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    De sola

    Por em janeiro 29, 2014

    Captura de Tela 2014-01-29 às 09.58.40O Carioqueta começou há apenas 11 dias. De lá pra cá, já voltei correndo de Franca para assistir nossa empolgante estreia, já cheguei 02:30 da manhã de Volta Redonda, já fiz média com a patroa por um emocionante Fla x Duque e hoje engano pela enésima vez meu chefe para despencar lá para Nova Friburgo para um clássico às cinco da tarde. E vem coisa pior por aí. O denominador comum desses jogos foi o preço do ingresso. Ou melhor: a choradeira generalizada pelo preço do ingresso.

    Não tenho dúvidas de que o ingresso tá caro pra cacete. Ninguém do nosso círculo de semi-retardados discorda. O porém é que nós, que estamos lá sempre (costumamos auto-denominarmos de “os 3 mil que sempre vão”) temos total propriedade para chiar. Por outro lado, a esmagadora maioria de viúvas da geral, que sempre reclamam e jamais comparecem, nunca foi efetivamente à geral, porque era muito povão.

    Predominantemente, esses pobrezinhos que não podem pagar 60 pratas moram a menos de 500 metros do Maracanã, onde um apartamento custa, sei lá, 400 mil, mas só vai na boa. Pergunta a um desses aí se ele iria ao Fla x Duque se o ingresso custasse, digamos, 5 reais. Lógico que ele dirá que sim. Mas duvido muito que vá, efetivamente. Argumentos não faltam para quem não está a fim de ir. Seguem alguns: “o time C não vale esse preço”, “não vou dar moral à Chapa Azul”, “tá maluco, não piso lá enquanto o Léo Moura for titular”. Mas duvido que esse pessoal não se matou pra arrumar uma pequena fortuna para assistir o Léo Moura e a Chapa Azul na final da Copa do Brasil.

    Dinheiro não falta a esse povo. 10 reais ou 60 reais desfalcam o orçamento dos reclamões da mesma forma. Não se trata de necessitados, de forma alguma. Não vão porque não querem ir. E a bengala da vez para se escorar é o preço do ingresso. Vejamos: quanto custa um pedaço de pano vagabundo escrito “Abercrombie Fitch”? 200 reais? Caro pra ca%#*&lho, né? Alguém reclama, ainda que saiba tratar-se do mesmo tecido vendido na feirinha? O que vale é o status. E o que confere status, no caso do Flamengo, é assistir à final, custe o que custar. Jogo com o Audax é Flamengo do camelô. Bota o ingresso de um jogo desses a 5 reais e o público vai ser exatamente o mesmo.

    Tenho pena de quem acha que o Maracanã vai lotar se o preço for reduzido. Pena mesmo. Em que campeonato estadual colocamos média de 20 mil? Nenhum! Estou até surpreso com o público dos primeiros jogos aqui na capital.

    Sério mesmo. Nunca vi nenhuma galinha cacarejante do Twitter do meu lado no Maracanã em um jogo daqueles que a imprensa chama pomposamente de “partida de baixo apelo”. Nunca. Direito deles, claro. Só não tentem me convencer de que essas criaturas têm a mesma propriedade que nós, “os 3 mil que sempre vão”, temos para reclamar, porque somos nós que gastamos. Esse pessoal pode reclamar se aumentar o preço do Pay-Per-View. Ou a cerveja do barzinho. E muito mal.

    Pronto. Falei.

    Curtinha:

    • Ir à Franca de ônibus com o noivo retardado para assistir uma partida de basquete pode ser considerado uma declaração de amor? Se for, também te amo, Daniele.

     

    FOTO: Fim de Jogo

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