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    Descanse em paz, Taça Guanabara

    Por em março 10, 2014
    Por Marcos Coelho (@MarcosCoelhoHD)

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    Foi sofrível saber que o Flamengo foi campeão da Taça Guanabara diante de um público pagante inferior a 10 mil pessoas, no jogo deste domingo contra o Botafogo. Tudo bem que o preço dos ingressos está pelo menos duas vezes acima do ‘Padrão Campeonato Carioca’, mas além de ser um dos clássicos mais tradicionais do Brasil, não era o jogo da TV aberta do Rio de Janeiro. Em outros anos, com certeza teríamos pelo menos 40 mil pagantes no antigo Maracanã. Mas assim como o estádio, a competição também mudou, e pra pior.

    A competição não era levada apenas como o primeiro turno do estadual, pois os torcedores comemoravam e muito quando seus times eram os campeões. Como um não lembrar do episódio do ‘chocolate’, quando o Vasco aplicou uma goleada por 5 a 1 sobre o Flamengo, em 2000, na final do primeiro turno em um domingo de Páscoa? Será que o ‘chororô’ de 2008 vai sair da lembrança de botafoguenses e flamenguistas? Isso sem contar os anos 70, 80 e 90 que não vou citar por não ter presenciado. Poderia até pesquisar e contar algumas histórias boas que ouvi e assisti, mas com ficaria aqui por pelo menos três dias só resumindo episódios marcantes. Nos últimos anos o nível técnico não era o mesmo de décadas passadas, o que era mais um atrativo para o público no estádio. Mas além da qualidade do futebol, regulamento e preço dos ingressos dividem grande parte da parcela do fracasso.

    time-botafogo-chorandoO antigo regulamento também era bom para os pequenos, treinando para a competição desde setembro do ano anterior. Os clubes de maior investimento, na maioria das vezes, passavam um certo sufoco contra os menores na Taça Guanabara. Peguei uma época em que o Americano de Campos praticamente roubou o lugar do Botafogo entre os semifinalistas por três anos seguidos. Cabofriense, Friburguense, Resende, Madureira, Volta Redonda e outros sempre tinham uma oportunidade de aparecer na fase final. Hoje, um clube pequeno praticamente não pode perder para garantir vaga na fase final. A sorte é que alguns grandes priorizam a Libertadores, quando disputam, e colocam os pequenos novamente na disputa.

    A tradicional e charmosa Taça Guanabara morreu, assim como o antigo Maracanã, que leva os mesmos adjetivos. Em sua primeira ‘decisão’, temos o episódio do dia em que o Flamengo foi campeão em cima do Botafogo e quase ninguém prestou atenção. Lamentável. Não dá pra decifrar qual foi a intenção exata da federação ao optar por este regulamento, mas o fracasso da escolha é evidente e mudança para o próximo ano é uma necessidade, caso a intenção seja deixar a competição interessante para grandes e pequenos. Que em 2015 resgatem, ou pelo menos tentem, o melhor primeiro turno do Brasil.

    Crônica originalmente publicada no “Fala, Careca!

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