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    Se o time do Flamengo dormiu, está na hora da torcida acordar

    Por em abril 12, 2015

    Bom, mais um Flamengo e Bigoduda foi pra conta, já são 11 jogos sem perder para o pessoal que se joga da marquise, o que constitui novo recorde na freguesia, mas, não temos o que comemorar. O jogo foi ruim. Ruim não, péssimo. Empate com times acostumados a jogar em divisões subalternas nunca pode ser considerado um resultado ruim; é de péssimo para lá. O Mais Querido hoje não foi o Flamengo do restante da temporada, mesmo com a volta do Canteros, Everton (no lugar do Jonas) e praticamente o time titular. Os 11 do Luxa entraram sem vontade, sem disposição, minha impressão nos primeiros 15 minutos é que a rapaziada havia feito um tour pelos Bares do “Comida de Boteco” e estavam com aquela ressaca.

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    Pará não acertava passes de dois metros. Canteros não conseguia dar sequencia em uma jogada. Marcio Araujo nulo. Jonas quase arrancou a cabeça do Viceíno, e se o homem da capa preta estivesse com mais má vontade poderíamos ficar com um jogador a menos antes do 20 minutos de peleja. Mesmo assim, perdemos dois ou três gols, que poderiam nos dar aquela tranquilizada e fazer do clássico um passeio.

    Mas, não vim utilizar esse garboso espaço para falar do jogo. Vou falar de algo que já vem me incomodando desde a inauguração da mal fadada Arena Maracanã. Sim, Arena, pois o Maracanã morreu. Quem curtiu, curtiu. Quem viveu, viveu. O resto é lembrança. E isso percebi desde a reinauguração do Estádio. O Maracanã não é o mesmo, e não o é por conta dos seus banheiros limpos, corredores mais largos, cadeiras, etc… O Maracanã morreu, e morreu porque o povo que o frequentava não o frequenta mais. Isso é nítido para quem acompanha o Rubro-Negro desde 1992.

    O Maraca de hoje não é daqueles que vão com espírito de virar o jogo no gogó. Não é aquele do ‘frisson’ a cada escanteio. A arena de hoje é uma boutique com um desfile de modas e um bando de torcedor preocupado em tirar ‘selfies”. É um estádio frio, sem alma e sem tesão. O torcedor não pode beber, não pode fumar, não pode ficar em pé e esqueceu de torcer. Afinal, torcer para que? Se podemos fazer aquela ‘selfie’ e colocar no ‘Instagram‘ e ostentar que tive dinheiro para ir ao jogo. Sim, essa é minha impressão.

    Ou alguém pode concordar que com 10 minutos para começar um Fla x Flu, um sujeito esteja no seu lado jogando palavras cruzadas? Se você consegue se ausentar do ambiente assim, respeito, mas, ir ao Maracanã para mim, não é um programa. É um estado de espírito. E esse estado de espírito tem piorado muito, com as punições da RRN e da TJF esfriou de vez. E não estou aqui defendendo Torcida Organizada. Se vacilou, é punição e a pena tem de ser pesada. Contudo, percebo que com essas duas ‘entidades’ fora do estádio, o famoso povão (do qual faço parte) se perdeu. Não sabe ou não quer torcer. Vai ao jogo como quem vai ao cinema, um teatro. E, meus amigos, na minha concepção, no Maracanã não sou espectador. Vou para fazer parte, para ser o espetáculo. Se a torcida do Flamengo perder esse encanto, quem poderá mais fazê-lo?

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    Não deixem o futebol morrer. Tem que haver uma maneira de voltarmos a popularizar o acesso ao estádio. Vou aos jogos do Flamengo desde a época que nem mesada eu tinha. O Maracanã era sinônimo do povo brasileiro, brancos, negros, pardos, ricos, pobres, polícia, mocinho e ladrão. Hoje somos espectadores que só sabemos gritar gol entre uma ‘selfie’ e outra.

    PS1: Está na hora de mudar o perfil do torcedor. Não adianta atacar apenas um segmento. O Flamengo tem a missão de popularizar o acesso ao estádio, e só vamos conseguir isso, popularizando o Sócio Torcedor, ou barateando o preço do Ingresso.

    PS2: Fato novo no jogo de hoje. A Urubuzada promoveu uma ‘união’ com a FlaManguaça, Império e Flamante. Deu uma melhorada, mas, longe da pressão de antigamente

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