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Só Sul-Americana mantém Luz e Caetano no Flamengo em crise

Por em novembro 13, 2017
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A situação no Flamengo é insustentável, dentro e fora de campo. O time segue com desempenho irregular, desastroso quando sai de casa e a administração atual rui, com vice-presidentes e um diretor importantíssimo deixando o clube e outros ensaiando o adeus. Cenário que evidencia o crescente isolamento do presidente Eduardo Bandeira de Mello (comumente identificado como “EBM”).

Enquanto isso o nome de seu vice geral, Maurico Gomes de Mattos, cresce para a eleição de 2018: “Estou preparado para ser porteiro do Flamengo como para ser presidente do Flamengo. Mas eu não sou candidato de mim mesmo, vai depender do que vai ocorrer”, disse ao blog.

Depois do diretor financeiro Paulo Dutra, que recebeu nova proposta de trabalho e se demitiu, dois vice-presidentes renunciaram, Edmilson Varejão, que estava na Secretaria Geral, foi para os Estados Unidos estudar. Já Rafael Strauch alegou questões pessoais para deixar a VP de administração. Nos bastidores, outros vices falam em largar o barco, insatisfação que cresceu com a centralização do futebol nas mãos de Bandeira desde a saída de Flávio Godinho da pasta do futebol.

Integrantes da equipe que está no poder, a chapa azul que venceu a eleição em 2015, retomam conversas com os opositores/dissidentes, os “verdes” na disputa de dois anos atrás. Para completar, o vice-presidente geral reuniu integrantes de ambos os grupos no casamento de sua filha. A foto abaixo na festa promovida por Mattos é apenas um símbolo do que se passa nos bastidores.

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Lá estiveram Wallim Vasconcellos, ex-vice de futebol Bandeira em sua primeira gestão e candidato que para ele perdeu nas urnas há dois anos; Alexandre Wrobel, VP de patrimônio que já esteve à frente do futebol, hoje ocupada por Ricardo Lomba, também presente ao casório, como Cláudio Pracownik, vice de finanças; e Daniel Orlean, de marketing, entre outros. Também compareceram Rodolfo Landim e Rodrigo Tostes, nomes pesados do grupo “azul” que derrotou Patrícia Amorim em 2012 e virou “verde” três anos depois. Os dois foram peças fundamentais no início da reestruturação no clube.

A saída de Rafael Strauch representa imensa baixa para o presidente. Ele era a maior liderança do SóFla, grupo importante na sustentação política de Bandeira de Mello, e foi o principal articulador da campanha que o reelegeu em dezembro de 2015. Mas a principal baixa foi Paulo Dutra, funcionário remunerado (os vice-presidentes não trabalham por salários) visto internamente como “o verdadeiro CEO”, cargo ocupado por Fred Luz.

Embora sua função fosse de diretor financeiro, ele ia além, era a base administrativa do Flamengo. Fred, outro profissional contratado, virou um ponto de convergência, muitos “azuis” e “verdes” não o querem mais por lá e hoje apenas “EBM” o sustenta. Luz é profissional de perfil mais comercial, virou braço direito do presidente e passou a ficar direto no futebol, enquanto Dutra tocava a administração do clube. Por isso, na prática era visto como “o real CEO”.

Se Luz é questionado, o que dizer de Rodrigo Caetano, diretor executivo de futebol? Uma eliminação na Copa Sul-americana deverá decretar a saída de ambos, assim como a do controverso coordenador de psicologia, Fernando Gonçalves. Bandeira detesta a ideia de mandar qualquer um dos três embora, mas se veria cercado, sem saída, desprovido de qualquer outra opção em caso de mais um fracasso futebolístico.

Situação parecida com a da demissão de Zé Ricardo. Ao final do primeiro turno do Brasileiro, com o Flamengo 18 pontos atrás do líder, Corinthians, Bandeira foi convencido por outros dirigentes, e pelos fatos, a dispensar o técnico. Ele somara seis pontos nos 21 disputados anteriormente, com pífio aproveitamento de 28% na reta final da primeira metade do certame. Em entrevista a Raphael Zarko, do site Globo Esporte, o presidente admitiu:  “Dependendo da maneira que a gente terminar o ano isso vai se refletir também no ano que vem” — clique aqui e leia.

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O mesmo deverá acontecer se os rubro-negros não passarem pelo Júnior de Barranquilla na semifinal da Copa Sul-americana. E ficará pior se quatro dias depois do jogo na Colômbia o Flamengo terminar A Série A atrás de Botafogo e Vasco. O trio carioca luta por vagas na Libertadores. Os dois têm investimento somado que equivalente a 85% do despejado pelo Flamengo em seu departamento de futebol, segundo o site www.transfermarkt.com.

Caso Bandeira de Mello se veja nessa encruzilhada, precisará demitir seus fiéis escudeiros, ou perderá mais vice-presidentes, dos quais receberia mais pressões. Ao mesmo tempo, com eleição marcada para o final de 2018, ele precisa pensar no seu candidato à própria sucessão, o que será mais complexo se o time fechar este ano com mais fiascos. Há, até, o risco de EBM virar uma espécie de “cabo-eleitoral ao contrário”, alguém cujo apoio político não interessaria a (quase) ninguém.

Já o VP geral do Flamengo cresce como possível nome capaz de reunir os grupos azul e verde de 2015. Uma espécie de coalizão. Sua candidatura é dada como quase certa. “Não posso falar de eleição um ano e dois meses antes. Vários aspectos devem ser pesados, não posso confirmar, e nem quero desconfirmar porque não sei o que vai acontecer no ano que vem”, acrescentou Maurício Gomes de Mattos ao blog. Landim é outro possível nome, mas para tal seria preciso consenso. O atual vice geral dá sinais de que deseja a composição, mas há quem tema o risco de, no poder, centralizar decisões, como ocorreu com Bandeira de Mello.

Tal postura do atual mandatário gera desconforto entre outros dirigentes que, nas ruas, são cobrados por torcedores furiosos com o futebol em péssima fase. Eles dizem que as pessoas com eles reclamam de algo que não têm como mudar, pois o elenco está totalmente blindado por EBM, Luz e Caetano. Lomba, que assumiu a pasta do futebol há cinco semanas, ainda não tomou decisões fortes, há certa expectativa sobre quando e o que fará. Se é que poderá fazer algo.

Mas a grande pergunta é como e quando reagirá esse Flamengo de finanças em dia, mas com futebol em crise profunda e politicamente dividido. O risco é que demore muito tempo, mais tempo, pelo menos mais um ano, até as eleições agendadas para dezembro de 2018. No futebol, dinheiro não é tudo, nunca foi.

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

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