Diário de bordo


08h15min – Comunico ao meu patrão que vou sair cedo porque o Flamengo vai jogar dez da noite em Volta Redonda. “Mas não são os reservas?”. Respondo com um habitual “É o Flamengo”. Ele retruca com um rotineiro “Você é maluco”. Respondo com silêncio. Ele está certo mais uma vez.

10h00min – Constato que ainda não sei como vou. Coisa típica da Organização Fla Mochilana. As opções são uma van que TALVEZ role, ou o busão mesmo. Essa última opção traz um brinde: dormir no chão da rodoviária, já que o primeiro ônibus que sai de lá pro Rio após o jogo é 04h35min da manhã. Nesse momento penso: “Bem que o Jayme falou que o Carioca de pontos corridos é como uma miniatura do Brasileiro”. Dormir em chão dos terminais é normal no Nacional, no Carioca, não me lembro de ter ocorrido. Retroceder nunca, render-se jamais.

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11h30min – Molezinha. Van com os caras da UBZ confirmada com horário bom e precinho bem camarada. Uma das pessoas da Fla Mochila que tinha desistido até mudou de idéia. “Com esse preço e horário é uma obrigação ir”, diz o consciente rapaz. #ChupaChapaAzul #LeiDaOfertaEDaProcura

15h00min – Um amigo off Flamengo envia email lembrando que hoje tem show de uma das minhas bandas prediletas. E perto. Poderíamos dizer que opções não faltam… Mas faltam sim. No meu cérebro reconhecidamente doentio, não ir ao jogo podendo ir, tendo dinheiro, seria um sinal de fraqueza. Consciente de que isso é uma idiotice, mas sabendo que é assim que meu coração funciona, aviso que não tenho como ir ao show por causa de compromissos (??!!) com o Flamengo.

18h00min – E nada da tal van chegar. Aí já começa a agonia de maluco. Pensamentos do tipo “Se ela não aparecer em 20 minutos eu despenco correndo pra rodoviária”. Quando o mais racional seria: “se a van não chegar em meia hora eu me conformo e vou pra casa ver o jogo na TV”

18h21min – Parte a nau da insanidade. Alívio.

22h00min – Big Brother autoriza e rola a bola.

22h01min – Esse jogo já deu o que tinha que dar. Melhor seria fazer logo nosso protocolar gol da vitória e acabar com essa homenagem a Morfeu, o deus do sono.

22h49min – Termina a primeira etapa. Sou apaixonado, mas não sou louco. Nada faz sentido nessa disputa insana por um título que só o Botafogo deseja.

23 e quase fim do jogo – Gol do Welinton. O segundo do zagueiro na competição e que nos dá os 100% de aproveitamento com o time reserva. Jogando mal ou não, três pontos na conta. Dormirmos liderando o treco, jogando com reservas, e com dois gols de um zagueiro, só faz parecer mais que não é o Mundo Real e sim um episódio tardio e retardatário do Além da Imaginação.

00h00min – De volta para a Van. Jornada de volta com cochilos e uma estranha sensação de dever cumprido (??!!)

02h40min – Chegada ao lar e já olhando as próximas aventuras na tabela. Em pauta, a ida para Friburgo na próxima quarta. Um jogo que está marcado para cinco da tarde…

05h00min – Duas horas depois de desmaiar no chão mesmo… Hora de levantar e trabalhar. Arrependimento zero. Fiz o que tinha que fazer… Pelo menos na minha forma esquisita de ver as coisas.

Esse é um breve resumo do que passa na cabeça de uma pessoa sem noção que acompanha IN LOCO todas as “emoções” do Carioqueta. Só com muito amor mesmo.

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