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Efeito Tite no futebol brasileiro

Por em março 30, 2017

Eu não preciso enumerar os porquês mas a CBF não é exatamente um convento de freiras. A entidade máxima do futebol brasileiro tem todos os presidentes vivos enrolados com a justiça americana e uma tradição de abrigar dirigentes muito mais afeitos ao trato político do que ao trato da bola.

Pois bem, ainda que involuntariamente, a CBF vem dando o maior exemplo dos efeitos positivos da meritocracia em comparação aos efeitos deletérios das escolhas corrompidas. E não me refiro unicamente àquela corrupção criminalizada dos favores espúrios em troca de benefício financeiro, incluo aquela que talvez seja a que gere a pior consequência: as escolhas motivadas por fatores externos à finalidade dos empreendimentos.

Havia alguma dúvida de que Dunga não era o treinador mais capacitado do Brasil em 2014? Creio que não! Ainda sim, ele foi o escolhido para comandar a seleção mais vitoriosa do mundo em seu momento mais delicado. Após uma derrota vergonhosa numa semifinal de Copa do Mundo disputada em casa. Já se perguntaram por que? Quem o contratou sabia exatamente o que estava fazendo, o que leva à conclusão óbvia de que o objetivo da direção da CBF divergia do objetivo social da entidade, que deveria ser promover o desenvolvimento e a excelência do futebol brasileiro.

tite

Sentindo a água subindo rapidamente e o perigo imediato de naufrágio após a campanha ridícula na Copa América, a cúpula do nosso futebol foi obrigada a recorrer ao que temos de melhor: Tite. Tão grande era o senso de urgência que o novo treinador pôde fazer algumas exigências e levou todo o seu staff para a seleção.

Depois disso, e da demissão do agora novamente empresário Gilmar Rinaldi, que dias antes da dissolução do seu projeto chegou a afirmar que o trabalho estava no caminho certo, Tite começou a provar ao Brasil que o fim do compadrio, das indicações políticas, dos critérios ultra subjetivos de escolha, que são o que há de mais deletério nesse nosso jeito tupiniquim de tocar os negócios, públicos e privados, é a única saída possível. E que os resultados da mudança podem ser mais rápidos do que sequer poderíamos imaginar.

Imagine o que seria do futebol se todos os cargos fossem ocupados com esse critério! Imagine o que seria do país se todos os cargos fossem ocupados com esse critério!

Talvez agora não estivéssemos com esse senso de urgência de ter um estádio para chamar de nosso numa cidade na qual já foram construídos com dinheiro público, demolidos, reformados e reconstruídos lugares suficientes para abrigar todos os jogos dos clubes do Rio. Como torcedor, eu quero muito uma Arena própria; como contribuinte, eu considero um acinte.

Quem dera o Tite da administração pública respondesse pelo Estado do Rio de Janeiro, o Tite da engenharia respondesse pela Odebrecht e por aí vai…

Saudações rubro-negras.

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