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    Paquetá: uma joia a ser lapidada

    Por em maio 24, 2018
    paquetá flamengo

    Passando os olhos pelas redes sociais no pós empate River Plate x Flamengo, que definiu a segunda colocação do Rubro-Negro no Grupo 4 para as oitavas de final da Libertadores 2018, percebi uma certa intolerância ao futebol que o Paquetá vem mostrando nas últimas partidas com o Manto Sagrado. Concordo com o excesso de firula e individualismo. Contudo, temo que acabe sendo mais um que o Mais Querido venha a perder pela intolerância e imediatismo do torcedor, este, carente de ídolos, que acaba frustrado por não ver uma atuação nota 10 jogo sim e o outro também.

    paquetá flamengo

    Voltemos no tempo. Ainda nos anos 2000, o mesmo torcedor do Flamengo foi intolerante com um então camisa 9 vindo da base, um pouco atabalhoado, até mesmo por conta da altura que ainda era desproporcional ao fisico, entretanto, quando o assunto era bola na rede, ali se mostrava a promessa do fino da bola. Resultado? Acabou trocado pelo folclórico Vampeta, que protagonizou a frase ‘eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo’, servindo de moeda de troca em um pacote que contava também com Reinaldo, outra promessa da Gavea que já vinha marcando seus gols – alguns decisivos -, e muito elogiado por Zico. Voltando ao Flamengo depois de virar Imperador da Itália, titular da Seleção Brasileira, nos braços da torcida e carinhosamente chamado de Didico. Foi decisivo na campanha do Hexa, mas no combo, sérios problemas psicológicos que o fizeram abandonar precocemente o futebol.

    Gerações perdidas

    Poderia voltar um pouco mais no tempo e citar outros exemplos que a falta de paciência de boa parte da torcida do Flamengo, fizeram acabar sendo ídolos em rivais. Djalminha, Marcelinho (ainda que controverso e falando apenas no futebol), Paulo Nunes, Fabinho… Ouso até retornar um pouco ao presente, e sem precisar citar nomes, lembrar os campeões das Copinha 2011. Quantos desses campeões fizeram o torcedor do Flamengo se orgulhar em tempos de redes sociais? Esse mesmo rubro-negro pensou que eventualmente poderia ter um craque para chamar de seu. Ou agora dirá que não? Passaram de bestiais a bestas? De campeões a cabeças de bagre? Eram simplesmente ruins ou o futebol profissional com seus métodos, professores, panelas e idiossincrasias não souberam lançá-los ao mundo dos adultos?

    flamengo

    Penso numa quase convicção que os ‘professores’, sabe-se lá o motivo, atiram os jogadores da base indiscriminadamente a esmo num modo ‘se vira aí’, na maioria das vezes fora de suas posições e características, e o torcedor na sempre expectativa de ver o que a maioria não presenciou na década de 80, acaba, por conta dessa intolerância, perdendo safra atrás de safra. Mas aí serei questionado. Ah, mas Fulano acabou no futebol do Nepal, Sicrano na Série B do Uzbequistão, Beltrano largou o futebol e virou administrador de empresas. Respondo: o empresário manda muito, vida de jogador é curta, o ‘professor’ queimou ele para o mercado interno ao lançar sem critério, e passar toda sua juventude na expectativa de um dia jogar para sua torcida e acabar tendo seu sonho frustrado não deve ser tarefa fácil na cabeça de um jovem.

    Voltando ao Paquetá. Será que de ‘PaqueTop’, vai virar alvo da falta de paciência? Não cabe ao clube a responsabilidade de preservar a promessa praticamente realidade e trabalhar a parte psicológica dando-lhe o suporte necessário? Se o Paquetá é uma joia, ele deve ser lapidado, e isso vale para qualquer jogador que venha da base. No mundo tão artificial que cerca os bastidores do futebol, com suas chuteiras coloridas, grifes, roupas extravagantes de gosto duvidoso, joias, carros, mansões, iates, noitadas e quetais, há que se cuidar da parte psicológica. O futebol mudou. Tudo mudou. O boleiro chuteira preta que ganhava um Motoradio ou uma noite na Suíte Champion acabou. Naquele tempo – e como era bom aquele tempo –, era fácil escalar o time do Flamengo cheio de ídolos e títulos.

    Moral da história? Não tem moral da história. Só um pouquinho de paciência, afinal, um time com ídolos torna a conquista de títulos mais fácil. Muito mais fácil…

    flamengo zico junior

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