em que Astro, um “alienígena”, liga para a casa de uma astróloga e “sensitiva” e a convence de sua condição extraterrestre. Zoraide, a sensitiva, não diz nhenhenhém, mas fala palavras desconexas como Kublaikan, kublaikan cancan, xegôô para “fazer amor” com Astro “via aparato”. A intenção é eles terem um filho para que Astro deixe o planeta.

Esta Zoraide é, claro, a torcida do Fluminense, que iludida por um alienígena salvador, desata a falar sandices, a apelar para um casuísmo de forma patética. Até mesmo o Vasco, quem diria, teve mais dignidade: exigiu pontos que, vá lá, ele poderia ter ganho. Bastava ganhar o jogo contra o Atlético Paranaense ou mesmo convencer a Justiça Desportiva (que está para a Justiça Comum na mesma proporção que a música militar está para a música) de que o jogo deveria ser anulado. O Vasco não quis subir na tabela à guisa de tirar pontos dos outros por motivos fúteis. E os tricolores repetem o que “Astro” manda: “tá no regulamento, ora, é a lei, vamos cumprir”. Sim, claro, vivemos em um país onde só se estoura champanhe para celebrar a lei. Então tá. Incrível o apego dos tricolores pela lei neste momento. Repetem, repetem, repetem, mas não falam o óbvio: por conta de um regulamento esdrúxulo, em vez de sobreviverem à custa de seu próprio futebol, vão sobreviver porque um time que já não queria mais nada no campeonato escalou um jogador aos 39 do segundo tempo com um jogo em 0 a 0. “É a lei, vamos cumprir, o Fluminense não tem culpa”.

osvaldosestario_advogado_futura_69Reconheço que nisto estão certos: o Fluminense não tem culpa. Mas nem mesmo uma conspiração mal-feita admite maluquices como a de um advogado como Sestário simplesmente não defender seu cliente (Portuguesa) para defender apenas a sim mesmo. ‘Eu avisei” é realmente inacreditável… e tal e qual a Zoraide do trote, isto é repetido. Ora, NO MÍNIMO alguém deveria reconhecer que esta história está pessimamente contada. Que um julgamento numa sexta-feira à noite é algo que sofre por falta de transparência. Que os regulamentos são loucos e que a falta de dolo é visível, que o delito é culposo em função de nada ser claro no regulamento.

É sério que é isto mesmo? É esta filigrana que serve de argumento? Não tem nada mais concreto? Um gol mal anulado, um pênalti não marcado, um pênalti contra e mal marcado? Procurem, é possível achar. Quem sabe? O Fluminense, pode sim, ter sido vítimas de más-arbitragens, dolosas, passíveis de investigação! Vamos lembrar que são estes mesmos torcedores fanáticos da Objetividade que procuraram, duas semanas antes, Conspiração no famoso “Faz outro logo” do Julio Baptista. Por que agora aceitam tão fácil um argumento tão sem conteúdo? Um resultado de 38 jogos decidido em uma participação de oito minutos de um jogador de um time mediano? Isto é o “gol” do Fluminense? Feito por um advogado distraído cuja mulher pede para tirar fotos com o Fred?

Agora, passemos para a outra Zoraide, a do Ultraje, que, curiosamente, tem o intuito de convencer todos a ignorar a primeira: sim, esqueçam todo o texto até aqui. Porque este é o verdadeiro nhenhenhém, junto com os temores completamente infundados de que o Flamengo fosse ser rebaixado. Não será. Acabou. Fim. O Vasco vai jogar a série B como até mesmo seus próprios torcedores defendem (nas redes sociais não vi um só cruzmaltino dizendo que deveriam ficar com os três pontos do Atlético Paranaense). O Flamengo perderá seus quatro pontos, a Lusa será rebaixada, e o Fluminense permanecerá na primeira divisão. Acabou.

