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Guerrero: O exterminador de caôs

Por em julho 19, 2015

Por Matheus Meyohas, do Deixou Chegar

O Maracanã se vestiu de vermelho mais cedo. A cerveja nos arredores podia esperar. Só se falava em um nome antes da partida. Paolo Guerrero, o homem que acabaria com os caôs do Flamengo. Cada um dos mais de 50 mil presentes no ex-Maior do Mundo buscou a melhor posição para acompanhar a estreia dele com a camisa do Flamengo no estádio, diante do Grêmio.

É estranho. Não era para ser tão rápido assim. Um misto de carência, falta de referência e ânsia por bola na rede puseram Guerrero num pedestal muito cedo entre a torcida do Flamengo. Talvez com um pouco mais de distanciamento (e de tempo), seja possível entender melhor esse processo. É incrível como a torcida já nutre um carinho tão grande pelo peruano em tão pouco tempo.

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Não cometerei a loucura de usar termos como “ídolo” para ele, como vi gente fazendo. Um ídolo do Flamengo esteve, sim, em campo neste sábado, mas para receber a justa e atrasada homenagem pelo gol do hexa e seus serviços prestados ao Fla com coração e suor: Ronaldo Angelim (não poderia deixar isso passar em branco. Valeu, Magro de Aço!).

Fato é, porém, que a presença de Guerrero em campo mexe com a torcida e com o próprio time. É como se, com ele, ambos acreditassem que é possível não ser medíocre. O Flamengo deixa de olhar para os adversários com medo, implorando por misericórdia. Há uma referência, uma ilha de segurança na qual se apoiar quando a coisa apertar. Ele é o responsável pelo fim dos problemas, dos caôs enfrentados pelo Rubro-Negro.

Contra o Grêmio, o Fla matou o jogo no peito, fez um duelo aberto e equilibrado, venceu empurrado por sua torcida e conquistou, mais do que uma vitória, um atestado de sua própria capacidade. Mostrou que pode, afinal, ser feliz em casa, mesmo contra um dos melhores times no campeonato. Um resultado que nos faz questionar sobre a justiça da posição do clube na tabela. Os próximos jogos devem tratar de esclarecer essa dúvida.

Há um motivo pelo qual o Maracanã recebeu esse público, mesmo após aumento injusto do preço do ingresso e seguidas derrotas do Flamengo dentro de casa. O fato de de Guerrero estar em campo foi suficiente para acreditar que a reação possa mudar de sentido e que o Fla deixe o lado “impotente” da disputa, como declaradamente se sentiu Cáceres depois da derrota para o Corinthians.

Há quem se apresse em alertar aos rubro-negros. “Ele não é tudo isso”, “a atmosfera criada é exagerada”, “não se trata de um Romário”, dizem. Que seja. Guerrero tira o peso das asas do Fla, dá confiança para toda uma torcida. E como é mais fácil voar com a alma leve.

Ps: não haveria melhor maneira de homenagear o jogador do que com um funk, principalmente um que possa ser entoado pela torcida. Ficou lindo e tem a nossa identidade.

Ps2: Tomara que essa história de chamar o peruano de “General” não pegue, por motivos óbvios. Quem costuma venerar general é o outro clube da Zona Sul.

ESPN

 

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