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Flazaro, o Rubro-Negro. Aquele que tudo sabe. Aquele que tudo vê. Aquele que Zico virou e disse: “Flazaro, levanta-te e escreve!". Twitter: @Flazaro81

Flázaro entrevista Sr. Corneta, famoso torcedor do Flamengo

Flázaro é repórter fictício, ressuscitado por um passe do Rei Zico, e gentilmente cedido pelo site Falando de Flamengo.

Uaaaahhhh…. Que sono…. Zico pode até ter me tirado do  leito de morte, mas uma vez só pode não ter sido tão difícil. Santo (ou diabo) mesmo é meu editor, o PC, que seguidas vezes me ressuscita da cama pra trabalhar sem magia alguma, só com gentis pontapés nas costelas. Enfim… Bora trampar. 

Cheguei à casa do Senhor Corneta meio ressabiado. Sabia que ia ser um trabalho difícil. Muitos me disseram que o entrevistado está em um momento insuportável. Pensei até que o Flamengo estava em uma fase daquelas de perder dia sim e o outro também. Daí na redação me alertaram que era justamente o contrário, que quase não havia derrotas nos últimos seis meses, e que essa era a missão da entrevista. Tentar entender tamanho rancor desnecessário. Aparentemente a boa fase irrita mais o Senhor Corneta porque em muitos dias ele se vê impedido de realizar as suas funções reclamatícias, que julga ser a forma mais adequada de demonstrar Amor à Instituição.

Tatatá… Tararááááá… Foi o som da campainha da mansão do Senhor Corneta rasgando a manhã em sons estridentes. De tão alto o dispositivo, claro que o entrevistado já chegou reclamando:

Corneta: Caaaaalmaaaa… Que escândalo desnecessário!!!

flázaro flamengo corneta

Flázaro: Perdão. Só apertei a campainha. Não sabia que estava tão alta a corneta.

Corneta: Tá… Tá… Tá… Entra logo que estou com dia cheio hoje. O Flamengo perdeu após um tempão. Estou cheio de sarcasmo e ironia acumulados pra despejar nas redes sociais. Senta aí no sofá que a Senhora Corneta vai trazer um café… Já vou avisando que provavelmente há de estar frio e fraco. Essa aí parece que não aprende nunca a usar a cafeteira.

Flázaro: Então vamos direto ao ponto. Do que o Senhor mais reclama no Flamengo de hoje?

Corneta: De tudo, ué???!!! Não é a minha função de torcedor? Fiscalização e ranzinzice constantes até o dia que pintar uma Geração Zico… Que diga-se de passagem, também não me encheu muito os olhos na época.

Flázaro: Mas o Senhor não acha que… Vamos por partes… Administrativamente o Flamengo vem sendo bem tratado pela atual diretoria? Salários em dia, elenco reconhecidamente competitivo, CT e infraestrutura de primeiro mundo, marketing ativo, preocupação com as finan…

Corneta: Ahhhh… Tudo balela. O time não dá volta olímpica desde 2014. E mesmo assim nem deve ser levado em conta. Carioqueta e com gol daquelezinho lá. Humpf…

Flázaro: Sim… Realmente pra grandeza do Flamengo, dois anos sem volta olímpica é fora do habitual. Mas o Senhor concorda que nosso futebol vem evoluindo desde então e que #201SETE tem tudo pra ser o ano da retomada rumo aos títulos?

Corneta: Tá… Tá… Tá… Quando der volta olímpica eu paro de reclamar por uns 10 minutos. Até lá… As redes sociais vão ter que aturar meu rancor.

Flázaro: Ok… Falando agora só de futebol. O Senhor não acha que após cinco meses sem derrota o time merece um apoio? Afinal foi um tropeço por um gol, fora de casa, e na Libertadores… E se o Senhor me permite… Jogando até melhor que os chilenos.

