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Derrota na Ilha expõe (mais uma vez) as (mesmas) fraquezas do Flamengo

Por em julho 14, 2017

Não que tenha sido um jogo absolutamente horrível. O Flamengo dominou as ações, o Flamengo criou chances, o Flamengo poderia, com um pouco mais de capricho e tranquilidade (e um pouco menos de afobação e vontade de chutar a bola no centro geométrico da camisa do goleiro gremista), ter chegado ao final da partida com um resultado diferente. Mas não chegou. E não chegou pelos mesmos motivos que já fizeram, tanto esse ano quanto ano passado, que o Flamengo perdesse pontos importantes contra equipes que sabem ao menos minimamente se postar na defesa.

Primeiro pelo fato de que o Flamengo só sabe jogar de um jeito. Não existe variação, não existe plano B, se Zé Ricardo tivesse um armário onde guarda seus esquemas táticos ele iria parecer o guarda-roupa do Cebolinha, apenas shortinhos pretos e camisetinhas verdes onde tá escrito “4-3-3 com atacantes abertos”. Existem jogos em que isso encaixa maravilhosamente? Claro. Mas existem outras partidas em que o 4-3-3 apenas não funciona, o jogo não flui, e o Flamengo precisa ser capaz de oferecer algo além de “bem, vamos continuar tentando desse mesmo jeito até eles cansarem, não sei?”.

Depois pelo fato de que Zé precisa aceitar que os jogadores devem ser utilizados de acordo com o que são capazes, não de acordo com o que ele espera. Damião sabe finalizar, Damião é um jogador raçudo, Damião até mesmo sabe dar hadouken. Mas sabe fazer pivô? Não sabe. Tem capacidade para armar uma jogada? Não tem. Consegue se posicionar e achar espaços? Se consegue não demonstrou até hoje. Então manter com ele o mesmo formato de jogo que era usado com Guerrero, um atacante talvez menos finalizador mas que tem todas essas outras aptidões, é o tipo de aposta que mostra que ou o treinador desconhece as capacidades dos seus atletas ou acha que está numa série de super-heróis do canal CW onde qualquer desafio pode ser superado com um bom discurso motivacional.

Por fim, é preciso abordar a questão do Flamengo e seus volantes, que, ainda que tímidos na armação das nossas jogadas se mostraram mortais na criação de chances para o adversário. É mesmo aceitável que o Flamengo, um clube que tem um meia de seleção como Diego, um atacante reconhecido internacionalmente como Guerrero, que está negociando com um goleiro do nível de Diego Alves, não conte com opções melhores para a posição que Cuellar, um jogador bem disposto mas no máximo mediano e Márcio Araújo, um volante tão limitado que as limitações dele tem as próprias limitações, todas bem limitadas? Não existem nomes na base, não existem opções no mercado, não existe realmente a possibilidade de termos uma dupla de volantes que não pareça menos preparada para o jogo do que os torcedores que participam daquelas brincadeiras de chutar bola no campo durante o intervalo da partida?

Mas por mais que a derrota tenha sido sim um grande tropeço nas ambições do Flamengo nesse Campeonato Brasileiro, acho que ainda é cedo para qualquer papo de que “o ano acabou”, mesmo porque, se o ano acabasse sempre que a torcida rubro-negra diz, já teríamos alcançado o calendário judaico e estaríamos no ano 5777. O Flamengo perdeu? Perdeu. Os líderes se distanciaram? Bastante. Mas isso não é sinal de que o ano acabou, é sinal de que vamos ter que jogar mais bola, ganhar mais jogos, fazer mais gols.

Mais do que nunca é hora do Flamengo aprender com seus erros, quase sempre os mesmos, e se tornar o time que ele pode ser e que a torcida espera que ele seja. Não vamos deixar o ano acabar antes mesmo dos supermercados começarem a vender panetone, Flamengo.

ESPN

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