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Os limites da paixão

Por em maio 22, 2014

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As pessoas que me conhecem ou que acompanham as minhas crônicas, sabem o quanto gosto e valorizo a atual diretoria do clube mais querido do Brasil. Ter executivos sérios, oriundos de grandes empresas no comando do Mengão, traz credibilidade, transparência e confiança para um clube que nos últimos tempos se caracterizou por inadimplências absurdas e chacotas como a célebre passagem do ex-jogador Vampeta: “Eu finjo que jogo e eles fingem que me pagam.”

vampeta-joga-pelo-flamengo-em-2001-1325939521853_564x430Não precisamos dizer que esse grupo de gestores se uniu através de uma característica comum a todos: o amor pelo Flamengo. O cansaço por enxergar poucas perspectivas de mudanças na política do clube, trouxe esse grupo para a empreitada, cheio de boas intenções. E, se analisarmos financeiramente, o clube parece estar em ótimas mãos.

Porém, o amor que os uniu e que todos nós, torcedores, temos pelo Flamengo, não os transfere a maturidade, experiência e malícia para se tornarem, da noite pro dia, grandes dirigentes de futebol. Isso se deve pelo simples fato de que, no futebol, a razão não está sempre acima da emoção.

Dirigir um departamento de futebol requer uma inteligência emocional acima da média. Requer escudos, requer um planejamento próximo da perfeição, requer respostas imediatas. Wallin Vasconcelos, a quem admiro pela trajetória profissional e por pregar uma austeridade financeira que eu, mesmo enquanto torcedor apaixonado, não gostaria de abrir mão, precisa rever alguns conceitos, em minha humilde opinião.

O primeiro é aparecer um pouco mais. A cada jogo perdido, a cada grande vitória, a cada pequena crise (tão costumeira nos ares da Gávea), ter a presença do VP de Futebol traz, no mínimo, uma sensação de comando, de que alguém olha pelo departamento. É o famoso “dar a cara a tapa”, fundamental para quem está nesse barco (furado ou não). E, no momento que aguardamos a contratação de um novo executivo para o Futebol, isso se faz ainda mais necessário.

Um segundo ponto, mais complexo e polêmico, está na manutenção de alguns “ícones” no time. No início da gestão e durante o decorrer de 2013, jogadores como Ibson, Alex Silva e Renato Abreu, mesmo em alguns casos tendo parte dos salários bancados pelo clube, foram dispensados numa clara demonstração que não se enquadravam mais na política do departamento e nos planos do Flamengo. Essa política deveria continuar com atuais jogadores que não apresentam rendimento satisfatório há algum tempo ou que, de alguma forma, não agregam bons valores ao clube e ao elenco. Se financeiramente tal atitude prejudica os nossos já combalidos cofres (afinal cada jogador é um ativo), que pelo menos fossem barrados, melhorassem a forma física, aprimorassem a técnica. Até por respeito à história que estes mesmos jogadores têm no Flamengo ou em outros clubes.

Mapear o mercado se faz necessário. Mas ficar sempre nesse ponto nos lembra aqueles planos de ação que nunca saem do papel. De nada adianta estratégia sem execução. E, quanto a reforços, estamos sem tempestividade. Não estou pedindo o Cristiano Ronaldo. Estou pedindo que sejamos rápidos para suprir posições carentes com jogadores no mínimo dignos a vestir o manto rubro-negro. Que temos um orçamento limitadíssimo, não tenho dúvidas. Mas o preço de manter um elenco limitado, no caso do futebol, é um possível passivo a ser considerado.

Por fim, apesar de não podermos colocar essa na conta do Wallin, a comunicação do clube precisa mais que melhorar. Precisa se reformular por completo. Esquecendo as várias gafes já cometidas e se atendo apenas ao que ocorreu ontem, é impossível aceitar que o empate com gosto de derrota aconteceu “no detalhe”. O Bahia mereceu mais a vitória que o Flamengo. O clube baiano teve 24 finalizações contra 3 do Mengão. Os mais resistentes podem culpar os erros grosseiros da arbitragem (fato), mas o Flamengo jogou como time pequeno e foi castigado no final por merecimento, mas não por um “detalhe”. A dor da derrota ainda era recente quando nos chegou o texto oficial do Flamengo sobre a partida, com o título que matou de raiva um monte de torcedores. Bola fora.

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Um clube de futebol deve ser gerido com a seriedade a ser aplicada em grandes empresas. Perceber que estamos bem próximos disso traz um conforto e uma confiança em dias melhores. Mas, no caso do futebol, a paixão é que faz o cliente. Colocar essa paixão à prova, rotineiramente, é uma atitude arriscada e perigosa. O torcedor do Flamengo se acostumou a tomar “porrada” e se reerguer. Mas não espera que os dissabores anteriores se repitam nessa gestão.

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