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UMA VITÓRIA, UMA ESPERANÇA

Por em janeiro 3, 2014

flasta9_1Não me recordo de nenhuma estreia em Copa São Paulo de Juniores mais promissora do que esta de hoje, em Bauru, contra o Santo André. Outras gerações, talvez até mais vistosas do que a atual, chegavam ao tradicional torneio de verão já afetadas pelo paternalismo que assolava nossas divisões de base, garotos marrentos ostentando cordões de ouro e mais interessados em dribles que ilustrassem seus vídeos promocionais do que em qualquer outra coisa. Tivemos boas gerações que naufragaram pela preguiça para o jogo coletivo, pela crença de que eram estrelas consagradas e não meninos em busca de afirmação.

O Flamengo que goleou o Santo André por 4×1 era um time com fome, alimentado pelo passe diagonal, pelo drible produtivo, pelo quem se desloca recebe e pelo quem pede tem preferência. Jajá, volante de passe exato, o melhor da tarde. Abriu o placar com uma folha seca de canhota e armou a Douglas Baggio deixando-o solto para o terceiro gol. Recife, volante que resguarda as subidas de Jajá, também foi bem e fez o seu, roubando a bola no pé de ferro e tocando de chapa contra a saída do goleiro.

A contagem já era de 3×1, Jajá, Recife e Baggio, como dito, contra uma falha de coletiva da defesa que assistiu Lucas Gomes infiltrar para chutar por baixo do goleiro Thiago, este também de ótima atuação, quando aconteceu o melhor momento do jogo. A tabela pelo meio entre Thiago Santos e Renan Donizete foi concluída por este com uma categoria tranquila, superior, rara nesta idade.

Escore construído, Caio Rangel foi para o jogo. Passo marrento, uma chuteira de cada cor, não viu o cheiro da bola. Que tenha sido apenas ansiedade e que as chuteiras de cores diferentes tenham uma explicação que não a marra que perturbou seus antecessores, como Mezenga, Adryan e Erick Flores.

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Os autores dos gols foram os melhores, não apenas por isto. Recife e Jajá jogaram de cabeça erguida, fecharam a contenção com algum atraso mas sempre saíram para o jogo com clareza e precisão. Renan Donizete joga fácil, uma posição antes da do pai, toque leve e dribles longos, abrindo espaços. Douglas Baggio é o que se vê desde as outras categorias, fintas de futsal e chutes secos, evidente vocação para o gol. Marquinhos, lateral-esquerdo, também se saiu muito bem.

São apenas garotos, é preciso lembrar, assim como não se pode esquecer que é mais importante revelar do que vencer. E posso estar errado, pode o time se perder como se perderam tantos outros, mas tudo o que esses meninos poderiam nos oferecer hoje seria um bom começo e alguma esperança. Eu digo: tarefa cumprida.

Flamengo 4×1 Santo André

03/01/2014 – Copa São Paulo de Futebol Júnior
Estádio Doutor Alfredo de Castilho (Bauru)
Árbitro: Tiago Scarascati
Flamengo: Thiago, Romário, Nicollas, Rafael Dumas (Lincon) e Marquinhos; Recife (Quiroga), Léo Henrique, Jajá e Renan Donizete (Caio Rangel); Douglas Baggio e Thiago Santos. Técnico: Cleber dos Santos
Santo André: Guilherme, Carlinhos,  Gustavo, Helinton e Paulo; Vinicius (Murilo Paccola), Ramon (Wellington), Dudu e Lucas Gomes; Rafael Guedes e André Luiz (Pedro). Técnico: Wilson Mantovani
Gols: Jajá aos 8 e Recife aos 45 do primeiro tempo; Lucas Gomes a 1, Douglas Baggio aos 8 e Renan Donizete aos 23 do segundo tempo.

FOTOS: Sérgio Pais

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