Corneta: Ahhhhh… O Senhor me poupe. Como esse bando vai lá no Chile, joga melhor, mete bola na trave… E não volta pro Rio com os três pontos? É muita incompetência.

Flázaro: Ok… Ok… Já vi que o Senhor não lida muito bem com derrotas. Do elenco e comissão técnica atuais, quem o Senhor acha que precisa ser trocado?

Corneta: Todo mundo. Do goleiro ao roupeiro. Não deu volta olímpica não presta. E sinceramente, acho que não tem mais jeito. Não vejo ninguém capaz em nenhum lugar. Só fracos por todos os lados.

Flázaro: Bem… Em campo não dá mais, mas e se o líder da Geração Zico, o próprio Galinho, assumisse o comando?

Corneta: Não vou muito mais com esse aí também não. Tá querendo usurpar meu cargo. Anda cornetando mais que eu.

Flázaro: Sei… Sei… Complicado então. Confesso que fiquei até animado quando vi os números recentes do time. Tanto dentro como fora de campo. Mas pelo que o Sr. tá falando, o momento é um dos piores da história, né? Vamos ter que torcer muito pelo jeito.

Corneta: Aí ó… Esse é o problema com vocês. Ficam fixados nessa ideia de torcer… Torcer… Torcer. Não adianta isso. A gente tem é que reclamar. O tempo todo e de tudo. Já tem que chegar nas redes sociais e grupos de WhatsApp de sola. Nível Carrinho Criminoso em Final de Campeonato Argentino. Só assim mesmo. Um trabalho duro, mas alguém tem que fazer. Eu mesmo, por exemplo, estava há tempos sem participar muito no zap. Aquele clima eufórico por causa de meia dúzia de meses sem derrota me dava náuseas. Após o jogo contra a Universidad voltei com tudo. Já venho ensaiando esse regresso desde o Fla-flu, agora passo o dia inteiro de celular na mão e vigiando. Ao menor sinal de compreensão e apoio ao time… Vou logo mandando meme de “torcedor nutella”, sem dó e nem piedade. Ahahahaha…

Flázaro: Entendo. Essa campanha no Carioqueta complica o seu trabalho? Apesar de perder nos pênaltis pro flumineCe, campanha invicta até o momento.

Corneta: É… Torna as coisas um pouco mais difíceis e me deixa até um pouco mais irritado. Mas sem problemas, fico berrando pra todo lado que Carioqueta não mede nada… Que só tem time fraco… Essas coisas. E… Devo confessar… Como nossa classificação para a semifinal do Estadual está praticamente garantida, tenho esperança de um tropeço contra esse time pavoroso do Vasco. Sabe como é… Não se pode misturar amor e negócios. Sou Flamengo, mas preciso corroborar minhas posições pra poder passar o dia inteiro postando “eu avisei”, “eu já sabia”, “ninguém me escuta”, e outras expressões do gênero. Rendem muitos clicks e compartilhamentos.

Flázaro: Curioso… Mas entendo o seu raciocínio, apesar de discordar. Bem… Muito obrigado pela sua paciência e boa sorte pro senhor no seu trabalho, e boa sorte pro Nosso Flamengo na Libertadores.

Corneta: Pô… Ou uma coisa ou outra, né? Ahahahaha… Tô brincando. Tomara que a gente ganhe tudo. Tenho competência suficiente pra achar defeito e reclamar em qualquer situação. É meu trabalho, né? Tatatatá… Tararáááááá… Bem… Vou ter que te deixar agora. Tenho fonoaudióloga em meia hora. Agora que tá rolando jogo aqui no Rio, de vez em quando vou ao estádio e passo o tempo inteiro vaiando. Minha garganta tá um trapo.  Ahahaha… Tô impossível. Já começo a homenagear a mãe dos caras desde o aquecimento.

Ufa… Esse job que o PC mandou fazer eu vou cobrar adicional de periculosidade. Cada maluco que me aparece. Epa… Celular vibrando.

