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    Crise e xeque-mate

    Por em junho 4, 2014
    Por Marcella Mello e André Pinto

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    A “Crise” pode ser definida como uma fase de perda, ou de substituições rápidas em que se pode colocar em questão o equilíbrio da pessoa ou instituição. A atitude e comportamento em face a momentos como este tornam-se de vital importância, na medida em que ela precede uma fase de transformação.

    Estresse profissional é uma realidade em todas as áreas do mercado de trabalho. Diferente do que se pensa, essa condição não é limitada aos altos executivos, e muito menos restrito aos profissionais de baixo salário. Dentro de qualquer área de atuação, é necessário trabalhar o desenvolvimento e a motivação do profissional, do contrário certamente teremos o equilíbrio geral afetado.

    Dentro de um clube como o Flamengo, a palavra “Crise” ganha um peso muito maior que aquele que lhe seria reservado. Como potência do futebol brasileiro, o Flamengo é sempre destaque nos meios de comunicação, assumindo um papel importante na audiência de tudo que é produzido pela imprensa, aumentando exponencialmente a visibilidade dos veículos que abrangem o assunto. Nesse quadro, como tem se comportado o termômetro da “Crise”?

    Mário Alberto - CriseSe tudo vai bem dentro das quatro linhas, todo o resto se desenvolve de forma satisfatória. Mas se a coisa vai mal, mesmo não existindo a tal “Crise”, ela acaba por ser instituída de fora para dentro.

    O Flamengo está passando dentro de campo uma fase de dificuldades como tantas outras já vividas. No entanto, já é o momento de inserirmos um diferencial na aproximação feita ao problema: o que fazer com ele?

    Talvez, ao invés de evidenciarmos os erros em campo, devêssemos também tentar identificar qual a causa do problema. Alguém já pensou nisso?

    As mudanças na realidade desse “novo futebol” que nos assola e nos faz recordar a simplicidade e a eficiência do passado, juntou salários milionários e profissionais sem preparo, num mix de difícil gerenciamento.

    O salário, embora bastante satisfatório, já não é mais a principal motivação para a entrega de resultados (e isso não acontece só no futebol).

    A individualidade se sobrepõe ao coletivo e a satisfação financeira é obtida de forma muito rápida, antes mesmo de o profissional desenvolver efetivamente sua necessária qualificação. O reconhecimento fomentado pela mídia e empresários, dá-se de forma quase instantânea, por vezes de forma precipitada e exagerada, acabando por sugerir objetivos cumpridos. Cria-se falsas expectativas em todos, resultando muitas vezes em cobrança exagerada por parte da torcida (ou de quem consome o produto) e, sobretudo, em acomodação e consequente despreparo de quem é cobrado para lidar com os momentos onde a “Crise” se instaura.

    Não se enganem. É preciso, sim, preparo como atleta e formação como homem, para superar momentos de grande adversidade e transformação, tirando proveito do sofrimento inerente à dificuldade passada.

    O papel do profissional que comanda um time de futebol tem que estar alinhado com essa realidade. E são variadas as formas possíveis de lidar com o tema. Nutrir as expectativas de auto-realização pessoal e profissional, é um dos poucos caminhos possíveis. Para isso, a motivação individual é essencial. O tema que logo nos vem à cabeça é o dinheiro, no entanto, como já falado, o dinheiro tornou-se apenas mais um dos fatores que motivam o profissional, é preciso realmente ir além.

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    É fundamental entender todo o processo que conduziu ao caminho para a “Crise”. E isso, embora não tenhamos tanto, leva tempo.

    Qualquer ação tem um grau de incerteza em relação ao seu resultado, sobretudo aquelas ações formatadas, a priori, sem o entendimento exato do processo.

    É preciso compreender o que desmotiva, ouvir os profissionais, resgatar os valores pessoais e, então, buscar movimentar as peças do xadrez e voltar a cobrar os resultados coletivos. A cobrança formatada, antes de um movimento vencedor no tabuleiro do jogo, ecoa no vazio, ou pior, bate nas peças que atrapalham o jogo e respinga naquelas que ainda permitem ter esperança de vencer.

    Por vezes, é preciso sacrificar algumas peças, até mesmo a rainha para vencer o jogo, mas nunca se anuncia antes a estratégia da jogada.

    O sacrifício necessário deve ser conduzido por quem comanda o jogo de forma serena. Nas ações efetivas é que se concretizam as jogadas vencedoras.

    A satisfação da torcida está diretamente ligada ao desempenho dessas peças e do comandante. E cada um deve ser desenvolvido ao limite, nos vários âmbitos necessários, e cobrado com seriedade e profissionalismo.

    Caso ainda assim não tenhamos resultados, é preciso sacrificar as peças necessárias e buscar no mercado outras alinhadas aos objetivos do Clube.

    Mas o descarte de peças tem que estar baseado numa estratégia vencedora, do contrário o sacrifício será de todos nós.

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     Cartoon: Mario Alberto / Lance!

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