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    Flázaro entrevista o Maracanã

    Por em novembro 6, 2016

    Bem… De tanto fala isso, fala aquilo, vai ficar com fulano, vai ficar com Cicrano… Meu Editor Lindo e Compreensivo, o PC, foi forçado a recorrer aos meus serviços mais uma vez. Após aquele ritual protocolar de sempre, gritos e pontapés, disse ele:

    – Flázaro, meu filho. Descobre essa porra pra gente. Sabemos quem quer ficar com o Maracanã, sabemos quem não quer mais ficar com o Maracanã, sabemos até muito bem quem não quer que o Flamengo fique com o Maracanã… Mas, afinal, o que o próprio Maracanã pensa disso tudo? Tem como ser?  

    Como não sou de negar trabalho, mesmo que o pagamento seja em pratos de comida, fora o fato de temer represálias por parte deste adorável ser que chamo de chefe… Parti para o estádio.

    A primeira barreira foi física. Tive que me instalar sorrateiro no teto do Maracanãzinho. Se é que se pode considerar discreto alguém no telhado de qualquer lugar que seja e portando um megafone.

    – Ô,  Seu Maracanã… Dá pra trocar umas palavras? 

    flamengo_corinthians_torcida

    Nada de resposta. Após alguma insistência, um pouco de atenção enfim.

    – Aaaannn… É o COI? Socorro… Já  não chega? Vocês ainda estão por aqui? Ou… Espera… Olha… Se for da FIFA, já querendo fazer mais cirurgia plástica em mim por conta da Copa América de 2019, nem pensar. Já tô cansado dessa frescura. Já sou um senhor. Não fica nem bem esse troço de retoquezinho toda hora. 

    – Não.  Eu sou da imprensa. É que tá  uma bulha danada pra decidirem quem vai tomar conta  de voc… Do Senhor. E daí meu chefe pediu pra vir aqui e perguntar diretamente pro principal interessado. 

    – Ahahahaha… Nem estou acreditando. Enfim alguém veio buscar a minha opinião. Já não era sem tempo. Sabe… Durante as poucas vezes em que recebi público esse ano, menos na abertura e encerramento das Olimpíadas, porque além de muito barulho tinha também um monte de idioma que eu não entendo, andei prestando atenção em uma conversa aqui e outra ali. Deu pra perceber que a confusão vai ser grande. 

    – Mas o Senhor tem preferência?

    – Escuta rapaz. Pode me chamar de você mesmo. Minha preferência é que  tenha futebol aqui, né? Não foi pra isso que eu fui construído? E umas três vezes na semana. Esse troço todo de Copa, Olimpíadas, não posso negar que foi bom durante, mas essa embromação toda antes e depois é um saco. Aliás, vários sacos. Cimento, areia, um barulho que não acabava mais. Só aporrinhação.

    – Eh… Eu deveria ser neutro e isento por ser da imprensa… Mas eu sou do Falando de Flamengo, e daí… Bem… Acho que o senh… Você entendeu o que eu quero saber, né?

    – Eh,  eh,  eh… Entendi sim. Bem,  meu filho. O Flamengo me enche né? Estou falando pelo lado positivo. Alguns  outros só me enchem a paciência. Mas não me incomodam não. Quando o Botafogo  joga aqui com time de fora  eu até simpatizo. Vejo um joguinho e não preciso carregar muito peso. O Fluminense até que, quando a situação  é  boa ou muito ruim,  faz bom  papel.  O que me mata é aquele  pó-de-arroz.  Antigamente eu nem ligava,  mas a idade acho que me deixou alérgico.  E também… Eles aparecem aqui,  jogam,  e a gente nunca sabe se o que  aconteceu  no campo vai ficar valendo  mesmo. Isso me passa uma sensação  de desrespeito,  mas aí é lá com eles. Já  o Vasco,  o Vasco tem lá  meu primo Januário. Volta e meia recorre ao velhinho aqui, mas eles se viram bem por lá. Nem tão bem assim nos últimos  anos, mas lá é a casa deles.

    – Mas então você prefere o Flamengo?

    – Eh,  eh,  eh… Não bote palavras nos meus portões. Vê lá o que vai publicar  que eu não quero escândalo com meu nome.  Eu não prefiro ninguém não. O Flamengo quando joga aqui é  uma belezura só. Que festa!!! Mas é como eu disse.  Sou um estádio e quero que  tenha futebol por aqui.  Outro dia liguei pro Pacaembu. Olha… Não  tá  sendo fácil a vida por lá. Anda até  deprimido por estar sempre  vazio. Dia desses me ligou e tava todo bobo porque o Flamengo andou fazendo umas festas e tal – Parou pensativo, deu uma coçada na marquise,  suspirou  e  –  Agora… Ouvi falar que,  pra continuar sendo o que sou (e quase não tenho sido ultimamente,  diga-se  de passagem),  um lugar de jogar bola,  é inevitável que o Flamengo esteja envolvido. Não entendo bem dessas coisas de dinheiro,  mas esse aí,  onde você está sentado,  comentou outro dia que esse monte de frescurada que fizeram com a gente deixou tudo muito caro na hora de botar a coisa pra  funcionar. Daí eu não quero nem saber se vai ser junto com francês,  com alemão, com a empresa disso ou com  a empresa daquilo. Se só o Flamengo  torna possível… Que ele esteja envolvido então. Mas eu queria que  mais gente jogasse aqui. Bem,  isso se a minha opinião ainda conta. Por exemplo… O Engenhão lá, quando  usado estava na mão do Botafogo, o resto não jogava lá? Acho que se organizar  essa bagunça todo mundo joga.  E com todo respeito a todos os meus amigos,  mas lugar de clássico carioca é aqui,  né?

    – Muito obrigado. Acho que deu pra entender. Você quer simplesmente ser o Maracanã.

    – É  por aí. Ah… Claro que um showzinho ou outro me agrada e muito… Uma festa… Aliás,  sempre me pergunto por que Papai Noel não vem mais aqui.  Aquela era uma comemoração danada de boa pra encerrar o ano. E outra coisa.  Se esse monte de plástica tá encarecendo  tudo… Olha… Eu não sou nada  vaidoso. Ficar bonito não enche meus olhos e nem me enche do jeito que eu mereço. Dá uma ajeitada.  Sei lá. Eu tenho uns parentes lá na Europa que deram um jeito de deixar atrás do gol com cara de antigamente. Arrancaram as cadeiras com frescurada,  tacaram o povo no concreto pra caber mais gente,  e dizem que o povo fica lá,  pulando feliz da vida, como se não  houvesse amanhã. Você tem como passar isso para… Ahahahaha… O pior  é que a gente nem sabe com quem tem que falar. Enfim… Desculpa bater nesse mesmo degrau de arquibancada,  mas não tem como.  EU QUERO FUTEBOL POR AQUI. O MÁXIMO  DE PARTIDAS QUE DER.    

    – Entendi. Muito obrigado pela  atenção. E a saúde como vai?

    – Ah… Tá  ótima. Com esse monte  de reforma tô até me sentindo garotão de novo.  Mas a gente sabe,  né?  É aquilo. Se ficar muito tempo parado  sem trabalhar acaba enferrujando.  Muito curioso pra saber se vou poder ser eu em 2017. Se você souber de algo me conta?

    – Opa… Pode deixar. E quando  finalmente decidirem você pode me conceder outra entrevista? 

    – Claro. Só aparecer.

    Flázaro  é ressuscitado e correspondente  de matérias  especiais  do Falando de Flamengo.

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