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Salto do Flamengo para o futuro se tornou uma viagem de volta ao passado

Por em Janeiro 9, 2018

E na tarde dessa segunda-feira, após um término melancólico que envolveu boatos, confusões, mensagens não respondidas no Whatsapp e possivelmente Rodrigo Caetano bebendo e mandando de madrugada um áudio dizendo “cadê usteeeeed??”, chegou ao fim a relação de menos de cinco meses entre Flamengo e o técnico colombiano Reinaldo Rueda.

O saldo, claramente, não foi positivo. O treinador, que veio cercado pela euforia das redes sociais, a confiança da torcida, e a expectativa de uma mini-revolução rubro-negra que levaria a uma longa trajetória de títulos, saiu deixando como legado dois vice-campeonatos, uma 6ª colocação no Brasileirão, duas substituições que até mesmo a sua avó Norma, que nem acompanha futebol teria feito – Juan e Cuellár titulares – e, talvez, com alguma boa vontade, uma ou outra lição sobre como a gente não deve acreditar tanto assim em tudo que vê no Twitter.

E ainda que seja cada vez mais necessária uma análise da relação entre os clubes brasileiros e os técnicos estrangeiros – por que tratamos como Pep Guardiola treinadores que tratam nossos times como menos do que Rayos Vallecanos? -, o Flamengo se vê agora diante de questões mais urgentes, com a chegada de Paulo Cesar Carpegiani para o cargo de técnico da equipe.

Solução claramente alternativa diante de um mercado sem boas opções – Carpegiani originalmente viria para o cargo de Coordenador Técnico, então o Flamengo já começa o ano com gente atuando improvisada até no banco de reservas -, o novo treinador consegue ser ao menos tempo uma das soluções mais seguras e mais questionáveis para o comando rubro-negro.

Segura porque marca o retorno do técnico responsável pelas duas maiores glórias da história do clube: a Libertadores e o Mundial de 1981. E questionável porque esse mesmo técnico, hoje com 68 anos, tem como dois últimos títulos recentes um estadual baiano e um estadual paranaense, respectivamente em 2009 e 2001, o que mostra que suas conquistas mais expressivas talvez tivessem alguma ligação com o fato de comandar uma equipe com Zico, Junior, Leandro, Adílio, entre outros.

Em suma, o que era para representar uma quebra de paradigma na Gávea, com a chegada de um treinador estrangeiro que introduziria novos conceitos e mudaria o panorama do nosso futebol, acabou se tornando uma viagem no túnel do tempo em busca de repetir uma fórmula que deu certo num dos momentos mais felizes do nosso passado.

Parece uma decisão racional para uma diretoria que tanto se gaba de buscar o moderno? Não parece. Mas num clube que sempre desprezou a lógica e parece mais do que nunca precisar de mais contato com sua essência e suas raízes pode ser que Carpegiani acabe se encaixando naquela categoria tão rubro-negras das ideias que eram “tão loucas que acabaram dando certo”. Só nos resta agora é pagar para ver.

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