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    Flamengo 2 x 2 Vasco em três atos

    Por em março 27, 2017

    A chuva, o apagão, o cata-cavaco invertido do árbitro Luis Antonio Silva dos Santos, o pênalti mal marcado no fim. O Clássico dos Milhões teve cenas dignas de um episódio antigo do Canal 100. No campo, na disputa de bola, ele pode ser dividido em três diferentes atos que explicam a alternância de Flamengo e Vasco durante partida, traduzida, no fim das contas, no 2 a 2 no placar.

    Da preparação pormenorizada de Milton Mendes para o Vasco, passando pela reação implacável do Flamengo após a expulsão de Luis Fabiano, finalizando no bem-sucedido abafa cruz-maltino, assim se desenrolou a batalha tática no Estádio Mané Garrincha:

    Primeiro ato: o nó tático do Vasco

    Logo após a vitória sobre o Madureira, Milton Mendes afirmou que começaria naquela noite de quinta-feira a analisar o Flamengo para elaborar uma estratégia. O estudo deu certo. O Vasco entrou em campo atento, cumprindo à risca o plano traçado pelo treinador: marcar individualmente laterais rubro-negros, explorar contra-ataques e esperar o momento certo para pressionar.

    – Soubemos neutralizá-los, usamos a velocidade, a arma que tínhamos treinado. Tentamos esse cenário (nos treinos), e aconteceu realmente. Dentro disso tínhamos planejado esse jogo, e em alguns momentos executamos – explicou o treinador vascaíno.

    flamengo vasco

    O gol do Vasco saiu num lance treinado, segundo Milton. Pressionar Réver era a estratégia, e Luis Fabiano executou perfeitamente, ao desarmar o zagueiro e acionar Nenê para o cruzamento do gol de Pikachu. Naquele momento, o Vasco tomava conta do jogo, trocava passes com facilidade e não era ameaçado.

    O Rubro-Negro, por sua vez, parecia não conseguir ditar sua habitual ideia de jogo. Não trocava passes e errava. Tinha menos posse de bola do que de costume. O meio de campo proporcionava espaços para o Vasco avançar, e os pontas pouco apareciam. Zé Ricardo reconheceu o começo de jogo complicado. Após o apagão de luz que deixou o estádio no escuro por alguns minutos, o Fla até ”acordou” e quase empatou no fim da etapa, com boa jogada de Pará pela direita. Mas Damião não chegou na bola.

    Segundo ato: a expulsão de Luis Fabiano

    O Rubro-Negro melhorou mais na partida após Luis Fabiano ser expulso, aos oito minutos do segundo tempo. Ali, o Vasco demorou para se recompor. Nenê ficou isolado como atacante. O Flamengo foi implacável. Em 10 minutos, virou o jogo.

    Com um a mais, o Flamengo fez valer a vantagem em espaço com rapidez. Voltou a acelerar também pelos lados do campo, explorando melhor as laterais. Os jogadores do meio enfim conseguiram ser mais efetivos na saída. Com a confiança em alta outra vez, parecia ter decidido o jogo do Mané Garrincha. A torcida, empolgada, chegou a gritar olé.

    Terceiro ato: o abafa do Vasco

    Atrás no placar e com um jogador a menos, o Vasco tinha poucas perspectivas na partida. Mas a última mexida de Milton Mendes funcionou. Ao colocar Thalles no lugar de Jean, ele empurrou o time para a frente e apostou numa pressão. O centroavante fez companhia a Nenê no ataque, Escudero e Manga abriram pelas pontas, e Douglas, incansável no meio-campo, foi o responsável pela contenção.

    O Flamengo tinha bastante campo para contra-atacar, mas não conseguiu. Pelo contrário, se retraiu e viu o Vasco conseguir uma improvável pressão nos minutos finais. Zé Ricardo colocou Marcelo Cirino no lugar de Berrío, mas o atacante, sem jogar desde o início de fevereiro, cometeu duas faltas de frente para a área. O jovem Paquetá substituiu Mancuello, correndo mais que o argentino. Apesar da insistência vascaína, tudo levava a crer que o resultado seria mantido.

    Antes do pênalti mal marcado convertido por Nenê, o Cruz-Maltino havia acertado o travessão num chute de Douglas e quase empatado numa cabeçada de Jomar. O empate, num lance equivocado (a bola bateu na barriga de Renê), premiou a ousadia de Milton Mendes e castigou o recuo do lado rubro-negro no fim.

    GE

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