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Carta aberta ao Presidente Bandeira

Por em maio 15, 2014

Sr. Eduardo Bandeira de Mello,

Ainda lembro bem da matéria exibida na televisão, na noite em que a Chapa Azul, liderada pelo senhor, venceu as eleições de 2012 do Clube de Regatas do Flamengo. Ao fim da tradicional comemoração pela vitória no pleito, um ainda (e pela última vez) desconhecido Eduardo, então eleito presidente de uma Nação de 40 milhões de apaixonados, caminhava solitário para retornar ao seu lar. Talvez já imaginando tudo que viria pela frente e já sentindo o peso que a nova função exigiria.

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O que talvez o senhor não tivesse se dado conta é que, a partir daquele momento, já levava a esperança de 40 milhões de rubro-negros em dias muito melhores para o Flamengo. Uma esperança aquecida por muitos momentos de sofrimento. Essa esperança se nutria, a cada dia, por todas as promessas e projeções que a Chapa Azul trazia em sua campanha. Eu, um desses 40 milhões, abri um sorriso e pensei comigo mesmo: O Flamengo, meu grande amor, finalmente trilhará o caminho de volta ao sucesso, tanto nos gramados, quadras, ginásios e piscinas, como na vida política e financeira.

Nunca, em nenhum momento, acreditei que trilhar o caminho de volta ao sucesso seria fácil. Nunca imaginei que o senhor assumiria em um dia e levaria o Flamengo à final do Mundial de Clubes na manhã seguinte, ou que arrumaria recursos financeiros e patrocinadores para se livrar de quaisquer dívidas que existissem. Por mais que o discurso de campanha fosse bastante otimista (como precisa ser), nunca imaginei que seria fácil. Muitos torcedores podem ter criado expectativas exageradas em relação às soluções que o Flamengo necessita por desconhecimento natural do tamanho dos problemas que se tem na Gávea. Mas eu não fui um deles.

Talvez por entender que o processo de reconstrução demanda tempo e não é lapidado a perfeição, estou muito satisfeito com tudo que mudamos até aqui. Temos a camisa mais valiosa do país em patrocínios, conseguimos renegociar dívidas, obter certidões e pagar impostos, conseguimos dois títulos importantes (Copa do Brasil e Carioca), caminhamos para a auto-sustentação de alguns esportes olímpicos, projetamos a finalização da construção do centro de treinamento e fomos considerados o clube mais transparente do Brasil.

Ao mesmo tempo, o preço dos ingressos está caro, o acordo com o Maracanã ainda não é o ideal, a comunicação do Flamengo com a Nação e com a imprensa está muito ruim, o time de futebol ainda não tem grandes ídolos, a Gávea ainda carece de maiores cuidados físicos e ainda existem dificuldades absurdas com problemas até certo ponto simples de serem resolvidos, como a demissão de um treinador.

O centro da questão é que o senhor e seus vice-presidentes não acertariam sempre e em tudo. Errar é humano, desde que com a intenção de acertar. O senhor, o Bap, o Wallin, o Tostes e os demais podem e vão errar. Por mais que a Nação, esperançosa, achasse que os senhores fossem super-heróis, os senhores não são. Talvez (cabe aqui uma critica construtiva), os senhores devam analisar melhor os erros para aumentar ainda mais os acertos. Mas ainda assim errarão.

Somente uma coisa deve ser sempre lembrada: Até agora, o índice de acertos e evolução dessa gestão é infinitamente superior à anterior, e melhor que todas às anteriores. Nem mesmo as críticas (algumas desproporcionais, outras corretas) que a imprensa tem feito à gestão atual, nem mesmo os ataques gerados pela oposição, podem apagar esse legado. E a tal imprensa noticia que o senhor, logo o senhor, está pensando em nos abandonar, em nos deixar novamente sem esperanças.

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Eu não tenho procuração para falar pelos 40 milhões que apóiam o Mengão, mas saiba, Sr. Eduardo, que eu agradeço muito a você e aos seus por tudo que tem acontecido na Gávea. Sei que não deve ser fácil para o senhor e para a sua família. Sei das ameaças que seu filho sofreu e das pressões que o senhor e seus familiares devem ter que agüentar todos os dias. Mas o senhor, firme e forte em nosso comando, é fundamental para a continuidade do caminhar na tal trilha que falei lá em cima. Não existe vitória sem sacrifício. Nesse caso, o sacrifício é imenso, mas a glória da vitória (que não tardará) imortalizará o senhor nos corações rubro-negros.

Saudações Rubro-Negras

Felipe Foureaux

 

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