Flázaro reporta ao Editor

Flázaro: Alô. Fala, meu editor. Missão cumprida.

PC: Porra, Flázaro. Que merda você arrumou aí? Acabei de ler aqui um cara criticando sua matéria e dizendo que tá uma porcaria total e que nada presta.

Flázaro: Ué??!!! Mas eu tô saindo daqui agora, patrão. Ainda nem escrevi e postei. Onde tá isso?

PC: No twitter.

Flázaro: Em nome de quem?

PC: Um tal de @SrCornetaDoFla

Flázaro: Ah tá…

Flázaro entrevista o Maracanã

Bem… De tanto fala isso, fala aquilo, vai ficar com fulano, vai ficar com Cicrano… Meu Editor Lindo e Compreensivo, o PC, foi forçado a recorrer aos meus serviços mais uma vez. Após aquele ritual protocolar de sempre, gritos e pontapés, disse ele:

– Flázaro, meu filho. Descobre essa porra pra gente. Sabemos quem quer ficar com o Maracanã, sabemos quem não quer mais ficar com o Maracanã, sabemos até muito bem quem não quer que o Flamengo fique com o Maracanã… Mas, afinal, o que o próprio Maracanã pensa disso tudo? Tem como ser?  

Como não sou de negar trabalho, mesmo que o pagamento seja em pratos de comida, fora o fato de temer represálias por parte deste adorável ser que chamo de chefe… Parti para o estádio.

A primeira barreira foi física. Tive que me instalar sorrateiro no teto do Maracanãzinho. Se é que se pode considerar discreto alguém no telhado de qualquer lugar que seja e portando um megafone.

– Ô,  Seu Maracanã… Dá pra trocar umas palavras? 

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Nada de resposta. Após alguma insistência, um pouco de atenção enfim.

– Aaaannn… É o COI? Socorro… Já  não chega? Vocês ainda estão por aqui? Ou… Espera… Olha… Se for da FIFA, já querendo fazer mais cirurgia plástica em mim por conta da Copa América de 2019, nem pensar. Já tô cansado dessa frescura. Já sou um senhor. Não fica nem bem esse troço de retoquezinho toda hora. 

– Não.  Eu sou da imprensa. É que tá  uma bulha danada pra decidirem quem vai tomar conta  de voc… Do Senhor. E daí meu chefe pediu pra vir aqui e perguntar diretamente pro principal interessado. 

– Ahahahaha… Nem estou acreditando. Enfim alguém veio buscar a minha opinião. Já não era sem tempo. Sabe… Durante as poucas vezes em que recebi público esse ano, menos na abertura e encerramento das Olimpíadas, porque além de muito barulho tinha também um monte de idioma que eu não entendo, andei prestando atenção em uma conversa aqui e outra ali. Deu pra perceber que a confusão vai ser grande. 

– Mas o Senhor tem preferência?

– Escuta rapaz. Pode me chamar de você mesmo. Minha preferência é que  tenha futebol aqui, né? Não foi pra isso que eu fui construído? E umas três vezes na semana. Esse troço todo de Copa, Olimpíadas, não posso negar que foi bom durante, mas essa embromação toda antes e depois é um saco. Aliás, vários sacos. Cimento, areia, um barulho que não acabava mais. Só aporrinhação.

– Eh… Eu deveria ser neutro e isento por ser da imprensa… Mas eu sou do Falando de Flamengo, e daí… Bem… Acho que o senh… Você entendeu o que eu quero saber, né?

