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OPINIÃO: Flamengo de rêmoras e tubarões

A natureza continua sábia

Por em março 29, 2015

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O ano de 2015 já traz o prenúncio das eleições presidenciais que realmente interessam, e a sucessão do Careca Lindo Eduardo Bandeira de Mello já começa a movimentar as peças no tabuleiro político mais movimentado entre todos os clubes do Brasil. Até porque, ninguém é gigante impunemente. Existe sempre um preço a pagar, e o Flamengo o paga com juros e a finada (?) correção monetária.

Eu poderia falar do mais recente movimento: a renúncia do Sr. Delair Dumbrosck da presidência do Conselho Deliberativo. Poderia falar das entrevistas concedidas tanto por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, quanto por Bandeira, e os movimentos de Plinio, Kleber e outros tubarões da política rubro-negra. Ao contrário de geral, eu vou me dedicar à raia miúda.

Por que à raia miúda? Porque é através dos movimentos dela que eu consigo entender para onde estão nadando os tubarões.

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No Flamengo, assim como na natureza, os filhotes de tubarão e as rêmoras não escolhem para onde nadar, seguem, quase cegamente, os desígnios de um tubarão adulto, porque dele dependem para a sobrevivência. Mas convém não confundir os filhotes com as rêmoras. Os primeiros aspiram se tornarem adultos fortes e influentes, a ponto de terem seguidores ávidos, assim como seus mestres os têm. Já as rêmoras não. As rêmoras não desejam se tornarem tubarões; talvez porque lhes faltem dentes afiados ou o olfato apurado para perceber gotas de sangue no oceano; mas gostam de gravitar no universo dos caçadores implacáveis. Ainda que somente as migalhas lhes sirvam de alimento.

Assim, olhando para onde nadam as rêmoras, sabemos para onde nadam os tubarões; e não há nada de mal nisso. Apesar do destino menos nobre e glamouroso, o que seria dos tubarões se lhes faltasse esses fiéis seguidores? Assim como em todo substrato social, o Flamengo desperta amores e interesses na mesma intensidade. E não considero nada de ilegítimo nisso, é o somatório das forças, por vezes antagônicas, que nos fez chegar até aqui. Não pode ser maldita a herança que nos legou o posto de maior vencedor de Campeonatos Brasileiros e, literalmente, campeões de tudo, inclusive do posto de torcida mais numerosa do país. Ainda que maldita a herança financeira que nos foi levada. Mas não deixa de ser curioso observar como opiniões são formadas e desconstruídas ao bel prazer das conveniências políticas de plantão. Não existe almoço grátis, e tem uma galera com fome.

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Continuo de fora, observando e concluindo com as informações que me chegam que ainda me faltam elementos para escolher entre os diversos tons de azul, aquele que me cai melhor. Mas não tenho dúvida de que a maneira mais segura de saber para onde nada o cardume de tubarões, é acompanhar o movimento das rêmoras.

Cadu Silva é carioca, servidor público, morador de Manaus, Sócio Torcedor, Sócio off Rio, ‘darfeiro’ e Flamengo até morrer. No Twitter, @cadumarsilva.

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