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    O esforço de guerra do oceano azul

    Por em fevereiro 2, 2015

    O Campeonato Estadual deste ano começou muito antes de a bola rolar, e nisso todos repararam. O triunvirato formado por FERJ, Vasco e Botafogo, reforçado, creio por alguns rubro-negros insatisfeitos, vem torpedeando o Mais Querido, atacando o Sócio-Torcedor, enfim, há uma clara movimentação específica contra a atual gestão rubro-negra, o que evidentemente leva o sujeito mais experiente a desconfiar, e desconfiar muito.

    É imperativo que os milhões de cidadãos rubro-negros entendam o momento atual, e tenham a consciência de que há uma grave ameaça, muito mais importante do que qualquer Estadual. É a ameaça daqueles que querem manter o futebol dos 1 a 7, a ameaça daqueles que usam conceitos populistas para tentar reverter o momento rubro-negro aos tempos de ingresso a um real e contratos a milhões.

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    Para que se possa entender o momento, e acima de tudo entender o que teremos, todos, de fazer, é necessário discorrer no entanto sobre dois conceitos, um deles da ciência política e o outro do marketing (não necessariamente político mas, no entanto, se aplica): o Esforço de Guerra e o Oceano Azul. Vamos começar por este último.

    Oceano azul

    Chan Kim e Reneé Mauborgne, professores da Insead Blue Ocean, uma das mais importantes escolas de business da Europa, escreveram esse livro pela Harvard Business Editora (aqui no Brasil saiu pela Editora Campus) no qual abordam a importância de se criar novos mercados, novos desejos e necessidades, formando assim um oceano no qual o seu produto nada de braçada, sem concorrentes: um oceano azul. Na tese deles, o “oceano” da livre concorrência é o vermelho, onde as empresas se digladiam, avançam por poucas jardas, sobrevivem apesar das outras.

    No Oceano Azul, empresas como Apple, Starbucks, Cirque de Soleil e o vinho australiano [yellow tail] atuam em mercados que elas próprias formaram, já que o conceito que criaram atende a desejos e necessidades que a maioria das pessoas não sabia sequer que tinham. Sim, há 10 anos ninguém sabia que precisava de um tablete para deslizar os dedos ou de um circo sem animais. Hoje, as pessoas consomem isso tudo sem moderação.

    a-estrategia-do-oceano-azulVocê que não é Flamengo já adivinhou e já está me xingando porque percebeu que eu tive a ousadia de dizer que o Mengão Deflorador de Galáxias e Wormholes está, sim, em um Oceano Azul. Apenas uma feliz coincidência que a gestão atual tenha concorrido com a Chapa Azul – mas considerando que Carl Jung e sua teoria da sincronicidade (obrigado, The Police, por me fazer conhecer isso) negavam a “coincidência”, podemos depreender que o universo conspirou, sim. E o Mengão hoje é um produto atraente, um local para se investir, uma marca que navega incólume em seu próprio oceano, muito, mas muito azul.

    Se eu acho o time uma maravilha, se tudo está bem, se está tudo perfeito? Claro que não! Mas é diferente você conviver com um Flamengo que vive tendo recaídas de má-gestão e hoje em dia conviver com um Flamengo que nos mostra um futuro, uma visão do que pode ser mais à frente. Mal comparando, é como se tivéssemos trocado um carro esporte que sempre arriava a bateria no meio da estrada e bebia gasolina demais por um carro funcional, econômico, sólido e que pode virar uma Ferrari mais tarde.

    O mercado do Flamengo e de seu Oceano Azul tem no seu Sócio-Torcedor algo sem concorrentes. Com ele temos engajamento do torcedor, sensação de pertencimento, promoções, descontos, privilégios em relação a ingressos (comprar pela internet, usar o cartão do ST para entrar, sem as malditas filas e os cambistas de antanho). Ninguém mais oferece esse produto. Há outros programas ST e de ingressos, mas só o Flamengo tem um programa com esse produto maravilhoso no qual somos viciados: o próprio Flamengo.

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    O problema é que os Oceanos Azuis acabam irritando os mercados vermelhos (vide a guerra Samsung x Apple). Porque seus produtos substituem alguns tradicionais no coração dos consumidores, obrigando os concorrentes a tentarem a inovação de valor – ou, quando não são capazes, a apelarem para a maledicência. E creio que é o recurso que será utilizado para tirar o Flamengo de seu bom trilho.

    Esforço de guerra

    Mas aí você me pergunta: e o Esforço de Guerra? Sim, o Esforço de Guerra é o conceito que teremos de usar para defender esse patrimônio tão valioso, que é o Flamengo. Na ciência política, Esforço de Guerra se refere a períodos duros, em que sociedades inteiras eram obrigadas a esquecerem as diferenças internas temporariamente para combater um inimigo – tal como nos primeiros anos da Revolução Francesa para evitar a volta dos monarquistas e nos Estados Unidos de Franklin Delano Roosevelt durante a Segunda Guerra Mundial.

    Nestes momentos, homens, mulheres, crianças, idosos, cada qual dava o seu quinhão, o que fosse possível. No Rio de Janeiro, classificaria como Esforço de Guerra a mobilização da cidade em torno da ocupação do Complexo do Alemão em novembro de 2010, quando vários setores da sociedade apoiaram as polícias sem contestações ou ressalvas.

    Neste momento, você que ama o Flamengo mas odeia a Chapa Azul deve parar e refletir. Deve dar uma chance, porque o que estão tentando destruir é o clube, não a chapa azul. Claro que o alvo é o Sr. Bandeira de Mello e seus parceiros, mas o ataque que estão empreendendo é daqueles que atinge tudo em volta. É um Enola Gay sobrevoando a capital do mundo (o Flamengo) e ameaçando uma bomba de nêutrons para tirar os azuis da Gávea – e como são inimigos, não estão se importando se vão levar o clube junto.

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    E o Esforço de Guerra vai demandar isso: trégua temporária, engajamento total, defesa inconteste do Sócio-Torcedor, divulgação maciça do mesmo, adesão (se for possível e se for desejável) e atuação em bloco junto com o Mengão Triturador de Adamantium. Onde o Flamengo estiver, estaremos. O Esforço de Guerra geralmente dura pouco, exige reconciliações, esforços extras, engajamento e defesa de valores sólidos e que gerem união.

    Mal comparando, é como fez o Papa Paulo VI no Concílio Vaticano II, quando proferiu que “o que nos une é muito maior que o que nos separa”, em relação às cismas da Igreja Católica Apostólica Romana. Tal esforço preservou a Igreja em um momento de crise, numa década cheia de complexidades como a de 1960.

    Todos os líderes dos episódios citados acima perceberam que o inimigo seguia a máxima de Esopo: “divididos, eles tombam” (Divided they fall). A frase foi sampleada dezenas de vezes e chegou até a entrar na letra de Hey You, clássico do disco The Wall da banda britânica Pink Floyd: “together we stand/divided we fall”.

    Rubro-negro: nosso oceano (não importa se azul ou não) está sendo bombardeado e por gente que não merece nos ver cair. Não cairemos. Juntos, vamos perseverar. Com o Flamengo, onde estiver, estaremos, todos.

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