– Eh,  eh,  eh… Entendi sim. Bem,  meu filho. O Flamengo me enche né? Estou falando pelo lado positivo. Alguns  outros só me enchem a paciência. Mas não me incomodam não. Quando o Botafogo  joga aqui com time de fora  eu até simpatizo. Vejo um joguinho e não preciso carregar muito peso. O Fluminense até que, quando a situação  é  boa ou muito ruim,  faz bom  papel.  O que me mata é aquele  pó-de-arroz.  Antigamente eu nem ligava,  mas a idade acho que me deixou alérgico.  E também… Eles aparecem aqui,  jogam,  e a gente nunca sabe se o que  aconteceu  no campo vai ficar valendo  mesmo. Isso me passa uma sensação  de desrespeito,  mas aí é lá com eles. Já  o Vasco,  o Vasco tem lá  meu primo Januário. Volta e meia recorre ao velhinho aqui, mas eles se viram bem por lá. Nem tão bem assim nos últimos  anos, mas lá é a casa deles.

– Mas então você prefere o Flamengo?

– Eh,  eh,  eh… Não bote palavras nos meus portões. Vê lá o que vai publicar  que eu não quero escândalo com meu nome.  Eu não prefiro ninguém não. O Flamengo quando joga aqui é  uma belezura só. Que festa!!! Mas é como eu disse.  Sou um estádio e quero que  tenha futebol por aqui.  Outro dia liguei pro Pacaembu. Olha… Não  tá  sendo fácil a vida por lá. Anda até  deprimido por estar sempre  vazio. Dia desses me ligou e tava todo bobo porque o Flamengo andou fazendo umas festas e tal – Parou pensativo, deu uma coçada na marquise,  suspirou  e  –  Agora… Ouvi falar que,  pra continuar sendo o que sou (e quase não tenho sido ultimamente,  diga-se  de passagem),  um lugar de jogar bola,  é inevitável que o Flamengo esteja envolvido. Não entendo bem dessas coisas de dinheiro,  mas esse aí,  onde você está sentado,  comentou outro dia que esse monte de frescurada que fizeram com a gente deixou tudo muito caro na hora de botar a coisa pra  funcionar. Daí eu não quero nem saber se vai ser junto com francês,  com alemão, com a empresa disso ou com  a empresa daquilo. Se só o Flamengo  torna possível… Que ele esteja envolvido então. Mas eu queria que  mais gente jogasse aqui. Bem,  isso se a minha opinião ainda conta. Por exemplo… O Engenhão lá, quando  usado estava na mão do Botafogo, o resto não jogava lá? Acho que se organizar  essa bagunça todo mundo joga.  E com todo respeito a todos os meus amigos,  mas lugar de clássico carioca é aqui,  né?

– Muito obrigado. Acho que deu pra entender. Você quer simplesmente ser o Maracanã.

– É  por aí. Ah… Claro que um showzinho ou outro me agrada e muito… Uma festa… Aliás,  sempre me pergunto por que Papai Noel não vem mais aqui.  Aquela era uma comemoração danada de boa pra encerrar o ano. E outra coisa.  Se esse monte de plástica tá encarecendo  tudo… Olha… Eu não sou nada  vaidoso. Ficar bonito não enche meus olhos e nem me enche do jeito que eu mereço. Dá uma ajeitada.  Sei lá. Eu tenho uns parentes lá na Europa que deram um jeito de deixar atrás do gol com cara de antigamente. Arrancaram as cadeiras com frescurada,  tacaram o povo no concreto pra caber mais gente,  e dizem que o povo fica lá,  pulando feliz da vida, como se não  houvesse amanhã. Você tem como passar isso para… Ahahahaha… O pior  é que a gente nem sabe com quem tem que falar. Enfim… Desculpa bater nesse mesmo degrau de arquibancada,  mas não tem como.  EU QUERO FUTEBOL POR AQUI. O MÁXIMO  DE PARTIDAS QUE DER.    

– Entendi. Muito obrigado pela  atenção. E a saúde como vai?

– Ah… Tá  ótima. Com esse monte  de reforma tô até me sentindo garotão de novo.  Mas a gente sabe,  né?  É aquilo. Se ficar muito tempo parado  sem trabalhar acaba enferrujando.  Muito curioso pra saber se vou poder ser eu em 2017. Se você souber de algo me conta?

– Opa… Pode deixar. E quando  finalmente decidirem você pode me conceder outra entrevista? 

