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    Diga-me com quem andas e eu te direi quem és!

    Por em fevereiro 14, 2017

    A segunda-feira foi dia de comentar a “selvageria dos estádios” a “morte de um torcedor”, a “briga entre torcedores” e, pasmem, a responsabilidade dos dirigentes de Flamengo e Botafogo no atentado que resultou no homicídio no entorno do Engenhão. Isso tudo pela imprensa esportiva, como se homicídio de membro de torcida organizada fosse algo inerente ao espetáculo, quase um impedimento mal assinalado.

    Tenho convicção que a solução passa pela correta definição do problema. Temos que dar nomes aos bois.

    O homem assassinado participava de uma organização que abriga criminosos violentos cujo principal objetivo é confrontar outros criminosos violentos que usam outra camisa. Nem todos os membros dessa organização são criminosos ou violentos, mas dão suporte anímico e/ou financeiro para que essas quadrilhas se auto-denominem “torcidas”; e pior, “organizadas”. Abro aqui o parêntesis para excluir algumas honrosas exceções de torcidas organizadas pautadas pelo legítimo apoio às suas agremiações.

    Não precisa ser muito inteligente para saber que se trata de uma atividade de risco.

    A esse caldo violento que escolheu o futebol como medida de inclusão em uma ou outra associação criminosa, some-se a leniência da Polícia Militar que, em justa reivindicação por salários, adota a covarde estratégia de colocar lenha na fogueira da violência para fazer de um clássico do futebol carioca um palanque para os seus pleitos.

    Finda a partida, a principal discussão gira em torno de um post do Flamengo no Twitter, prontamente respondido pelo Botafogo e a troca de farpas entre os presidentes dos clubes. Como se aqueles marginais que cometem homicídios precisassem de incentivo ou aval para cometerem as barbaridades que, infelizmente, já fazem parte da rotina deles. Pelo amor de Deus!

    Até quando vamos bradar contra a violência, quando o correto é prender O violento?

    A birra da diretoria do Botafogo vem da contratação do Arão e, a despeito de algumas decisões lesivas aos cofres já combalidos de General Severiano, como achar que pode prescindir dos jogos do Flamengo no Engenhão, está sendo resolvida pelos homens de terno, nos tribunais; com toda a fidalguia e liturgia inerentes à atividade jurídica. Sem violência.

    Cansei de descer a rampa do Bellini zoando ou sendo zoado pelo torcedor rival que estava ao alcance das minhas mãos, ambos sabendo que a segunda-feira seria dedicada ao deboche daquele que houvesse perdido algum clássico. Isso sempre fez parte da magia do futebol. Pelo menos aqui no Rio: o jogo começava domingo de manhã, na banca de jornais e acabava no almoço de segunda-feira, depois da humilhação sadia dos perdedores. Alguém matava o adversário? Alguém levava porretes para a porta do estádio? Então, menos!

    Pelos clássicos com torcida mista, pelas musicas provocativas, pelos posts irônicos, pelo papel higiênico e picado, pela rivalidade entre dirigentes, pela provocação entre jogadores e, PRINCIPALMENTE, pela prisão dos bandidos. Por que, sem bandidos nos estádios, todo o resto está permitido.

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