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    Um certo capitão Léo Moura

    Por em outubro 10, 2014

    Por Marcelo Dunlop

    O ex-jogador Zé Roberto, ponta-esquerda do Flamengo nos anos de 1976 e 1977, tinha uma teoria: a braçadeira de capitão jamais deveria ser dada para os grandes craques. “Por uma razão muito simples”, explicava, em seu livro “Futebol: a dor de uma paixão”: “implacavelmente marcados, geralmente se encontram no chão no exato instante em que deveriam estar junto ao árbitro, apontando a violência ou a negligência da autoridade do mediador”.

    oie_TLW1c7Easy2C Léo Moura

    Leonardo Silva Moura não é a principal estrela do time rubro-negro. Talvez nunca tenha sido, nem em 2007 e 2008, anos em que foi eleito com justiça o melhor lateral-direito do Brasil. O niteroiense de 65kg tampouco é cai-cai, e seus anos de estrada, com passagem pela seleção e sua impressionante coleção de troféus, impõem respeito. Léo é dotado ainda de outros aspectos que o ponta Zé Roberto recomendava ao capitão ideal: não ser baixinho e ter boa dicção.

    Acho porém que Léo merecia, no próximo 23 de outubro, quando completa 36 anos, um presente da comissão técnica, uma gratificação pelos seus 500 jogos: deixar para outro infeliz essa chatíssima função de capitão do Flamengo, que já exerce desde 2010.

    Ser capitão do time exige que o sujeito trave com todos esses palermas que a CBF manda a campo com apito e camisa fosforescente diversas conferências ingratas, que correm sempre o risco de virar querelas, quando não escaramuças ou celeumas, ou pior, arengas e bafafás. É um papo quase sempre pouco proveitoso, de nível intelectual lamentável.

    Claro, Léo Moura poderia até dar de ombros para tudo isso, se os tivesse, o magrinho.

    O problema é que o nosso bravo e arisco lateral está cada vez mais hábil na arte de gastar o mínimo de energia para uma máxima eficiência ao atacar. É a arte de “só ir na boa”, como Léo explicou em entrevista recente por conta das 500 partidas. Isso significa que correr para ouvir o que o treinador tem a dizer não faz mais parte dos seus planos.

    Um amigo de ouvido ligado, segurança no Maracanã, escutou, no último Flamengo x Grêmio no Rio, parte das instruções iluminadas do emérito técnico Felipão: “Se fizermos o resultado, comecem a cair, atrasem o jogo”. A receita, manjadíssima no futebol brasileiro atual, foi seguida à risca outro dia pelo Santos, e é a mais eficiente e covarde fórmula de anular a força da torcida rubro-negra no Maracanã. Afinal, quem canta com a bola parada e um carrinho de maca em campo? Um dos antídotos para esse veneno chamado catimba é um capitão persistente, presente e com fôlego e alma para chegar junto do juiz.

    Cabe ao próprio Léo Moura aceitar ou não o regalo. Se concordar, Wallace, Chicão, Cáceres e Canteros estão aí doidos para apertar a arbitragem, do jeito que a galera e o Luxemburgo gostam. Caso decline educadamente da oferta, resta ao moicano liderar seus companheiros de fato, e arrancar pela linha de fundo rumo a um fim de carreira glorioso, e mais do que merecido.

    Na imortal história do Flamengo ele já está, escalado na lateral de um timaço: Cantareli, Leonardo Moura, Jordan, Jadir e Júnior; Liminha, Andrade, Adílio e Carlinhos; Zinho e Zico. São estes, segundo o site oficial do clube, os heróis que mais atuaram pelo rubro-negro da Gávea. Léo Moura pode escolher “ir só na boa” e manter o papel de codjuvante; ou fazer jus à sua escalação entre esses 11 monstros sagrados.

    Léo Moura

    Léo Moura

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