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Uma pré-temporada de luxo (e nem é tanto luxo assim)

Por em janeiro 25, 2018
FLAMENGO VINÍCIUS JUNIOR

É muito complicado se empolgar com o Campeonato Carioca. Um torneio sucateado, organizado por uma federação mais do que suspeita, com um Maracanã indisponível e onde a maior emoção envolve tentar entender um regulamento que permite que no mesmo ano um time suba da Série B para a Série A e seja rebaixado de novo para a Série B, como se o campeonato estivesse andando de carro com a Sônia Braga e escutasse um “coloca acesso e rebaixamento na mesma temporada, mostra pra eles que tu é intenso”.

Somando a isso à situação precária da maior parte das equipes do interior e às fases não tão boas dos outros três grandes do Rio – se o turno acabasse enquanto escrevo esse texto, apenas o Flamengo estaria classificado para as semifinais da Taça Guanabara, ainda que fosse ser estranho porque ia acabar com só três jogos pra cada time -, você tem a receita perfeita para uma competição que mal motivaria o torcedor rubro-negro a acompanhar os alertas de gol pelo celular, quanto mais ligar a televisão, muito menos chegar ao extremo de se deslocar até um estádio.

Mas ainda que não tenha o glamour e a competitividade que já possuiu, ainda que talvez Fred tivesse razão quando disse que o Carioca “tinha que acabar” e ainda que na noite desta quarta-feira eu tenha sido obrigado a novamente assistir Almir jogando e isso tenha despertado em mim traumas da temporada 2015 que eu considerava já superados, o estadual desse ano será essencial para que Carpegiani prepare a equipe para a competição que realmente importa nesse primeiro semestre: a Copa Libertadores da América.

FLAMENGO VINÍCIUS JUNIOR

Partidas como a dessa quarta-feira, contra o Bangu, que seriam apenas vitórias sem muita graça contra times que não representam grandes desafios, vão ser essenciais para montar o grupo que vai enfrentar o River Plate, dia 28/2. Seja para deixar claro que Paquetá e Vinícius Jr já merecem a titularidade, assim como Ronaldo talvez já dispute seriamente a vaga de William Arão; seja para Rômulo, Renê e Rodinei terem mais uma oportunidade de justificar suas presenças no elenco; seja para já deixar no ar a desconfiança de que o que Geuvânio precisa talvez não seja só uma pré-temporada mas sim uma recolocação profissional completa incluindo uma oportunidade no Pronatec.

Com quatro jogos pela frente – incluindo dois clássicos – até a nossa estreia na Libertadores, o treinador rubro-negro poderá testar todo o elenco, oferecer oportunidades iguais de disputa por posição e ter uma noção mais exata das carências reais da equipe – precisamos mesmo trazer mais um volante de alto custo ou um atacante de velocidade enquanto continuamos sem laterais confiáveis tendo Vizeu, que aparentemente será negociado em breve, como atacante titular?

E numa Libertadores onde provavelmente vamos mandar dois de nossos três jogos com estádio vazio em virtude da punição da Conmebol, a margem pra erros vai ser pequena e vamos realmente precisar ter os melhores jogadores atuando da melhor maneira possível. Que o Carioca, que atualmente parece não servir pra muita coisa, consiga servir pra isso.

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