– Claro. Só aparecer.

Flázaro  é ressuscitado e correspondente  de matérias  especiais  do Falando de Flamengo.

Doutrinação no Colorado e o Porco que usava Pó de Arroz

Uaaaahhh… Bem, vou assumir  os trecos aqui  hoje. O Sorin tá por aí em alguma sarjeta da vida. Possivelmente  deprimido porque não teve grana pra ir até Porto Alegre, diante dos excessivos gastos de um ano só com jogo fora.

O pré-jogo de  hoje é  um mamão com açúcar daqueles. Sendo rápido e rasteiro. Dadas as circunstâncias em que as equipes se encontram, pouco importa quem vai a campo… A não ser, é claro, que pro Inter também funcione aquela regra válida pros lados de cá, a tal “ex-jogador geralmente marca quando joga contra”, porque daí é só a gente meter lá um 4-3-3 com Juan, Damião e Réver no ataque e fazer a festa.

Caso contrário, funciona assim, valendo lembrar que eu, Flázaro, não sou um mero palpiteiro de araque como o Sorin. Dada a minha condição de já ter morrido e voltado à vida após um passe do Deus Zico, sei de tudo. Então… Se a gente marca primeiro, é vitória certa, dado que o desespero do outro lado anda grande, de forma compreensível,  com esse apreço que o Inter firmou pelo Z4 na temporada. Inclusive, dados os últimos acontecimentos da semana  por lá, um gol do Flamengo pode muito bem ser o estopim de uma porradaria sem limites entre os atletas e aquela  gentil e compreensiva figura que tiveram a ideia de botar de técnico em meio a uma crise dessas. Pois bem… E se eles abrem o placar? Vos digo que aí será osso. Os caras vão se inspirar nos primeiros momentos zericardianos por aqui,  armar um 11-0-0 daqueles, botar a bola embaixo do braço que nem o Diego no final do Fla-Flu na quinta, e daí não  tem mais jogo. Será difícil até arrancar o empate. Então o jeito é sufocar e marcar logo no início. E esse é o pré-jogo.

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Bem… Cumprida a missão dada pelo amigo Sorin, e que me foi repassada gentilmente aos gritos e pontapés  pelo  gentil PC, o editor do FDF, vou cá assistir um pouco de TV que é pra matar o tempo até cinco da tarde. Ver uns desenhos bem leves pra distrair. Fui…

Nobre produções, de forma amedrontada apresenta…

PIG, O PIGUINHO ATRAPALHADO

Em uma fazenda distante, bem distante daqui, um porquinho muito Nobre era o Rei do pedaço… Ou pelo menos se achava. Vivia por lá, soberbo, liderando o terreno e se achando  um vencedor na vida. Contudo… Uma coisa andava incomodando o porquinho. Todo dia, ao tomar seu banho de sol, que vinha logo após o seu banho de lama, Piguinho sentia uma sombra atrapalhar seu momento. A sombra era insistente. Ia e voltava com uma persistência  irritante. Sem querer deixar claro  que  estava se sentindo  incomodado, o porquinho um dia  se deitou  usando óculos escuro.  Esperou, esperou, e…

Era um Urubu… Era um Urubu… É um Urubu .

O susto foi tamanho que  deu um oinc-oinc daqueles  e saiu correndo para dentro do celeiro.

“Não  pode ser… Um Urubu … Outra vez?”

O porquinho logo lembrou que  seu antecessor  por ali, havia perdido o emprego anos antes justamente por causa de um Urubu. Lá pelos idos de 2009, uma ave dessas rondou, rondou, observou, e em sucessivos escorregões do porco de outrora… Pá… Dominou a fazenda e se banqueteou, trazendo consigo uma horda festiva composta por milhões de outros Urubus.

