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Opinião: Estádio do Flamengo aprovado?

Sabem de nada inocentes…

Por em março 19, 2015

Mais uma vez estamos em ano eleitoral no Flamengo e os rachas e as promessas começam a surgir entre “50 tons de azul”, vindo de onde menos se espera…

A imprensa divulgou informações contraditórias sobre a possibilidade de construção de uma “Arena” para o Flamengo criando um alvoroço nas redes sociais: 40 mil, 20 mil, provisório ou não, na Gávea, em outro lugar sabe-se lá onde (talvez em outro Estado para fugir da FFERJ!), com aprovação imediata do Governador e sem nenhum pronunciamento do Prefeito que é quem realmente interessa…

Resumindo tudo: NADA!

treino-gaveaEu começaria com uma questão de ordem:

O título de “Arena” insinua um desejo velado de se equiparar com a terra da garoa… Afinal, lá já são duas “Arenas” novas pelas quais todos babam desnecessariamente… Um crime com os Estádios que abrigaram o futebol carioca. Aqui no Rio sempre contou mais o “software” do que o “hardware”, talvez porque tenhamos disponível o mais mítico Estádio do mundo e também o maior Clube o Brasil.

Seguindo, posso afirmar que falta consistência na informação. O que é isso? O Governador já autorizou a “Arena” mas “falta saber onde…” (?!?!) Só alguma ingenuidade para imaginar que exista uma autorização formal para um projeto que ninguém viu e que (pasmem!) ainda não se sabe onde fica! A conversa pode ter existido, existe interesse em uma casa própria, mas não acredito que tenha passado de um “tapinha nas costa” e um “– Ok, podem contar comigo”. Postura que logo será flexibilizada com a grita da Associação de Moradores do Leblon, bairro onde mora o Governador.

Mas o show de inconsistência não para por ai:

O novo estádio de 40 mil lugares (ou mesmo o de 20 mil) ficaria pronto antes do fechamento do Maracanã para nova reforma (paga novamente com nosso dinheiro) visando os Jogos Olímpicos. Imaginemos então, que o Maraca esteja fechado a partir do final desse ano, seis meses para obras de adaptação seria um tempo razoável. O que não é razoável são NOVE meses para a construção de um equipamento desse porte! E repito, o qual não se conhece o projeto nem se sabe onde será feito! Improvável, se não impossível, cogitar isso.

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Insisto aqui, e já venho escrevendo sobre isso desde 2013 no Falando de Flamengo.

É possível sim a ampliação do Estádio José Bastos Padilha, a Gávea. Mas não será com uma simples “autorização” do Governador ou com um projeto de “Arena” imposto à cidade.

A viabilidade está no processo de desenvolvimento envolvendo todos os atores interessados. Para isso, é preciso ter muita habilidade projetual e política no sentido mais amplo.

São variados os pontos importantes como (i) respeitar o lugar em que está inserido, (ii) abdicar das ideia megalomanas, (iii) não abandonar a nossa maior casa que é o Maracanã e (iv) debater amplamente com a sociedade, equilibrando o ônus e o bônus de se viabilizar um Estádio compatível com aquele lugar, entre outros.

É fundamental ter atenção ao projeto como um todo, como parte de uma cidade e, por isso, preocupado também com o seu processo de desenvolvimento e impactos. Deve ser concebido um projeto consensual, construído em parceria com os atores envolvidos, gente que conhece o lugar, o Clube e o Rio.

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É preciso também ter cuidado com a possibilidade de construção de uma estrutura provisória para 20 mil lugares na Gávea (não acredito que com os padrões de segurança atuais esse número seja possível sem construir um enorme “elefante de aço”). A urgência por conta do fechamento do Maracanã pode ser um “tiro no pé”! Não há estrutura urbana para isso. A estação Gávea do metrô é hoje uma incógnita. Não há espaço urbano dimensionado e qualificado. Periga consolidar a ideia de que o ônus de um Estádio na Gávea será infinitamente superior ao bônus possível. Este desequilíbrio poderá inviabilizar qualquer possibilidade futura.

Não se iludam, apaixonados e inocentes torcedores rubro-negros!

Acredito sinceramente que, não será de uma hora para outra, ou pelo caminho de uma atuação topdown que conquistaremos nosso sonhado Estádio próprio.

Muita água terá que rolar…

Um processo deste tipo pode durar bem mais do que um ano, entre os primeiros movimentos até as autorizações finais. Muito tempo já se perdeu, oportunidades perderam potencialidade, propostas diversas, melhores e piores, ficaram pelo caminho, mas isso é mesmo assim. Tudo faz parte do jogo da cidade.

Para finalizar insisto na lembrança: Não esqueçam, o Maraca é nosso! Sempre!

Outros artigos sobre o tema:
> DE VOLTA PRA CASA: YES, WE CAN! (Julho de 2013)
> Voltando a falar de estádio: bons ventos sopram! (Agosto de 2013)
> Ventos incertos (Setembro de 2013)
> Estádio do Flamengo: Caminhos para legitimar um sonho (Fevereiro de 2015)

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