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    Categorias de base: títulos ou formação?

    Por em janeiro 9, 2015

    Com as férias e o início da pré-temporada no futebol brasileiro, a lacuna vai sendo preenchida pela Copa São Paulo de Futebol Junior (mais conhecida como ‘Copinha’).

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    Assistindo aos jogos do Flamengo na competição e depois do Livecast com Mauro Cezar Pereira aqui no Falando de Flamengo, fiquei pensando a respeito da formação de nossos jogadores na divisão de base.

    Vendo mais de perto o time rubro-negro, vemos que não temos grandes valores a despontar nos próximos anos. Junte-se a isto o fato que o Flamengo há tempos não consegue revelar jogadores como nos idos dos anos 1970/1980. Qual seria o motivo para tal declínio técnico nas nossas divisões de base?

    Longe de mim querer ser o dono da verdade e o inventor de uma fórmula mágica para sanar esse tipo de problema. Contudo, avaliando o que vai acontecendo nas bases dos clubes brasileiros, podemos ter um panorama do que vem acontecendo.

    Em primeiro lugar, a cultura da formação da base mudou. Se antes tínhamos a preocupação de revelar jogadores, hoje estamos muito mais preocupados em ganhar títulos, o que ocasionou nos técnicos priorizarem jogadores mais fortes, mais defensivos e o pragmatismo de se jogar por resultados. Esse é um dos pontos para a extinção do nosso típico ‘camisa 10’.

    Este fato é ilustrado com a seguinte reflexão: ‘Quantos títulos de base a geração de ouro do Flamengo ganhou?’ x ‘Quantos jogadores foram revelados?’.

    Outro problema é a falta de estrutura dos clubes na base, sem um acompanhamento psicológico, que faz com que se percam muito dos valores revelados e também os jovens atletas sejam tratados como estrelas, sem limites, responsabilidades e disciplina. Isso sem falar na entrada maciça de empresários, que vão empurrando seus jogadores, grande parte das vezes de qualidade duvidosa e da famigerada Lei Pelé.

    A saída passaria por uma mudança de cultura e uma modernização na gestão da base. Por exemplo: fazer um contrato longo com o treinador da categoria e colocar metas de revelação de jogadores, e não metas de títulos, que obviamente seriam consequências do bom trabalho.

    Melhor revelarmos 2 ou 3 excelentes jogadores por ano, do que ficarmos lutando por Copinha, Otávio Pinto Guimarães e outros torneios de base e não ter retorno com a revelação de jogadores, vide o exemplo da geração campeão de Negueba, Frauches, Thomás etc, que praticamente se perdeu sem o retorno que foi projetado na ocasião.

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