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Pensou em perguntar pra ele no dia seguinte porque andava rondando seu celeiro, seu chiqueiro, sua  fazenda, espalhando sombras por todos os lados. Achou que  isso seria demonstração de medo… Já que era mesmo. Então  pensou em se disfarçar…

Arrumou uns panos velhos nas cores verde e vermelha, se enrolou neles, invadiu a Casa Grande da fazenda pela porta que era usada pelo velho cachorro local,  e empanturrou o focinho com um pó branco  que encontrou  no banheiro.

Quando o Urubu apareceu, com a voz trêmula inquiriu:

– Olá, Urubu. Perdeu algo por aqui?

– Não. Quase não perco mais. Faz tempo. Só estou fazendo o meu trabalho – respondeu a ave.

– E qual o seu trabalho?

– Esse mesmo. Fazer minha parte e esperar. Assim como já fez nessa fazenda, algum  tempo atrás, um parente meu.

– Mas isso não é certo. Isso é desonesto. Isso é roubo – irritado, nesse momento o porquinho começou a choramingar de raiva, com medo de estar  vendo a história  se repetir.

– Desonesto? Roubo? O que é isso,  porquinho? Seu trabalho é  liderar a fazenda. O meu é só esse. Não estou interferindo em nada, só sobrevoando e esperando uma oportunidade. Apenas fazendo minha parte. E olha… Não se esconde atrás desse pó-de-arroz que não fica bem pra você. Faz o seu trabalho e não se preocupa com os outros. Sem choradeira. Sem achar a natureza injusta. O que  tiver de acontecer…Vai  acontecer. Foi assim alguns anos atrás.

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O porquinho não dormiu naquela noite. Fantasmas do passado voltavam  a ameaçar. E o Urubu… O Urubu seguiu fazendo sua parte. Planando, vencendo,  esperando.

Flázaro, direto de Instambul, cobre a vinda de Diego para o Flamengo

Uaaaaahhh… Sono da porra aqui em Istambul. Fazer o que? Tava lá deitadão, dormindo no sofá da redação e esperando o Cirino aprender a jogar bola quando o editor do FDF, o PC, acordou-me gentilmente como de hábito. Foram uns dois ou três chutes daqueles de final de campeonato argentino. Mas trabalho é trabalho.

– Ahn… Aprendeu? O Cirino aprendeu a jogar?

– Deixa de ser vagabundo, Flázaro. Agora inventou que a próxima matéria vai ser essa só pra poder ficar aí no bem bom. Tu acha que aquilo ainda tem jeito? Levanta. Faz o seguinte: Tem um amigo meu no aeroporto que vai te colocar clandestinamente em um avião pra Turquia. Vai lá e checa como tá essa porra. Um disse-me-disse sem fim. Todo ano tem uma novela. É Elias, é Montillo, é os carái… Um saco. Vê lá se essa do Diego vai vingar.

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Tudo bem que eu tava meio dormindo meio acordando, mas não lembro mesmo do Meu Querido Editor ter citado que a tal vaga sorrateira era dentro de uma jaula com uns cinco poodles chatos pra cachorro. Ele pode até ter dito, mas não lembro. De qualquer forma, com o salário de fome que me pagam, até que valeu. A ração era de primeira e rapidinho eu fiz amizade.

Agora tô aqui. Não entendo uma porra de linha do que falam. Sei que trouxe um livreto com umas poucas frases. O que deu tempo de pinçar aqui e ali no Google tradutor antes do embarque. Foi esquisita a minha chegada.

– “Is Diego vurulursa?” – Perguntei para um policial no saguão do aeroporto. Acho que tava mais tentando fazer amizade e puxar papo que realmente interessado na opinião dele… Já ganhei uma boa meia dúzia de porrada no meio da cara. Sei lá porque tanta irritação só por perguntar se o lance do Diego era golpe.

Logo após ser liberado pelos canas, convencidos que eu não ia vurulursar governo nenhum, fiz o óbvio e parti para a casa do Diego. Casa boa a do garoto. Pensei logo em filar um rango grátis, nem que fosse mais ração de cachorro.

