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Já está liberado se iludir de novo

Por em novembro 20, 2017
flamengo caixa vizeu

Não foi um ano fácil para ser flamenguista. Numa temporada de decepções, eliminações, confusões, problemas dentro e fora de campo, críticas a diretoria, ingressos caros, Muralha, Rafael Vaz e Márcio Araújo, vivemos 77 partidas que em tese deveriam durar 90 minutos cada uma mas que pareceram várias vezes durar 77 anos, a ponto de você terminar um primeiro tempo com medo que seu sobrinho pequeno já chegasse te apresentando os netos dele.

Reclamamos de falta de raça, falta de capacidade técnica, falta de organização tática, trocamos técnico, titulares absolutos viraram reservas esquecidos, reservas esquecidos viraram titulares absolutos, vimos o que seria um sonho dos mais grandiosos se transformar numa realidade das mais medíocres.

Perdemos partidas em que éramos francos favoritos, tomamos gols que se a equipe do seu filho na escola primária tomasse a diretora do colégio chamaria todo mundo na sala dela, vimos vantagens evaporarem, empates virarem derrotas, partidas fáceis se transformarem em momentos avançados do jogo Flappy Bird, aquele que te fazia querer atirar seu celular fora.

E diante desse cenário, qualquer pessoa sensata, qualquer cidadão racional, qualquer ser humano com um mínimo de bom senso e capacidade de percepção da realidade, iria apenas aceitar que o ano acabou. Que não é possível esperar mais desse time, que não existe mais chance de guinada, que tudo está perdido e que o que temos agora pela frente é uma mera formalidade, pura burocracia, basicamente apenas um carimbo extra no atestado de óbito após uma daquelas cenas dramáticas na série Plantão Médico em que o doutor tenta ressuscitar o paciente de todas as formas e, inconformado, é contido por um colega de trabalho que diz que não dá mais, acabou.

Porém, como nós todos sabemos, ninguém aqui é sensato. Ninguém aqui é racional. Ninguém aqui tem um mínimo de bom senso. Todo mundo aqui é apenas uma coisa: flamenguista. E pro flamenguista é impossível parar de acreditar.

flamengo

Foi uma vitória contra uma equipe desfalcada que passou a semana toda comendo churrasco e cantando “We’re the Champions” no videokê? Talvez. Mas também foi um resultado contundente contra o campeão brasileiro, que não havia perdido por essa diferença toda em todo o torneio. Os gols tiveram origem em heróis improváveis por quem o torcedor talvez não tivesse lá aquele respeito? Pode ser que seja exatamente deles que nós vamos precisar agora na reta final do ano. Vizeu e Rhodolfo talvez se matem num duelo de facas nesta madrugada e Pará terá que esconder os corpos? Bem, se não estava dando certo quando o time era muito pacífico ao menos temos uma mudança clara de comportamento que sinaliza que alguém ali ainda se importa.

É uma vitória cheia de ressalvas, é um resultado que não representa necessariamente evolução do time, é talvez apenas mais uma oportunidade para que sejamos iludidos pelo Flamengo 2017? Possivelmente. Talvez até provavelmente. Mas quando temos pela frente na quinta-feira uma semifinal de torneio continental, uma partida que pode significar a última chance de vencer alguma coisa nessa temporada, pode ser que isso seja exatamente o que faltava. Algo que nos permita sonhar, algo que nos permita acreditar, algo que deixe que ao menos até quinta a gente saia do imenso oceano totalmente anti-flamenguista de pessimismo e tristeza para lembrar de novo como é bom esperar alguma coisa desse time.

Temos alguma certeza? Não temos. Temos alguma garantia? Não temos. Mas temos esperança, temos fé e temos possibilidade. E o flamenguista não precisa de mais do que isso.

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