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    O Pequeno Time – Parte III

    Fla-Flu de diálogo

    Por em fevereiro 7, 2014

    Time3Só de ouvir o nome do homem de preto e vermelho, Flamengo, nosso pequeno Time já sentiu certo desconforto, não sabia bem o motivo.

    – O que aconteceu de tão grave para esse homem tão peculiar emudecer?

    – Mas tu tem é memória curta, rapazinho. Bem, isso aconteceu há muito tempo atrás. Natural que você não se lembre. Aliás, se me permite a licença, você tinha que tomar algum tipo de remédio pra memória. Apesar de que… Bem, deixa pra lá.

    – Fala – perguntou angustiado o Pequeno Time.

    – Nada. Deixa pra lá.

    – Fala – insistiu.

    – Com o perdão da palavra, mas às vezes parece que você só se lembra do que te interessa lembrar. Só o que lhe é conveniente. Ou é impressão minha? Enfim… Bem, o negão aí visitou o seu reino uma vez, e com medo de ser tomado por um bruxo, por conta da sua cor, acabou passando essa maquiagem no rosto. Tem vergonha disso até hoje. Ele se sente como um renegador da sua raça e por coisa pouca. Só pra poder freqüentar o seu reino que, mais uma vez com o perdão da palavra, não é lá grande coisa.

    – Como ousa falar assim comigo? Você nem me conhece direito.

    – Ih… Ah, ah, ah, ah. Claro que conheço. Tá me estranhando? Dá até pra dizer que nós nascemos juntos, por volta de 40 minutos antes do nada. A única diferença entre nós é que desde então eu cresci e você continuou pequeno. Apenas isso.

    – E… Me diz uma coisa… Você conheceu muita coisa por aí?

    – Conheci. Não só conheci como fui conhecido. Essa minha camisa aqui é vista em tudo quanto é canto aí pelo mundo afora.

    – Que vida interessante você deve ter tido. Por aí… Pra cima e pra baixo…

    – Epa… Espera lá. Temos isso em comum. Não gosto de ir para baixo. A diferença entre nós é que nunca fui porque não sei o caminho. Você já foi, conheceu e pelo jeito gostou e vive tentando ir para baixo outra vez.

    – Pois é… Posso te confessar uma coisa? Só entre nós dois?

    – Por favor.

    – Às vezes sinto que onde estou nunca é o meu lugar. E confesso que me senti bem à vontade quando visitei os Países Baixos. Sabe como é? Sentia que aqueles habitantes de lá eram iguais a mim e não iam crescer nunca. Só que aqueles moços que estavam aqui, o Cartola e o Moço de Jaleco Branco Com Um Monte de Dinheiro Caindo do Bolso cismaram de me adotar. Aí sempre que eu tropeço e vou cair eles me ajudam a levantar. Eles e uns moços que são conhecidos como advogados. Eu faço vista grossa. Agora há pouco mesmo, mesmo isso aqui sendo um sonho, fingi que não lembrava deles.

    – Por quê?

    – Ah… Eles ficam me forçando a esse papel ridículo de nunca poder ir pra baixo e no final quem não vai crescer nunca sou eu. E nem sei se eles fazem isso mesmo porque os cativei e eles gostam de mim. Acho que é mais pra conseguir mais e mais daqueles papéis que ficam caindo do bolso do Moço de Jaleco Branco. E tudo às minhas custas.

    – É… Ser pequeno assim pra sempre deve ser complicado mesmo.

    – Você nem imagina o quanto – dizendo isso, o Pequeno Time abaixou a cabeça e pareceu pensativo.

    – O que foi?

    – Queria ser que nem você, Grande.

    – Quem sabe um dia você cresce? Paga as coisas que deve… Arranja aquele troféu de número 2 pra sua coleção não ficar incompleta…

    – Você sabe do número 2? Mais gente sabe?

    – Todo mundo sabe.

    Dito isso o homem de preto e vermelho começou a caminhar a passos largos. O Pequeno tentou alcançar e imitar os passos do saracoteante homem que cada vez ganhava mais distância.

    – Volta aqui, eu quero conversar ma…

    BUUUUUUUUMMMM….

    Um avião fizera um pouso forçado perto dali. Muito perto. A nuvem de poeira bloqueou a visão de Time e, quando se recompôs, não viu mais ninguém. Decidiu então andar até o avião.

    (CONTINUA)

    LEIA MAIS:

    O pequeno Time – Parte I

    O Pequeno Time – Parte II

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