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    O Flamengo 2015 clama por um Dia da Reconciliação

    Por em novembro 11, 2014
    Por Marcelo Dunlop

    OIE flamengo reconciliação

    Não sei se foi o casal de vizinhos brigando aqui na janela ou o Facebook, mas essa falta de compreensão geral que estamos vendo em 2014 (“O ano em que ninguém se entendeu”) me lembrou uma antiga proposta de Antonio Maria.

    O cronista e compositor cantou para subir há precisamente 50 anos, mas parece que nos anos 1960 o pessoal também quebrava o pau, e muito. Daí que ele idealizou um novo dia para nosso calendário oficial, um feriado efetivamente útil e não daqueles instituídos somente para iluminar o comércio. O “Dia da Reconciliação”, segundo o bem intencionado autor, seria celebrado em lugares públicos, por cavalheiros mais ou menos em crise de amizade, que dariam palmadinhas nas costas dos ex-desafetos e deixariam de besteira, dá cá um abraço.

    Não sei quantas mãos de parlamentares do PMDB precisariam ser molhadas, mas o projeto poderia entrar na pauta. Talvez até para a salvação de nosso futebol.

    Dá para imaginar desde já a cobertura do novo feriado pelas emissoras de tevê, quem sabe com a apresentação do Escobar – ao lado do Dunga. As câmeras registrariam tudo: ex-presidentes, eleitores e políticos numa boa, as raposas da CBF escutando atentamente o Juca Kfouri, Galvão e Renato Maurício Prado em paz, o goleiro Aranha batendo papo com gremistas, ouvindo as piadas do Flavio Gomes. Ali por perto, o Xico Sá e o representante da “Folha” acertariam os ponteiros, e o Dado Dolabella seria flagrado abraçando tanto o Gregório como o João Gordo (“Ali não é uma gravata não? Nada, tudo certo, segurança”). E olha ali o Romário e o Cafezinho às gargalhadas!

    Bem verdade que nem o próprio Antonio Maria, um cético por natureza, foi capaz de confiar no sucesso total do “Dia da Reconciliação” – ele terminava a crônica dizendo que acabaria viajando para o interior na data dos reencontros, para não ter que fazer as pazes com os inimigos, para ele incorrigíveis. Mas fazer o quê, a ironia faz parte de quem escreve.

    No caso específico do Flamengo, a reconciliação mais urgente talvez nem seja entre nossos conselheiros, que dia sim dia não nos enviam grosserias na caixa postal de fazer corar ex-presidente vascaíno. Política de clube talvez seja assim mesmo. O grande reencontro necessário talvez seja o de Vanderlei Luxemburgo com seu velho espírito de vencedor, meio sumidão há algum tempo. Não se sabe quando ele brigou com a índole de campeão que o consagrou e começou a achar que ficar entre os cinco melhores times do Brasil é suficiente, mas ainda dá para recuperar aquela velha amizade. Para o bem de todos e felicidade geral da Nação.

    Outra reconciliação necessária antes da montagem do time para 2015 é a da promessa Luiz Antônio, versátil e aguerrido até ano passado, com a torcida do Flamengo. Prometemos parar com as picuinhas e abraçar novamente o meia de 23 anos. Basta que no tal dia ele chegue um pouquinho mais cedo e faça as pazes com a bola. O resto deixa com a gente.

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