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    A maldição do Cocada

    Apenas um sonho ruim

    Por em abril 17, 2014

    oie_1718643pUHVRR1y(1)Não consigo imaginar o desespero dessa gente. Cada vez que me lembro daquele histórico dia em que um ilustre desconhecido foi a campo em um minuto, entrou para a história do Flamengo e Vasco no seguinte, e foi expulso no outro, fico abismado.

    Meu espanto vem de lembrar o quanto eu era moleque naquele jogo.

    Tão moleque naqueles tempos que tinha a grana mais curta ainda do que a Chapa Azul anda deixando hoje em dia. Lembro até que estava de geraldino naquele jogo. O motivo? Ter grana para ir de arquibancada em um jogo seguinte que acabou nunca existindo.

    Pra mim teve até importância histórica no arremate final de que tipo de rubro-negro eu me tornaria. No Campeonato Estadual (naquele tempo nem era estranho escrever tudo em maiúsculas) do ano anterior, um ano após a morte do meu pai, um tirambaço do Tita dava um título ao Vasco em jogo contra o Flamengo.

    Foi exatamente no fim desse jogo, andando pela arquibancada onde a torcida rubro-negra estava prostrada em sua tristeza, que uma espécie de luz acendeu no meu cérebro. Concluí ali que odiava ver a Nação triste, que se pudesse eu teria o poder de sofrer sozinho a dor de toda aquela gente. Decidi naquele momento que levaria essa minha dedicação ao Manto até as últimas consequências.

    Voltando ao jogo do Cocada.

    Após minha decisão de um ano antes, aquela era uma prova de fogo. Em teoria. Digo isso porque eu já tinha uma certeza religiosa de que seria pra sempre e exagerado o meu jeito de torcer. A prova servia mais pra minha família, que não levava lá muita fé na decisão por mim comunicada no ano anterior.

    Passei com louvor na prova final. Não sem algum sofrimento. Aquele gol nos minutos finais, marcado por um desconhecido de apelido engraçado gerou semanas de perturbação pra Nação. E olha que naquele tempo nem existia Nação Twitter. Só serviu pra reforçar aquela sensação de que ver a torcida do Flamengo triste me fazia mal.

    25 anos depois…

    Nem teria como imaginar naquela época, que aquele dissabor seria o último em tanto tempo em finais contra o nosso maior rival. Se alguém fizesse esse tipo de profecia seria certamente chamado de louco. Como assim um clássico desse poderia passar um quarto de século com decisões sendo favoráveis a somente um dos times? Impossível.

    Hoje vejo meu filho já quase um adulto. Herdeiro dessa paixão e em um nível de experiência até bem melhor que o meu quando tinha a mesma idade. Já acompanhou o Flamengo em vários estádios pelo Brasil afora. E já até comete a insensatez de estar presente a todos os jogos do Carioqueta.

    NUNCA PERDEU UMA FINAL PARA O VASCO.

    Nasceu oito anos depois que isso aconteceu.

    Que a Maldição do Cocada dure para sempre.

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