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Tudo se justifica nas lágrimas de Jorge

Por em julho 16, 2015

Por Matheus Meyohas, do Deixou Chegar

Momentos difíceis vêm e vão em qualquer espécie de relacionamento. Ainda mais quando se trata de algo intenso como a paixão de um torcedor pelo seu clube de futebol, que acaba com dias, vara madrugadas e esvazia tardes por causa de 90 minutos, 22 homens e uma bola.

É por esse tipo de envolvimento que, dentre todas as reações demonstradas por um jogador dentro de campo, a apatia está entre as mais revoltantes. Ver um atleta que não parece se importar muito com o jogo, com o clube e, por consequência, com sua torcida, é intragável. Não há uma representatividade que justifique a entrega do torcedor.

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Assistindo aos jogos do Flamengo, por vezes me pego pensando nisso. Será que os jogadores ali realmente se importam com o que se passa com o clube? Com o resultado que terão na temporada? Se terminarão o ano campeões ou não? Se não for o caso, seriam eles dignos de representar a todos nós?

As respostas para cada uma dessas perguntas têm sido um convicto “não”. Mas as coisas mudam rápido, e as respostas se fragilizaram no chorar de Jorge após o gol diante do Náutico. Balançando as redes pela primeira vez desde que passou a acompanhar os profissionais, o lateral não se conteve e se atirou no gramado emocionado.

Foi intenso, bonito e verdadeiro. Foi um tapa na cara dos céticos, como eu, que sentem a morte do futebol como se conhecia, numa era de jogadores e times sem qualquer representatividade com a torcida e a história que carregam. No fundo, é a certeza de que, chorando ou não, alguém se importa. É o abandono da impotência para chegar à sensação de que, no final das contas, não estamos sozinhos. E talvez nunca estaremos. Voa bem alto, Jorge.

ESPN

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