Google+

Torcida única

Por em fevereiro 17, 2017
flamengo vasco

Hoje eu preferia escrever sobre um pós jogo, mas diante da partida morna de ontem, apesar da classificação, eu optei por falar sobre um tema que vem me incomodando ultimamente.

Torcida única. O Futebol é um esporte nacional e desde sempre somos referencia no assunto. Exportamos o que temos de melhor para o mundo. O futebol é e sempre foi nosso de raiz. Ver a mácula que se forma nas notícias pelo mundo quando o tema é o futebol Brasileiro é um retrocesso.

Falamos tanto na modernização do futebol, no novo momento, no aumento do ticket médio dos ingressos, na mudança de público, em novas arenas, e tantos outros indicadores que nos mostram a nova realidade, e estamos debatendo sobre violência e torcida única?

Não me parece coerente. Estamos agindo de maneira ultrapassada e direcionando a culpa de maneira equivocada.

Se temos pessoas violentas no ambiente do futebol, e culpa não é do futebol. Isso já foi debatido lá atrás nos anos 80 e 90, quando grandes tragédias aconteceram com torcidas em estádios ultrapassados em várias partes do mundo. Tudo isso foi analisado e o assunto muito debatido.

A Inglaterra que é um grande exemplo a ser lembrado quando se fala em violência em estádios, e uma forte atuação foi providencial para resolver a causa na raiz.  Em um grande trabalho realizado foi identificado que era necessário mudar a qualidade de instalações e acomodações, e isso foi feito. Todos os estádios foram modernizados, e isso já é realidade no mundo inteiro. Mas além disso uma politica preventiva de violência foi implementada, torcedores violentos são identificados e retirados de estádios. São banidos. É preciso mapear essas pessoas que estão lá com outro propósito que não é acompanhar o espetáculo. É preciso ter um trabalho de parceria entre clubes e secretaria de segurança, com objetivo de identificar e tirar do mapa do futebol, aqueles que ali estão para vandalizar.

O mesmo cidadão violento que atua desta forma no entorno dos estádios, certamente leva uma vida nos mesmos moldes. Então o problema não está no futebol. Apontar para politica de torcida única como solução, é levantar a bandeira de incapacidade de lidar com a violência que é questão de segurança pública.

Os clássicos são a tradição no futebol, é o que move e fomenta a paixão de torcedores no mundo inteiro. E além disso, proibir que torcedores adversários se encontrem dentro do estádio, não inibe que a violência aconteça nos arredores. Vai acontecer.

O grande problema no Brasil é a certeza da impunidade aliada a penas ridículas previstas no Estatuto do Torcedor. Assistimos cenas lamentáveis de guerra onde marginais atuam e saem sem culpa no cartório. Isso não quer dizer que em outros lugares não aconteça, acontece também, com a diferença que a lei é aplicada e os culpados punidos.

De que adianta dizer que baniu a torcida “x” ou “y” do estádio? Se os membros e fundadores mudam sua bandeira e seguem firme no seu propósito de violência?

Isso não é punição. É uma medida inócua.

Temos que nos unir, torcedores, clubes, e sociedade no geral, e cobrar dos governantes e Federações medidas de segurança que funcionem, cobrar leis duras e seu cumprimento de fato. A violência no futebol, é a mesma violência que existe no dia a dia e tem que ser combatida.

Acabar com o espetáculo não põe fim à violência. Essa medida é interessante somente para aquele que por falta de competência não consegue administrar a segurança da população. O cara violento que causa confusão em estádios e arredores, este não é torcedor, este é bandido, e bandido é de responsabilidade da secretaria de segurança.

Do jeito que caminhamos, o torcedor está fadado a ser refém do sofá, da televisão e do bom e velho rádio. É o fim do futebol.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.