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    Direito ao voto no Flamengo

    Por em fevereiro 16, 2017

    Ontem, nas minhas incursões no Twitter, debati com alguns amigos rubro-negros acerca da possibilidade de os sócios-torcedores votarem nas eleições para Presidente do Flamengo.

    Inicialmente, convém esclarecer que hoje, de acordo com o Estatuto do clube, o sócio-torcedor não é considerado sócio do clube e, portanto, não possui direito de votar e de ser votado, ainda que o próprio estatuto preveja que a administração deva observar, entre outros, o princípio da gestão democrática.

    Os Termos de Uso do programa Nação Rubro-Negra prevêem que trata-se de “uma ferramenta por meio da qual será possível promover a integração e a reunião de todos os interessados em aproximar-se, da melhor forma cabível, do Clube de Regatas do Flamengo, da sua rotina e de seus membros, bem como gerar benefícios reais aos participantes e contribuir para o Clube”, e o gerenciamento do programa pela GOLDEN GOAL SPORTS VENTURES, CNPJ sob n.º 06.227.829/0001-08, o que, na pratica, terceiriza o controle de quem está apto ou não aos benefícios inerentes aos planos de ST.

    De pronto, observo que o argumento de que o sócio-torcedor é vinculado apenas ao futebol do clube (usado por mim, inclusive) não corresponde à verdade, até porque, existem promoções envolvendo outras práticas desportivas. Assim, depende exclusivamente de decisão do Conselho Deliberativo, a alteração do Estatuto do clube,  datado de 10/08/1992 e consolidado em 02/08/2016.

    A grande pergunta a ser respondida é: queremos um modelo no qual o sócio-torcedor tenha poder de voto?

    Recentemente, tivemos denúncias de eleitores patrocinados influenciando decisivamente nas eleições de um clube do Rio de Janeiro. Nem mesmo a exigência de um ano de vida associativa foi suficiente para dissipar as suspeitas.

    Muitos dos que defendem a ampla participação do torcedor no pleito sugerem como trava o prazo adotado pelo Fluminense, 2 anos ininterruptos. Vamos assumir o prazo de 3 anos, que já é o tempo para qualquer sócio-proprietário adquirir direito a voto.

    Fazendo uma conta básica, 36 meses pagando R$29,90 ao mês, chegamos ao desembolso de R$1.076,40 para que qualquer pessoa possa votar para presidente. Democrático, mas perigoso. Me parece desproporcional o investimento de alguém que queira garantir 1.000 votos, por exemplo, e gerir aproximadamente R$1,2 milhões em 03 anos.

    O legítimo interesse dos rubro-negros mundo a fora de participar efetivamente da vida política do clube, trará também um efeito colateral: as torcidas organizadas se transformarão, imediatamente, em currais eleitorais. As características especiais desses agrupamentos e os interesses, por vezes, opostos aos interesses do clube, farão aumentar o poder político das lideranças das organizadas, uma vez que possuem poder de mobilização e disporão de real poder de influir no pleito.

    Sempre importante lembrar que, desde que estejam dispostos ao comparecimento presencial, os sócios off Rio possuem direitos políticos no clube.

    É muito válida, e deve ser levada em consideração, a preocupação de que os frequentadores da piscina ou da quadra de tênis que, muitas vezes nem torcem pelo Flamengo, possam influenciar nos destinos do clube. Eu mesmo conheço alguns sócios que torcem por rivais, estão pela Gávea mais pela localização privilegiada do que por paixão clubistica.

    Qual seria a maior ameaça? Que eles coloquem o parquinho e não o futebol como prioridade, certo?

    Responsável por uma parte ínfima do orçamento do clube, a área social tem pouco poder de combalir as finanças do clube. Me parece razoável que qualquer um que pretenda assumir o cargo maior do clube se preocupe com a estrutura da Gávea. Menos provável é um movimento orquestrado de sócios simpatizantes de outras agremiações para, deliberadamente escolher alguém incapaz de gerir até mesmo o espaço pelo qual eles pagaram caro para usufruir.