– Iste Diego Ev? – Soletrei em turco vacilante.

Daí o cara que abriu a porta mandou um extremamente compreensível: “Seu Diego tá não véi. Tá lá em Ribeirão Preto na casa do Pai”.

Pooooooorraaaaaaa…. Liguei a cobrar pra casa do PC sem dó e nem piedade. Esse interurbano vai falir a porra do site, mas bem que ele merece. O cara tá em Ribeirão Preto e ele me manda pra cá pra esse fim de mundo? Daí ele argumenta que o Godinho tá em contato com um advogado que está aqui na Turquia agilizando a bagaça e por isso eu fui enviado. Cacete… E esse tal de Engodinho manja alguma coisa de turco? Nem de futebol o cara saca nada. Que diferença faz?

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Bem.. Já que estou na merda mesmo, tô desenrolando um negócio com um outro clube por aqui. Enquanto aguardo o desfecho ou o não desfecho dessa novela, vou tentando livrar o nosso Flamengo de uns pesos extras que estão atrapalhando um pouco.

– Biz kebaplar için Cirino ve Gabriel alisverisinde.

Isso sim seria um negócio da China… Quero dizer… Da Turquia. Podem confiar.

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CBF, Bandeira e Consciência do Bandeira

E não é que meu primeiro job como setorista do Mais Querido aqui no Falando de Flamengo não tem nada com bola?  Bem… Dado o jeitinho peculiar com que a Smurfada trata das coisas, até faz sentido. Mesmo porque nosso desempenho fora das quatro linhas segue caminhando anos luz à frente do… Do… Como é mesmo o nome daquele outro troço? Aquele no qual costumávamos mitar e aterrorizar os adversários? Ah… Futebol. Isso.

Cheguei sorrateiro e fiquei sentado ali naquela sala. Era um escritório decente. Nem muito chique e nem muito pobre. Adequado por assim dizer. Fiquei ali com cara de paisagem e aguardando o troço começar. Cheguei umas três horas antes. Confesso que fiquei tentado a dar uma fuçada nos computadores da CBF, mas admito também, medrei na hora. O fato é que a gente que trabalha com futebol acaba torcendo pras coisas acontecerem de forma decente. Fiquei receoso de encontrar ali algo mais terrível do que a minha decência pudesse suportar. E além disso, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Estava ali para presenciar a reunião entre CBF, Bandeira e Consciência do Bandeira.

Enfim, após tanta espera, chegaram os três…

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CBF – Sejamos diretos. Quer ser o Chefe da Delegação Brasileira na Copa América?

BANDEIRA – É sério isso? Ou vocês estão armando de botar veneno na minha comida? Sim, porque eu tenho tratado tão mal vocês, a FERJ e o desempenho desportivo do Flamengo que ultimamente ando desconfiando que todo mundo quer me ver morto.

CBF – Ahahahaha… É sério mesmo. Pensamos em você porque percebemos alguns pontos em comum entre o time do Flamengo e a Seleção Brasileira, pelo menos dentro das quatro linhas. Como você parece ter a manha de lidar com as coisas fora do campo… Quem sabe pode ajudar a gente a melhorar nesse ponto.

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Rapaz… Vai se misturar com essa gente? Tá sabendo que isso não vai pegar muito bem não, né? Vai ficar parecendo que estão querendo te comprar… Ou comprar nós dois… Sei lá.

BANDEIRA – Fica quieta na sua que eu resolvo. A conversa aqui é entre a CBF e eu.

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Então tá. Depois não diz que eu não avisei.

BANDEIRA – Na prática isso vai tomar quanto do meu tempo e o que eu tenho que fazer exatamente?

CBF – Bem… É improvável acontecer, mas caso o Brasil consiga chegar até a Final da Copa América, você passa 30 dias nos Estados Unidos com tudo pago. Ou isso ou até quando a Seleção se segurar na competição.