Mas sinceramente? Já havia acabado antes. Sem querer julgar a diretoria do clube, ou sua comunicação ou seu jurídico, bastavam a eles ler o pequeno texto que João Simões Lopes Filho escreveu no Facebook. É um texto típico de quem acompanha futebol há décadas. De quem sabe que, mais do que regulamentos inventados de uma hora para outra e mal-esclarecidos para a população, mais vale mesmo é o Senso Comum, aquele que faz o torcedor bater a mão na testa e dizer “porra, não joga contra o…” quando seu zagueiro é expulso e gritar pênalti quando tem falta dentro da área.  E este senso comum é aquele em que, desde criança, entendemos que o jogador só cumpre suspensão na própria competição. Este é um aprendizado de quem já viveu fim de Estadual se embolando com início de Brasileiro, de quem já vive Copa do Brasil desde 1989.

RDI-CBF_LANIMA20130417_0001_47Não vi UMA LINHA sequer sobre a RDI Nº 05/2004 , que “dispõe sobre o impedimento automático decorrente da expulsão de campo e da aplicação de advertências representadas pela exibição do cartão  amarelo e dá outras providências”.

Diz a RDI: “A Diretoria da Confederação Brasileira de Futebol, no uso de suas  atribuições legais e estatutárias,

(…) CONSIDERANDO que tal norma determina que o jogador expulso de campo ficará Impedido de participar da partida subseqüente do mesmo campeonato ou torneio, observando-se o mesmo impedimento para o jogador que, durante a  competição, for advertido com exibição de cartão amarelo, por duas até cinco vezes, conforme dispuser o regulamento da competição;

III. Por partida subseqüente se entende a primeira que vier a ser realizada  após àquela em que se deu a expulsão ou a terceira advertência, e o impedimento não se transfere para outra competição ou torneio.

Agora que analisamos a lei, vamos ao Bom Senso de verdade, o de João Simões Lopes Filho:

“Expulsões na Copa do Brasil nunca renderam suspensões no Brasileiro. O Kleber foi expulso quando o Grêmio foi eliminado pelo Atletico PR, e em seguida enfrentou Cruzeiro, Vasco e Flamengo. O Sheik foi expulso contra o Grêmio na CB e jogou logo em seguida contra Santos, Vitória e Flu. Por que só o André Santos é que foi obrigado a ser suspenso em outro campeonato, algo inédito? Mais: Dória foi expulso quando o Botafogo foi eliminado pelo Fla, e em seguida jogou contra o Atlético. Sheik ainda continuou jogando até a 37ª rodada. Não teve nenhuma suspensão num intervalo de SETE partidas. Não houve julgamento dele neste intervalo? Para ele não vale a tal da “competição equivalente”???

 

Fica aqui, no FALANDO DE FLAMENGO, a dica para o Departamento Jurídico do Flamengo. Que seja usado também em suas políticas de Comunicação, com clareza, agressividade, republicanismo e transparência, sem hesitações ou “promessas de esclarecer no tribunal”. Flamengo, hoje, mais do que nunca, é República, tem uma gestão  à altura de seu tamanho, e não pode ser claudicante, hesitante nessas movimentações.

Se não, uma grande parte dos torcedores cai no nhenhenhém, e isso é coisa de quem precisa virar a mesa porque não fez dever de casa. O Mengão fez. Independente de uma parcela da torcida que está há dias fazendo cálculos e lendo códigos processuais para saber se o Flamengo vai cair. Não vai. Não cairá em 2013. E não cairá jamais.

E, se me dão licença, sugiro que a partir da data de 12 de dezembro o Rubro-Negro de Fé se recuse a voltar a falar neste assunto e passe a discutir O NOSSO GRUPO NA LIBERTADORES.  Este sim, é assunto relevante.

Saudações Rubro-Negras e um 2014 mais do que vitorioso.

Um comentário em “ZORAIDE, VÊ SE NÃO ME PENTELHA”

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