ENTREVISTA COM SÃO JUDAS TADEU


São-Judas-TadeuCheguei meio ressabiado na casa do cara, posto que povo religioso costuma não ser lá muito tolerante com ateu. Cismam de achar que a gente é sem fé, o que não é bem o caso. Na verdade ser ateu é o maior elogio e boa vontade que se pode ter para com um pressuposto Deus. Se ele existisse mesmo, não iria permitir que, justamente a espécie que escolheu para representá-lo e disseminar suas idéias, deixasse as coisas do jeito que estão no planeta eleito.

Enfim… Trabalho é trabalho e, convenhamos, bater papo com um cara que acha que é Santo é um programa 763 vezes melhor, ou mais, que o jogo contra o Audax no dia 19, do qual serei testemunha.

Sorin: Boa tarde… Quero dizer… Sua bênção, “Seu” Judas Tadeu.

São Judas: Boa tarde, infiel. O que mandas?

Bem… Crenças à parte, vamos direto ao ponto. O Senhor fica ou não para a temporada de 2014?

Bem… Essa resposta tem dois lados. Abandonar o barco eu não vou porque isso, como você bem deve saber, não é opção para quem é Flamengo, como bem diz o hino. Por outro lado, acho que a Chapa Azul não soube reconhecer o trabalho bonito que fiz em 2013. Não sei se vou correr atrás para fazer mais milagres outra vez.

Isso significa que o Senhor guarda alguma mágoa em relação aos Smurfs?

Mágoa não, porque isso não pega muito bem na minha profissão. Mas você olha pro ano passado, vê as coisas que eles fizeram e vê as coisas que eu fiz por el… Aliás, por eles não, as coisas que fiz pelo Flamengo. Aí no final das contas eles ficam se pavoneando e falando de planejamento. Planejamento? Então faz de novo tudo igual sem a minha participação pra ver só o que acontece. Sou bom, mas não sou Santo… Quer dizer… Sou né?

Qual o maior erro da diretoria no ano passado?

Posso parecer suspeito com o que vou dizer, mas faz o seguinte: Tem um monte de evangélico que torce pelo Flamengo, pode perguntar pra eles e vê se alguém aprovou a contratação do Irmão Jorginho com aquele currículo anêmico como treinador que ele tem. Juro que na época cheguei a pensar que era pra me provocar.

O título da Copa do Brasil foi coisa sua?

Diretamente, do jeito que as pessoas pensam que eu atuo, não. Não gosto de interferir muito. Não de forma direta e decisiva. Se eu fizesse isso ninguém ia ficar sabendo, mas Eu ia. Sou torcedor também. Se faço uma bola entrar no gol, por exemplo, o troço ia perder a graça, até mesmo a legitimidade. Ia ficar parecendo coisa daquele povo das Laranjeiras.

Então só pro leitor do Falando de Flamengo entender. Exemplo de uma coisa que decorreu de uma ação do Senhor na caminhada até o título.

Falando assim pode parecer besteira, mas faço só o que todo torcedor faz, que é dar pitaco. A diferença é que tenho como fazer o troço chegar direto em quem pode traduzir em ação.

O Senhor poderia ser mais específico, por favor?

No jogo contra o Cruzeiro lá em Minas, cheguei no pé do ouvido do Cadu e dei o conselho: “Escuta, filho. Você não tá resolvendo nada nessa meiúca faz tempo. Vai lá pra frente um pouco. Vai que…”. Aí o resto vocês sabem. Ele foi lá e acabou fazendo aquele gol meio atabalhoado que facilitou as coisas no jogo da volta.

Ah tá… Entendi. O gol do Elias no Maraca teve ajuda sua também?

(risos) Não. Definitivamente não. Juro [pode ter sido só impressão minha, mas nesse momento São Judas botou a mão direita para trás, quem sabe cruzando os dedos. Mas pode ter sido só impressão]

Pra encerrar. O Senhor foi procurado pela Chapa Azul nos últimos dias?

Não. Não ouvi nenhuma oração vinda de ninguém da diretoria. Mas talvez não seja o momento. Na hora certa, que geralmente é na hora que as coisas começam a dar errado de verdade, eles vão me procurar, ou mandar alguém me chamar. Como pelo Estatuto do Sindicato dos Santos nós não podemos receber em dinheiro… E como tenho coração mole e rubro-negro… Vou acabar vendo o que é possível fazer.

Libertadores?

Sem reforçar o elenco e ainda perdendo peças importantes? (risos) Você deve estar me confundindo com outra pessoa. Sou Santo, não sou Deus.

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