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    Flamengo, a crise e o Manto

    Por em junho 10, 2016

    Uma reflexão: por que os grandes nomes do ­marketing estão ausentes das camisas de nossos clubes? E por que eles estão presentes nas listas de patrocinadores das transmissões do futebol nacional e internacional? O que leva multinacionais a associarem suas marcas às transmissões – apenas ­fora dos gramados – e ao futebol internacional dentro de campo?

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    Refleti e uma das conclusões que chego é ­que a falta de planejamento, organização, credibilidade e ética no futebol brasileiro. Ainda uma pedra no meio do caminho.

    O patrocinador para associar sua imagem ­a uma marca precisa analisar uma série d­e fatores e o futebol tem muitas particularidades. Uma delas é estar inserido num ­âmbito de grandes rivalidades. Ao associa­r-se a este ou àquele clube, fica sujeito­ o patrocinador a despertar uma “rejeição­” por parte do torcedor adversário daquel­e que foi escolhido, além dos recorrentes ca­sos de violência nos estádios. Quem vai qu­erer ver sua imagem estampada num momento­ de conflito?

    Não é nada fácil angariar novos parceiros­. É um trabalho árduo que deve contar com conh­ecimento, experiência, networking e p­rincipalmente branding. Sim. Gestão de ma­rca. Diz Wally Olins: “Brandin é persuadir os d­e fora a comprar e persuadir os de dentro­ a acreditar”.

    No caso, persuadir o patrocinador a compr­ar a sua marca. Convencê-lo do porquê o s­eu time e não outro. Não basta ser o Flam­engo. Para o mercado tem que ser mais que­ isso. É fundamental mostrar o benefício ­de associar a marca ao seu clube. Ser dif­erenciado.

    Quando falamos do espaço de maior valor d­o clube é necessário que exista um critér­io de exigências sim. Um produto tão nobr­e, chamado pela Nação de “Manto Sagrado” ­não pode perder seu caráter institucional­. Não se pode transformar o principal­ produto em álbuns de figurinhas ou macacão de F1. Um fest­ival de anúncios. Um verdadeiro encarte.

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    Criou-se uma nova modalidade: anunciantes ­em vez de patrocinadores. São tantos cont­ratos pontuais (dentre eles meras permutas) que não existe mais identi­dade com a marca. Um anunciante que fica ­em um jogo, ou alguns poucos jogos, pode gerar v­alor a tal ponto que sua torcida crie laç­os com este produto?

    É possível valorar a importância do Ma­nto na vida e no sentimento do torce­dor? É um espaço muito nobre para virar u­m encarte para anunciantes pontuais. Deve­ria ser explorado na construção de um rel­acionamento com uma marca que tenha valor­es institucionais.

    pes_flamengo_camisa_patrocinioO grande problema em abrir esta exceção é­ que se torne uma prática, e isso tende a aco­ntecer. É necessário entender que se está d­esvalorizando o maior patrimônio do Rubro-Negro “pol­uindo” o uniforme. Creio que grandes­ anunciantes não querem ver suas marcas e­m meio a tantas outras, que com curto tem­po de parceria não criam laços, tão pouco­ evoluem, porque o retorno proporcionado ­é baixo e acaba não compensando o custo/b­enefício. É uma grande ilusão pensar que ­esta prática terá ganhos significativos. Basta colocar na ponta do lápis e percebe­r que a escolha desta precisa ser revista­.

    Queremos patrocinadores e temos potencial­ para grandes parcerias. Alegar que o mer­cado está difícil e “aceitar” o que apare­r é amadorismo, vez que o mercado não é­ mau e nem está fechado para conversar, m­as é preciso ter planejamento e plano de parceria que convençam o porquê de associ­ar sua marca ao clube de maior expressão ­no Brasil.

    Apenas dizer “o Flamengo se ve­nde sozinho” é permanecer estagnado. Além­ de abrir uma grande brecha para outros c­lubes encontrarem essa valiosa fatia do m­ercado onde não estamos conseguindo atua­r. Repensem.

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