BANDEIRA – Sim… Agora… Meu negócio, como você já deve saber, são os negócios. O que um chefe da delegação faz? Tem que entender de futebol?

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Hmmm… É agora que a gente vai descobrir qual o caroço que tem embaixo desse angu aí.

CBF – Pois bem… Você acompanhou algum jogo recente da Seleção?

BANDEIRA – Não. Porque geralmente passa na hora dos meus programas de finanças favoritos na Globo News. E daí não dá pra ficar assistindo futebol, né?

CBF – Compreendo.

(Nesse ponto a CBF deu uma levantada e foi se certificar de que a porta estava mesmo trancada e que ninguem na sala de espera ia ouvir a conversa)

CBF – Pois bem. A sua função pelo visto vai ser fazer aquele troço que vocês fazem lá no Flamengo. Aquilo ali é lindo de se ver.

BANDEIRA – Pagar dívida?

CBF – Não. Isso também. Mas… Aquele outro troço.

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Lá vem…

BANDEIRA – Não estou entendendo.

CBF – É… Aquele negócio do time fazer um monte de merda nas quatro linhas e a maior parte da torcida achar que está tudo bem. Porque olha… É porque você não tem assistido, mas os jogos do Brasil estão de meter medo.

BANDEIRA – Ah tá… Isso aí é simples. Pode deixar comigo. É só preparar umas planilhas sobre qualquer assunto em que você seja superior aos outros. No nosso caso lá na Gávea, finanças. Daí você planta a notícia em qualquer veículo de imprensa… Tem que ser estrangeira porque dá mais credibilidade. Quando o troço for muito escabroso dentro do campo… Pá… Você vai lá e divulga. Tem gente que não tá mais engolindo esses trecos por lá não. Mas uma boa parte ainda aceita um Futuro Paradisíaco Não Calculável como moeda de recompensa para qualquer outra desgraça. Derrotas constantes pra times da Série B e C inclusive.

CBF – Muito bom. É exatamente disso que a gente tá precisando por aqui.

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BANDEIRA – Deixa comigo. Vai ser até bom umas férias. Ainda mais que coincide com o início do Brasileirão. E pode até ser que não, mas dado o nosso desempenho no Carioqueta e no início da Copa do Brasil, o negócio pode ficar bem quente por lá nesse começo de campeonato.

CONSCIÊNCIA DO BANDEIRA – Mas daí, caso as coisas não comecem bem, não seria interessante a figura do Presidente por aqui para amenizar as coisas?

BANDEIRA – Não perturba, Consciência. Eu resolvo tudo pelo whatsapp de lá mesmo. Além do que seu eu ficar por aqui adianta do que? Vou fazer o Jorge sentir vontade de jogar bola? Ensinar o PV a sair do gol? Dar aula de 4-3-3 e 4-4-2 pro Muricy?

BANDEIRA – Pode deixar, CBF. Já pode avisar pro Dunga e pros jogadores que tudo estará sob controle. Façam eles o que fizerem. Eu dou um jeito de parecer que está tudo bem.

CBF – Que bom. Ah… E sobre Brasília… Sobre aquele treco que a gente tentou embarreirar a criação do Flamengo-DF. Sem ressentimentos?

BANDEIRA – Nada. Tudo ok. A gente até prefere assim. Meio sem rumo. Um dia em Volta Redonda, outro em Manaus, outro em Brasília. Tem um povo reclamando, mas a gente já tá com umas planilhas lá no Excel prontinhas. Só aguardando a hora certa pra divulgar.

CBF – Belo trabalho. Estamos acertados então.

E ali acabou a reunião. A Consciência do Bandeira desistiu de alertar que podia não ser uma boa ideia, a CBF ficou satisfeita, e o Bandeira saiu da sala com um sorriso enigmático. Que poderia querer dizer: “Ah… O Poder. Ah… O Poder”.

FLÁZARO é setorista fictício do Falando de Flamengo