Google+

Um dia como Off-Rio

Por em fevereiro 6, 2015

Vou começar essa primeira crônica citando Camões “Amor é fogo que arde sem se ver”, vou buscar nos versos do poeta lusitano inspiração para falar de como sou admirador dos torcedores Off-Rio.

Sou Rubro-Negro desde que me conheço como gente, vou ao Maracanã desde sempre, com 11 anos fiz minha estreia no maior do mundo, Campeonato Brasileiro de 1992, Flamengo 4 x 1 Paysandu. O Zinho fez um golaço nesse jogo, costurou quase meio time paraense, lembro-me até do Léo Baptista ao reprisar os gols do Flamengo durante o Fantástico dizer: “Zinho, nome pequenininho e um gol de gente grande”.

A partir daí… matei muita aula para ir aos jogos, muito calote em ônibus, pedi dinheiro na porta do Maraca, falava para meus pais que iria para um churrasco ou a casa de um amigo e encarava um Flamengo e Vasco indo sozinho, diversos perrengues e muita história para contar.

Enfim, antes que eu fuja ao tema que propus e me perca nos milhares de devaneios de recordações que tenho no Maior do Mundo. Vou me ater e retornar ao raciocínio, quarta-feira, dia 04/02/2015, Três Lagoas – MS. Sim, aqui estou eu preocupado, nervoso desde as primeiras horas do dia. Pela primeira vez sou privado de ir ao Maracanã por estar longe, sabe como é… a gente cresce, e quando cresce descobre que ser criança era mais legal.

Ok, um Flamengo e Barra Mansa, pelo Euricão 2015, que não vale quase nada, beleza… Mas, para quem fez do Maracanã sua casa é uma tortura. Tortura que me fez refletir sobre como pode existir torcedores do Flamengo por toda parte do Mundo.

oie_zsXID7QK0aRK

E por fim descobri: é muito fácil ser Flamengo morando no Rio. Morando no Rio, com o Maracanã disponível é fácil, simples, o clube, a paixão, a torcida, a dor, o sorriso, tudo que sentimos, tem a recíproca. Toda ansiedade, todo o sofrimento é silenciado, com um grito de Gol, isso sem falar nos impropérios que podemos gritar durante a peleja, que aliviam qualquer estresse. Toda aflição acaba ao passarmos pelo túnel e nos sentirmos mais um na multidão, apenas um ponto na Magnética.

Por sua vez, pela primeira vez me senti só, sozinho na multidão, perdido no desconhecido. Primeiro ponto, como ver o jogo? Os Gambás jogando pela Libertadores, a cidade que é colada com o São Paulo. Primeira opção: Premier no telefone. Mas, a banda larga aqui é quase igual ao transporte público no Rio, ineficiente e ineficaz, uma bosta. Daí começa o segundo estágio: a apreensão. Busco daqui, dali, onde ver o jogo, qual bar… Sim! Encontro um bar, mesmo sendo apenas um (na verdade três, com um amigo Atleticano e outro Cruzeirense, que trabalham comigo e obviamente foram para secar) contra quinze corintianos, consigo graças ao traquejo carioca a prioridade no telão, mas, o imprevisível acontece, a operadora de TV saiu do ar devido à chuva.

oie_AiuDuHLC6AZG

Sim, passei o dia todo ansioso, como se fosse ao Maracanã, para às 22:00 não conseguir ver o jogo. Nesse momento percebi que “amor é fogo que arde sem se ver” e assim como milhões de Rubro-Negros nesse Brasil, amei, senti, e sorri sem ver, sem ouvir, sem estar do lado, sem fazer parte. E pude perceber que essa paixão, esse amor é mais irracional do que o meu.

Parabéns a todos os Rubro-Negros do Brasil, principalmente aqueles que mesmo de longe são Sócio Torcedor. Não existe torcedor mais Flamengo do que o outro, mas, ontem me senti um pouco menos Flamengo do que um Off-Rio.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.