Desumano


oie_4142528E1nqvg9xFechei com o Renato Gaúcho. Considero o Carioqueta pelo seu baixo nível técnico, pelo relativo desinteresse que ocorre vez ou outra em equipes envolvidas em competições mais importantes, pelas poucas testemunhas nos estádios, dentre tantas outras coisas, um campeonato sem sentido e sem razão de ser.

Não bastasse isso, é disputado na fornalha que se transforma o Rio de Janeiro em todo verão. E é em TODO verão. Em muitos deles entramos em comum acordo e proferimos: “esse é o pior e mais quente verão de todos os tempos”. Pura balela. O mais ameno dentre todos eles é quente pra cacete de qualquer forma.

Como se não fosse suficiente, ainda tem jogo marcado pra muito cedo e em locais como Bangu, região que marca temperatura mais alta da cidade dia sim e o outro também. Por mais que eu passasse outros tantos parágrafos enumerando os males do Estadual, o poder da síntese é sempre o melhor caminho.

“DESUMANO”. Assim Renato Gaúcho resumiu a situação em um plano geral sobre o jogo em que sua equipe enfrentou o Bangu em Moça Bonita.

É isso. DESUMANO. Jogar bola com esse caos térmico que assola a cidade, cinco horas da tarde, é crueldade nível arena de gladiadores em Roma.

E não cabe aqui aquele blá, blá, blá de que os caras são bem pagos pra isso. Não estamos falando de salários. Mesmo porque os atletas dos times grandes não jogam sozinhos. Do outro lado tem uma galera que não ganha tão bem assim.

E olha que por experiências próprias, e várias delas, já tive oportunidade de me sentir bastante mal nesses locais, simplesmente lá parado e assistindo o jogo. Correndo em campo então, não tenho como dimensionar o troço.

Inventaram lá o tal do tempo “térmico”, mas isso não deve ajudar em muita coisa não. O que ajudaria mesmo seria só ter jogo à noite. Mas aí tem a grade da televisão e é até justo que ela seja levada em conta. Tem também o absurdo de jogar cedo porque um monte de estádio não tem iluminação para jogos à noite. Isso aí é algo que tem que ser revisto. Joga em outro estádio, acende umas velas, sei lá…

Claro que um dia vão tentar melhorar as coisas. E também é claro que só vai acontecer quando alguém passar mal de verdade ou quem sabe até morrer em campo.

Enquanto isso, o Joãozinho, lateral do Quiproferdense Atleticano de Silva Bastos vai continuar enfrentando a arena quente e inóspita dos Coliseus do Carioqueta. E tendo em vista o desnível técnico-financeiro de quando o Joãozinho vai enfrentar as equipes grand… Bem… Nossos três desafetos locais estão cada vez mais dificultando o uso dessa expressão. Recompondo. Quando vai enfrentar as equipes de maior poder aquisitivo, Joãozinho deve mesmo se sentir jogado aos leões em plena arena. A diferença é que em Roma tinha público pra assistir.

Amanhã tem mais demonstração de crueldade.  Jogaremos contra o Boavista em Bangu. Em jogo, a manutenção da nossa liderança e a sobrevivência dos atletas das duas equipes.

Reclamo sem muita moral. Vou assinar embaixo dessa loucura, já que serei uma das testemunhas oculares e sudoríparas da peleja. Já sou consciente, ser engajado seria pedir demais.

CURTA

Amanhã estreia uma mini-série exclusiva do Falando de Flamengo. Uma homenagem aos nossos desafetos de Laranjeiras.

Livremente usurpado de “O Pequeno Príncipe”, clássico da literatura mundial (ops… falar dos tricolores e de mundial no mesmo texto pode ser considerado bullying?), vem aí…

“O PEQUENO TIME”

Uma viagem pelos pensamentos pueris de quem não aceita perder.

PPFLOR

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