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O pequeno Time

(livremente usurpado da obra de Saint-Exupéry, que deus o tenha)

Por em fevereiro 5, 2014

Meu nome é Timmy. Como essa é uma história despudorada, mas apesar disso vem em um tom infantil, pra facilitar as crianças que se aventurarem, vou descomplicar e me chamar de “Time” durante essa breve narrativa.

Falando em descomplicar, eu posso adiantar pra vocês que sou um bocado bom nisso. Muitas vezes minha vida complica e parece que vai desandar, aí eu ligo pruns moços que são conhecidos como advogados, aí eles resolvem as coisas e fica parecendo que nada aconteceu.

PPFLOR

Antes de narrar minha pequena história pra vocês, gostaria de declarar também que estou bastante comovido e realizando um sonho de infância, e o mais importante, ainda na infância.  Sempre quis ser um “Time” assim, com um “T” bem grande na frente.

Enfim…

Venho de um planeta chamado Laranja 71. Eu chamava só de Laranja, mas como gente adulta gosta muito de numerar tudo, ia botar o nome de Laranja 24. Só que os moços que organizam as coisas falaram que pra usar o número 24, que já existia em outro planeta, eu teria que fincar uma enorme bandeira para marcar território. Como algumas das roupas que uso foram feitas por minha vó e ela adorava a cor grená, achei que seria exagero. De grená e ainda dando bandeira? Escolhi ficar mesmo com o 71, que também diz muito sobre a minha vida.

Parece que não adiantou muita coisa. As pessoas que encontro pelas minhas muitas idas e vindas pra cima e pra cima (não gosto de ir pra baixo nem quando é o caminho que eu mesmo escolhi), sempre acabam perguntando se eu sou do 24, não entendo por que.

Meu mundo é bem pequeno. Tenho uns belos troféus que chamo de Regionais. Tenho uns outros também que chamo de Nacionais, mas confesso que desses, além de poucos, alguns dentre eles são de ouro falso e não merecido. Tudo por conta de um troféu vergonha que ganhei na época que eu ainda caminhava para baixo.

Ele é muito feio e bobo. Mantenho trancado em uma sala escondida e morro de vergonha que vejam aquilo. Fico mais acabrunhado ainda, porque se alguém perceber que tenho um troféu com um 3 grande gravado e tenho outro que veio depois com o número 1, vão acabar percebendo a ausência de um com o número 2. Isso aí eu não tenho como explicar, foram os tais advogados de quem lhes falei que arranjaram tudo… Não posso negar é que eu gosto.

Lá no meu planeta tenho também uns vitrais que vieram da Terra, de um lugar chamado França. São vitrais mágicos. Eles se quebram quando faço besteira, e olha que tenho feito um monte delas nos últimos tempos. Como que por encanto, mesmo com eles se quebrando constantemente, toda vez que faço besteira, e não sei explicar como, eles se quebram outras e mais outras vezes.

Tenho tamb…

Nosso pequeno Time estaca em sobressalto por alguns instantes. Enquanto caminhava não percebera que um pequeno grupo de homens se aproximava.

Um homem de terno e com uma cartola na cabeça, um negro muito alto (e Time não pôde deixar de reparar e achar graça do fato de que o homem negro como a noite tinha o rosto branco como a neve), um homem todo vestido de branco com muito dinheiro caindo pelos bolsos e, por último, uns dois passos afastado do grupo e parecendo muito feliz e saracoteante, um homem vestindo uma bela blusa em preto e vermelho.

De alguma forma todos eles pareciam não ser estranhos aos olhos de Time.

Aproximou-se e saudou os visitantes. A voz insegura, denotando uma ligeira intenção de manter firmeza.

– Quem vem lá?

(CONTINUA)

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