    Até porque, minha percepção é de que as decisões no Flamengo são tomadas por rubro-negros. Não mais rubro-negros do que aqueles que não podem ser sócios, mas não menos.

    Muito mais possível (e perigoso) que, necessitando de apoio dos sócios-torcedores, algum aventureiro contrate um ex-craque em atividade para satisfazer a massa sedenta por prazeres vãos. Ou distribua gratuidades nos estádios…
    Não há, em nenhum caso, garantia de acerto. O voto dos sócios já elegeu muito presidente fraco (para dizer o mínimo) no Flamengo, mas o voto do sócio-torcedor já derrubou o Internacional para a série B. Qualquer que seja a fórmula, o principal é construir um clube responsável e vencedor.

    2 Comments

    1. Rafael

      18 de julho de 2018 at 10:17

      Permitir às massas votar é desqualificar o voto com maior consciência. O povão não tem estofo, bases educacionais, capacitação para escolher um presidente (leia-se gestor, CEO, chairman) que seja capacitado tecnicamente (como o Eduardo Bandeira é) para conduzir de forma brilhante a gestão do clube.

      Assim como o povão vota numa idiota como a Dilma, o mesmo poderia ocorrer no Flamengo.

      Em contrapartida, aquela elite econômica (moradores do Leblon e adjacências em sua maioria) tiveram oportunidade de estudar em ótimas instituições, tem razoavel base cultural e neste universo é mais comum encontrarmos empreendedores, que são indivíduos com uma visão e entendimento maiores das finanças envolvidas no processo de gestão de jma empresa que possui csntebas de departamentos, milhares de profissional mais envolvidos diretamente e indiretamente te e um orçamento quase bilionário.

      Voto na minha opinião é algo extremamente impróprio. Se você tivesse um negócio você preferiria que um conselho formado por pessoas altamente técnicas, profissionais renomados, que entendem de cada particularidade do negócio escolher o presidente ou faria uma votação pra que todos cizinhos, transeuntes, funcionários em geral escolhessem o cara que vai administrar o seu negócio? E se eles escolhessem uma Dilma, uma anta incapacitada? Você iria a falência amigo!

      Portanto, como está não é o ideal, mais ainda é melhor que teremos a grande massa com poder de escolha. Aí a lambança poderia ser generalizada e tende a ser pois a incapacidade de escolher um quadro tecnicamente qualificado é zero!

    2. Rafael

      18 de julho de 2018 at 10:21

      Corrigindo alguns erros de grafia e do corretor ortográfico, pois eacrevi sem revisar:

      Permitir às massas votar é desqualificar o voto com maior consciência. O povão não tem estofo, bases educacionais, capacitação para escolher um presidente (leia-se gestor, CEO, chairman) que seja capacitado tecnicamente (como o Eduardo Bandeira é) para conduzir de forma brilhante a gestão do clube.

      Assim como o povão vota numa idiota como a Dilma, o mesmo poderia ocorrer no Flamengo.

      Em contrapartida, aquela elite econômica (moradores do Leblon e adjacências em sua maioria) tiveram oportunidade de estudar em ótimas instituições, tem razoavel base cultural e neste universo é mais comum encontrarmos empreendedores, que são indivíduos com uma visão e entendimento maiores das dinâmicas envolvidas no processo de gestão de uma empresa que possui centenas de departamentos, milhares de profissional mais envolvidos diretamente e indiretamente e um orçamento quase bilionário.

      Voto na minha opinião é algo extremamente impróprio. Se você tivesse um negócio você preferiria que um conselho formado por pessoas altamente técnicas, profissionais renomados, que entendem de cada particularidade do negócio escolhessem o presidente ou faria uma votação pra que todos vizinhos, transeuntes, funcionários em geral escolhessem o cara que vai administrar o seu negócio? E se eles escolhessem uma Dilma, uma anta incapacitada? Você iria a falência amigo!

      Portanto, como está não é o ideal, mais ainda é melhor que termos a grande massa com poder de escolha. Aí a lambança poderia ser generalizada e tende a ser, pois a incapacidade de escolher um quadro tecnicamente qualificado é zero!

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