CBF, Bandeira e Consciência do Bandeira

E não é que meu primeiro job como setorista do Mais Querido aqui no Falando de Flamengo não tem nada com bola?  Bem… Dado o jeitinho peculiar com que a Smurfada trata das coisas, até faz sentido. Mesmo porque nosso desempenho fora das quatro linhas segue caminhando anos luz à frente do… Do… Como é mesmo o nome daquele outro troço? Aquele no qual costumávamos mitar e aterrorizar os adversários? Ah… Futebol. Isso.

Cheguei sorrateiro e fiquei sentado ali naquela sala. Era um escritório decente. Nem muito chique e nem muito pobre. Adequado por assim dizer. Fiquei ali com cara de paisagem e aguardando o troço começar. Cheguei umas três horas antes. Confesso que fiquei tentado a dar uma fuçada nos computadores da CBF, mas admito também, medrei na hora. O fato é que a gente que trabalha com futebol acaba torcendo pras coisas acontecerem de forma decente. Fiquei receoso de encontrar ali algo mais terrível do que a minha decência pudesse suportar. E além disso, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Estava ali para presenciar a reunião entre CBF, Bandeira e Consciência do Bandeira.

Enfim, após tanta espera, chegaram os três…

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CBF – Sejamos diretos. Quer ser o Chefe da Delegação Brasileira na Copa América?

BANDEIRA – É sério isso? Ou vocês estão armando de botar veneno na minha comida? Sim, porque eu tenho tratado tão mal vocês, a FERJ e o desempenho desportivo do Flamengo que ultimamente ando desconfiando que todo mundo quer me ver morto.

CBF – Ahahahaha… É sério mesmo. Pensamos em você porque percebemos alguns pontos em comum entre o time do Flamengo e a Seleção Brasileira, pelo menos dentro das quatro linhas. Como você parece ter a manha de lidar com as coisas fora do campo… Quem sabe pode ajudar a gente a melhorar nesse ponto.

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Rapaz… Vai se misturar com essa gente? Tá sabendo que isso não vai pegar muito bem não, né? Vai ficar parecendo que estão querendo te comprar… Ou comprar nós dois… Sei lá.

BANDEIRA – Fica quieta na sua que eu resolvo. A conversa aqui é entre a CBF e eu.

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Então tá. Depois não diz que eu não avisei.

BANDEIRA – Na prática isso vai tomar quanto do meu tempo e o que eu tenho que fazer exatamente?

CBF – Bem… É improvável acontecer, mas caso o Brasil consiga chegar até a Final da Copa América, você passa 30 dias nos Estados Unidos com tudo pago. Ou isso ou até quando a Seleção se segurar na competição.

BANDEIRA – Sim… Agora… Meu negócio, como você já deve saber, são os negócios. O que um chefe da delegação faz? Tem que entender de futebol?

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Hmmm… É agora que a gente vai descobrir qual o caroço que tem embaixo desse angu aí.

CBF – Pois bem… Você acompanhou algum jogo recente da Seleção?

BANDEIRA – Não. Porque geralmente passa na hora dos meus programas de finanças favoritos na Globo News. E daí não dá pra ficar assistindo futebol, né?

CBF – Compreendo.

(Nesse ponto a CBF deu uma levantada e foi se certificar de que a porta estava mesmo trancada e que ninguem na sala de espera ia ouvir a conversa)

CBF – Pois bem. A sua função pelo visto vai ser fazer aquele troço que vocês fazem lá no Flamengo. Aquilo ali é lindo de se ver.

BANDEIRA – Pagar dívida?

CBF – Não. Isso também. Mas… Aquele outro troço.

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Lá vem…

BANDEIRA – Não estou entendendo.

CBF – É… Aquele negócio do time fazer um monte de merda nas quatro linhas e a maior parte da torcida achar que está tudo bem. Porque olha… É porque você não tem assistido, mas os jogos do Brasil estão de meter medo.

BANDEIRA – Ah tá… Isso aí é simples. Pode deixar comigo. É só preparar umas planilhas sobre qualquer assunto em que você seja superior aos outros. No nosso caso lá na Gávea, finanças. Daí você planta a notícia em qualquer veículo de imprensa… Tem que ser estrangeira porque dá mais credibilidade. Quando o troço for muito escabroso dentro do campo… Pá… Você vai lá e divulga. Tem gente que não tá mais engolindo esses trecos por lá não. Mas uma boa parte ainda aceita um Futuro Paradisíaco Não Calculável como moeda de recompensa para qualquer outra desgraça. Derrotas constantes pra times da Série B e C inclusive.

CBF – Muito bom. É exatamente disso que a gente tá precisando por aqui.

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BANDEIRA – Deixa comigo. Vai ser até bom umas férias. Ainda mais que coincide com o início do Brasileirão. E pode até ser que não, mas dado o nosso desempenho no Carioqueta e no início da Copa do Brasil, o negócio pode ficar bem quente por lá nesse começo de campeonato.

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Mas daí, caso as coisas não comecem bem, não seria interessante a figura do Presidente por aqui para amenizar as coisas?

BANDEIRA – Não perturba, Consciência. Eu resolvo tudo pelo whatsapp de lá mesmo. Além do que seu eu ficar por aqui adianta do que? Vou fazer o Jorge sentir vontade de jogar bola? Ensinar o PV a sair do gol? Dar aula de 4-3-3 e 4-4-2 pro Muricy?

BANDEIRA – Pode deixar, CBF. Já pode avisar pro Dunga e pros jogadores que tudo estará sob controle. Façam eles o que fizerem. Eu dou um jeito de parecer que está tudo bem.

CBF – Que bom. Ah… E sobre Brasília… Sobre aquele treco que a gente tentou embarreirar a criação do Flamengo-DF. Sem ressentimentos?

BANDEIRA – Nada. Tudo ok. A gente até prefere assim. Meio sem rumo. Um dia em Volta Redonda, outro em Manaus, outro em Brasília. Tem um povo reclamando, mas a gente já tá com umas planilhas lá no Excel prontinhas. Só aguardando a hora certa pra divulgar.

CBF – Belo trabalho. Estamos acertados então.

E ali acabou a reunião. A Consciência do Bandeira desistiu de alertar que podia não ser uma boa ideia, a CBF ficou satisfeita, e o Bandeira saiu da sala com um sorriso enigmático. Que poderia querer dizer: “Ah… O Poder. Ah… O Poder”.

FLÁZARO é setorista fictício do Falando de Flamengo

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