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    Flamengo: números do 3º trimestre de 2016

    Evolução, atenção e transparência

    Por em novembro 7, 2016
    flamengo

    Nas demonstrações financeiras do terceiro trimestre de 2016 do Flamengo, três pontos merecem destaque: (1) o endividamento geral; (2) receitas e (3) a falta de informações sobre algumas rubricas, que em nome da tão comentada e necessária transparência, deveriam estar mais bem explicitadas para os sócios e torcedores.

    É inegável que a imensa Nação passou, a partir de 2013, a se preocupar também com as questões extracampo, principalmente financeiras, portanto, julgo importante municiá-la de informações para que possa entender, acompanhar e discutir a gestão do Clube.

    flamengo balanco financeiro

    Em relação ao primeiro ponto, a noticia é positiva, uma vez que o endividamento geral do Clube continua caindo ano após ano. Pelo demonstrado no balancete, aparentemente as dívidas estão bem equacionadas e estruturadas de modo a permitir seu pagamento de acordo com o seu cronograma, desde que mantido o nível das receitas e dos gastos.

    Vale à pena frisar que não é necessário pagar toda a dívida para que o Flamengo se torne um Clube saudável; ter dívidas, desde que em montante, prazo e taxas de juros adequadas, é perfeitamente desejável.

    O segundo ponto é o que merece mais atenção, ao meu ver, no momento. As receitas apontadas no balancete registraram um aumento, basicamente pelo reajuste da cota de TV em contrato negociado antes de 2013. Já as rubricas de bilheteria, programa sócio torcedor e patrocínio apresentaram queda no período. Nota-se, também, um grande desequilíbrio na composição das receitas, muito concentradas nas cotas de TV, 51% do total, enquanto bilheteria, patrocínio e o programa sócio torcedor representaram 9%, 16% e 6% do total, respectivamente.

    MorroDaViuva

    Cumpre lembrar, ainda, que estão incluídas no total, receitas referentes ao valor do distrato com a empresa Rex em relação ao Edifício Hilton Santos no Morro da Viúva, no montante de R$ 15 milhões, valor este meramente contábil e não recorrente, ou seja, não são receitas normais do Clube.

    Com isso, o crescimento da receita recorrente acompanhou aproximadamente a inflação do período, mantendo-se estável em níveis reais. O crescimento da receita do Flamengo é fundamental para seu desenvolvimento, para sua mudança de patamar e deve ser tratado como prioridade. Note-se ainda na nota explicativa 21, o déficit de R$ 9,2 milhões dos esportes olímpicos e R$ 3,4 milhões de demais atividades; com isso, recursos do futebol foram utilizados para financiar estas atividades, o que não é recomendável.

    Finalmente, algumas informações contidas no balancete poderiam estar melhor detalhadas em nome da transparência, conforme sugestão a seguir:

    • Nota 4 – quais são os bancos que o Clube opera e o saldo aplicado em cada um deles?

    • Nota 5 – os recursos a receber pela venda do jogador Hernane (R$ 16,3 milhões) são todos do Flamengo?

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    • Nota 12 – informar o valor em reais do contrato com a Doyen para a compra do atacante Marcelo Cirino, da mesma maneira como foi feita na Nota 5 em relação ao Hernane. A divida, se tiver que ser paga em 31/12/17, será de € 4,66 milhões, equivalentes, atualmente, a R$ 16,8 milhões.

    • Nota 15 – conforme divulgado na imprensa na época, a aprovação do pagamento pelo Conselho Deliberativo teve como condição uma ação de regresso contra os eventuais causadores do prejuízo ao Clube na questão do Consórcio Plaza. Isto quer dizer que o Flamengo tem a possibilidade de recuperar este dinheiro. Essa informação, bem como o estágio desta ação deveria constar no balancete, pela relevância do seu valor para o Clube.

    • Nota 19b – comissões/intermediação de atletas – divulgar o nome do agente, valor recebido, o percentual cobrado sobre a transação e a forma de pagamento. O valor de R$ 6,8 milhões deveria ser melhor explicado, pois trata-se de um montante significativo para um valor de intermediação de atletas.

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    Concluindo, de modo geral, o balancete apresenta uma evolução positiva e demonstra que o Flamengo só depende de um crescimento maior e mais diversificado de suas receitas para poder aumentar sua capacidade de investir, principalmente no futebol, para que voltemos a conquistar títulos.

    Wallim Vasconcellos

    Sócio Proprietário, Conselheiro, ex-Vice Presidente de Futebol e de Patrimônio do Clube de Regatas do Flamengo

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