Em troca de uns trocados


Captura de Tela 2014-01-22 às 11.51.57Não é a toa que batizei a sequência de textos-guia para os inconsequentes frequentadores do Modorrento Estadual de “Via Crúcis”.

O Estadual é mesmo um sacrifício religioso só. E para quase todos os lados que se olha. Uma espécie de purgatório que todos têm que atravessar para chegar a alguns supostos paraísos denominados Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil.

Técnicos, jogadores, juízes, torcedores, jornalistas, todo mundo no mesmo bolo dando a sua cota de sacrifício para manter respirando por aparelhos uma competição que já morreu e esqueceu-se de deitar.

Pra corroborar o viés religioso que permeia o troço, fico sabendo que o Flamengo recebeu simbólicos 10% pela sua participação no jogo de domingo contra o Todo Poderoso (mais religião “procês”) Audax.

Agora é que acho a minha idéia estapafúrdia de ontem mais plausível ainda. Apesar de não entender e nem estar interessado nas planilhas dos Smurfs, dizia eu que pela endeusada Lei da Oferta e da Procura, Bíblia da Chapa Azul, já que a Final da Copa do Brasil vale 250 dinheiros, nos jogos contra os nanicos estaduais tinha mais é que botar “dez real” pra todo mundo, ST ou não.

Já que não é pra ganhar quase nada, é como diz aquela velha e eficiente expressão: “Não é nada, não é nada… Não é nada mesmo”.

Claro que pra alguém interessa a existência de tal campeonato. Para os diretamente envolvidos é que não. Eu não gosto, jogadores e técnicos devem achar um saco, a TV poucos dias tem algum jogo que preste pra passar, os juízes recebem menos… Isso sem falar nos Smurfs, que a cada borderô igual ao de domingo devem verter azuis lágrimas de desolação.

Deve interessar pra Federação, para os botafoguenses e sua única e anual real possibilidade de dar uma volta olímpica e, é claro, para os jogadores dos times menores que devem ver o Estadual como uma grande e penosa entrevista de emprego para, quem sabe, dar o próximo passo adiante em suas carreiras.

Em Igreja é assim mesmo. Por mais que exista a capa da benevolência, do desapego material, sempre tem alguém que vai acabar ficando com o dízimo.  No nosso caso aqui temos até uma simbologia. Cansamos de afirmar e reafirmar que o Flamengo é a Nossa Religião. Pois bem, nossa igreja fica só com o dizimo então.

Se por um lado é triste porque temos uma folha salarial alta pra bancar com essa esmola que recebemos do Estadual, por outro lado essa competição cada vez mais insana daria margem para outro tipo de atitude, já que o prejuízo é líquido, bruto, contábil e certo.

Abram os portões, deixai que o povo mais humilde, talvez o maior dos responsáveis pelo Flamengo ter migrado da condição de clube para Religião, adentre o templo. Templo esse que em tempos fifenses honra ainda mais sua condição, sendo deveras nababesco e suntuoso. Joguemos por amor literalmente, tenhamos a humildade de dobrar nossos joelhos para o deus-futebol sem que o vil metal seja nossa recompensa.

Muitos ímpios dirão: “Mas a quantidade de dinheiros é estabelecida pelos vendilhões do templo”.

Em verdade vos digo: “Que sejam expulsos os vendilhões. Se isso não for possível, que seja expulso o próprio templo”.

Ahahahaah… Parabolei que nem Jesus. Pra quem entendeu e pra quem não entendeu, dia desses teço minhas reflexões advindas desse último parágrafo.

Flamém.

CURTAS

VOLTA QUADRADA. Dia do perdão que o tio aqui tá todo trabalhado na benevolência nesse início de temporada. Jogo contra o “Voltaço” dez da noite com transmissão da TV aberta. Quem não for tá perdoado. Quem for, canonizado.

FLA MOCHILA RULES. Eis que amanhece a quarta sem o povo mochilano ter decidido como e quando será a ida para VR. Pelo menos a gente já sabe obrigatoriamente o “onde”.

SEM MORAL. O Carioqueta anda tão sem moral com a galera que me fizeram essa pergunta dia desses: “O time que ganha o Estadual ganha o que?”

Leave a Reply

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.