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Teatro do absurdo

Carioqueta faz paródia do Clássico dos Milhões

Por em fevereiro 17, 2014

BgnjFWIIQAErDjCApós três anos e meio longe do seu palco principal, Flamengo e Vasco retornaram ao Novo Maracanã para voltar a escrever a história do Clássico dos Milhões em seu habitat natural.

Bem… Tentar recomeçar. Talvez essa expressão seja mais apropriada.

O palco é o mesmo e é outro a um só tempo. O Campeonato é o mesmo que ajudou a construir a mística dos encontros entre as duas equipes… Mas também é outro. O público que dá nome ao clássico, esse nem de longe lembra os espetáculos lotados de outrora.

Em campo, até tivemos emoção. Gol polêmico e não-gol mais polêmico ainda. Jogadas ríspidas. Arbitragem confusa. Virada no placar. Gol ao apagar das luzes. Reserva entrando pra mudar a história do jogo.

Fora do campo de jogo, só a melancolia.

Com ingresso mais barato a 80 pratas e pouca gente na arquibancada, o outrora Clássico dos Milhões já tem o direito de ir ao cartório mais próximo e solicitar uma mudança de nome, com o intuito de não sofrer bullying dos amiguinhos no colégio.

Algumas torcidas organizadas que vinham fazendo um justíssimo protesto contra o preço abusivo dos ingressos, já começam mesmo a dar mostras de que a revolta corre o risco de se transformar em conformidade. Enquanto vejo algumas movimentações das mesmas como instituições nas redes sociais, já começo também a testemunhar nos indivíduos que as compõem, nas mesmas redes, comportamento mais passivo e com tom de “perdemos essa luta”.

Sobre se a luta está ou não perdida, o tio dá seu parecer em artigo futuro.

E lá dentro do moderno, esvaziado e fifense Novo Maracanã, as coisas não vão nada bem.

Está sim mais confortável, mas é verdade também que anda muito chato. Não pode isso, não pode aquilo, não pode aquilo outro.

Encostar o pé nas cadeirinhas de ouro, por exemplo, agora é algo que não pode. E não é subir e pular não, que também julgo desnecessário. Basta uma distração sua enquanto papeia com os amigos e um leve roçar de tênis no encosto… Lá vem o povo chato do colete (que está só fazendo o seu trabalho) chamar sua atenção.

No entorno e dentro do estádio você não consegue andar 5 metros sem alguém oferecer ajuda. Exagerado, chato e, diga-se de passagem, das únicas duas vezes desde a reabertura que precisei de algum tipo de informação… Fui orientado de forma errada. Ontem foi uma delas.

Ontem, aliás, cheguei a ver o seguinte absurdo: meia dúzia de amigos de uma das torcidas presentes começou a dar saltos laterais ao cantarem uma música após o gol. Abraçados, iam e voltavam lateralmente no lance da arquiba sem incomodar e nem passar na frente de ninguém que estivesse sentado. Prontamente um dos minions do consórcio Maracanã foi lá aconselhar que aquele não era um comportamento adequado. (??!!). A cara dos rapazes resumiu todo um drama. Olharam boquiabertos sem entender nada para logo depois olharem frustrados uns para os outros.

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Eu não tenho escolha. Não consigo viver sem estar perto do Flamengo e fiquei deprimido até por não ter dinheiro para ver um jogo “ali” no México semana passada.

Quero até declarar logo que não perdôo os amigos mais próximos e mais frequentes que não estão indo. SE o problema for realmente dinheiro eu entendo e assino embaixo. SE não for isso e vão ficar usando o escudo do  “estou protestando” para encobrir a realidade do “estou com preguiça” ou “passei a ter outras prioridades”, é lamentável.

Agora… As novas gerações de torcedores estão perdoadas totalmente. A culpa de forma alguma é delas. O ingresso está caro sim, o Carioca é uma merda de campeonato falido sim, o Maracanã virou um lugar chato e sem graça sim.

Solução ainda há. Só resta saber se realmente interessa a quem pode fazer alguma coisa. Vai ver a longo prazo compensa mais vender tudo em pay-per-view e fazer uma computação gráfica tipo aquelas do Playstation para simular a existência de um estádio lotado.

Fotos: Fim de Jogo

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