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Flamengo: futebol insosso para um Maracanã gourmet

Por em julho 13, 2015

camarote_flamengo_maracana_02Sim, sou antiquado, antigo, revoltado. Mas, me entendam… Sou do tempo da torcida jogar com o time, não do time jogar como torcida. Sou do tempo onde bambus (ou bambuzadas?) ditavam o ritmo da Torcida, não o “Pau de Selfie”. Sou do tempo onde perder no Maracanã era sinônimo de revolta, não de sorrisos. Sou do tempo da paixão pelo meu time, não do egocentrismo. Sim, sou do tempo do futebol de verdade, da torcida de verdade, onde ser Flamengo era ser diferenciado. Hoje somos iguais aos outros em sua pior característica, somos apáticos

Me pergunte: Você é contra o novo Maracanã? Pra caralho! Na verdade esse estádio não poderia ter herdado nem o nome do lugar que conheci. Onde torcedores tinham sangue no olhos, onde havia uma miscigenação genuinamente brasileira. Misturavam-se negros, brancos, ricos, pobres, amarelos, mas, “acima de tudo Rubro-Negros.” Não existia o eu, era “a gente”, não havia lugar marcado, o “Maraca era nosso”.

Infelizmente, além do cheiro de mijo, tiraram do Maracanã sua essência, sua pluralidade, tiraram o verdadeiro torcedor, tal qual, fizeram na Copa, e esse é um dos motivos do futebol 7×1. Prefiro torcer ao lado daquele que deixava de comer para acompanhar todos os jogos, do que torcer ao lado do “satisfeitão”, que tem a resposta das derrotas na ponta da língua: “Estamos pagando as dívidas”. Mas, futebol não é negócio é paixão.

Depois de 20 anos de arquibancada estou perdendo o tesão, e não é pelo futebol jogado em campo, acreditem! Já vi times piores. É por falta de rubro-negros na torcida do Flamengo. Torcedor do vermelho e preto nunca sentou no cimento pra ver jogo. Torcedor Flamengo nunca virou as costas para o campo durante uma partida e esse sempre foi nosso orgulho, éramos diferentes! Hoje me pergunto, “Que Torcida é essa?”.

Ontem eu tive o desprazer de observar de perto um exemplar perfeito do torcedor “New Maracanã”. Chegou com uns dez minutos de bola rolando, não viu os gols, ou petrolíferou palavrões. De costas, olhando para o celular, com quinze do  segundo tempo, foi embora, afinal, já havia cumprido sua missão. Tem fotos para todas as rodadas do brasileirão. Mas, faltou fazer o seu papel: cantar, gritar, aplaudir, xingar, extravasar. O time é seu reflexo e fez igual, sem vontade, sem inspiração, sem ser Flamengo.

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Sábado estarei lá novamente, além de saudosista sou insistente. Mas, de qualquer forma vou fazer um pedido. Se for, deixe o telefone em casa. Se o Flamengo estiver perdendo, não faça gracinhas para o telão. Se estiver pensando em ir apenas para ajudar financeiramente, pague o ingresso e fique em casa. Não atrapalhe aquele que está ali de corpo e alma. Prefiro cinco mil dos antigos Torcedores ao meu lado, que cinquenta mil “Torcedores Gourmet”. Obrigado!

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