Ganhar Fla-Flu nunca é normal

Por Marcos Coelho (@MarcosCoelhoHD)

Qualquer torcedor que seja capaz de afirmar que ganhar no Fla-Flu é normal é hipócrita. Essa frase faz muito sucesso na torcida do Fluminense, principalmente quando vencem o ‘clássico mais charmoso do Brasil’, mesmo com a superioridade rubro-negra no confronto direto entre os dois clubes ao longo da história (ao lado). Mas não é normal um clássico que faz um campeão brasileiro pelo Flamengo virar ídolo do Fluminense por causa de um gol de barriga, como aconteceu com Renato Gaúcho. Muitos flamenguistas vaiam um dos principais responsáveis pelo Brasileiro de 1987.

Na história mais recente, temos o Fla-Flu do contestado Roger em 2004, o do ‘créu’ do Thiago Neves em 2008, a virada incrível da dupla Love-Imperador em 2010, a ‘Fla-Flu do Bottinelli’ em 2011 e a letra do Brocador em 2013. Se você lembra de todos esses sem parar pra pensar é sinal que o jogo não é normal. Normal é o que você comeu ontem e tenho certeza que vai parar para pensar agora.

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Além de todos os fatos da última rodada do Brasileirão de 2013, também era o primeiro clássico de Conca após seu retorno ao Brasil, tínhamos as estreias de Walter e Éverton e último jogo do Flamengo antes de seu primeiro desafio na Libertadores. Isso sem contar a troca de farpas dos clubes devido ao preço dos ingressos. Poucos jogos teriam tantos atrativos em uma partida válida pela fase inicial do campeonato estadual. É uma pena que o público ficou bem abaixo do que o clássico merece. Isso também não é normal em um Fla-Flu e com certeza faz parte de mais uma página escrita na história do clássico.

Depois da pouca bola que jogou em 2013, o Fluminense precisava vencer um clássico com autoridade para devolver o sorriso ao seu torcedor. E nada como ganhar do seu maior rival por 3 a 0 com um gol do folclórico e eficiente Walter e uma ótima atuação de um ídolo. A figura de Dario Conca representa muito mais que um armador argentino e raçudo. Ele e o Tricolor se gostam mais do que qualquer torcedor rival pode imaginar. Destaque também para o ex-jogador do Goiás, que em 20 minutos em campo colocou uma bola na trave do Flamengo e fez um gol, mais que o rival em todo o jogo. Se passou perfume, saiu cheiroso de campo. Só deve ter suado porque está acima do peso. Trotou pra fazer o último gol da partida.

Antes do clássico, os rubro-negros eram só confiança, pois a espinha dorsal do time, o meio, teria a formação apontada como muitos como titular: Amaral, Muralha, Elano e Éverton. Mas os dois últimos não se entenderam muito bem com Paulinho e o Hernane ficou isolado no ataque, ter chances de ‘brocar’. Muitos se perguntavam sobre o motivo da entrada do equatoriano Erazo no lugar de Samir. A resposta veio dentro de campo, infelizmente, para os flamenguistas.

O Fla viu o Fluminense marcar três gols sem fazer força, se perdeu em campo no segundo tempo e não teve poder de reação como nas partidas contra Macaé e Boavista, quando começou em desvantagem no placar. Talvez a derrota sirva de alerta para o elenco de Jayme de Almeida, pois é preciso jogar sério para poder vencer sempre. Na Libertadores não tem moleza.

A única normalidade de um jogo disputado entre Flamengo e Fluminense é a quantidade de surpresas. A história dos clube se esbarra desde os primórdios do futebol brasileiro e será assim até a extinção do futebol na raça humana. Qualquer indivíduo que afirma que ganhar um Fla-Flu é normal não é normal.

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